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Cinema

O Rei Leão: Diretor Jon Favreau chorou após ver filme finalizado

O Rei Leão já é uma realidade, desta vez, literalmente. Após três anos em produção, o filme que propõe uma reinvenção cem por cento digital da clássica animação da Disney de 1994 está finalizado e pronto para chegar aos cinemas do mundo, a partir de 18 de julho – os ingressos já estão em pré-venda no Brasil. 

Quem confirmou a informação foi o próprio diretor Jon Favrea u, durante um evento de O Rei Leão para a imprensa na Cidade do México.

“Ficou pronto na semana passada e eu já o assisti para a aprovação técnica”, ele revelou. “E chorei muito”. Bem humorado, o cineasta de 52 anos (que também é o atual responsável por The Mandalorian, próximo seriado da franquia Star Wars) respondeu a perguntas por 30 minutos e revelou detalhes da megaprodução que traz no elenco as vozes de Donald Glover, Beyoncé, Chiwetel Ejiofor e Seth Rogen.

“Meu maior trabalho foi proteger a obra original e garantir que este filme capturasse aquele mesmo espírito”, Favreau explicou. “Era uma mensagem que funcionava muito bem nos anos 1990, e acho que funciona ainda melhor hoje em dia – a ideia do ciclo da vida, de dividir responsabilidades e sobre estarmos todos em comunidade, conectados.”

O novo processo de filmagem com realidade virtual

“Nós começamos como qualquer filme de animação, com storyboards, artistas e vozes escritas em um roteiro. Só que quando estávamos prestes a entrar na fase de ‘layout’, que é quando posicionamos as câmeras, a iluminação e onde os atores vão ficar, nós pegamos toda a equipe de profissionais de verdade e os colocamos dentro do set digital, por meio de dispositivos de realidade virtual.

Era como se entrássemos para valer dentro das Terras do Reino na África. Podíamos ver o leão passando por nós, as luzes posicionadas, todo o cenário, e conseguimos posicionar as câmeras nos locais em que bem desejássemos. Fazendo dessa forma, era como estar produzindo um filme em live action. A gente sabia que se esse filme parecesse visualmente uma animação, ninguém iria querer vê-lo, já que o original ainda se garante muito bem. Então nossa intenção era fazer parecer um ‘documentário em live action’.“ 

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As semelhanças com o filme de 1994 

“Na parte da história, tentamos nos manter muito fiéis ao filme original. Nós usamos um novo roteiro e tentamos explorar um pouco mais além, não apenas visualmente, mas na narrativa e na parte emocional. Mas, no âmago, trata-se da mesma história, porque ela funciona muito bem.”  

A cena do desenho original mais difícil de reproduzir

“Com certeza foi a sequência do “I Just Can’t Wait to be King”, porque é quase uma cena de fantasia no original, com animais correndo e subindo nas cabeças dos outros, tudo muito colorido. Só que em nosso filme, não poderíamos fazer isso sem prejudicar todo o visual e o naturalismo.

Então, já que os leõezinhos são pequenos, nós utilizamos os outros animais para ‘criar’ o ambiente. Então eles passam pelo meio das pernas das girafas, ou correm no meio de um bando de flamingos… Tentamos fazer a cena com a mesma energia e estética do filme de 1994, mas apenas utilizando as ferramentas que nos estavam disponíveis. Isso exigiu um trabalho duro, com muitos esboços, ilustrações, conversas e testes para fazer a cena ter a mesma exuberância visual da original.”

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A escolha do elenco de vozes

“Já que o filme é realista, nós não podíamos ter o tipo de atuações que vimos no desenho. Se a gente pegasse aquele tipo de comédia e transportasse para as bocas de animais que se parecem reais, não ficaria legal. Mas tentamos preservar o espírito de cada personagem. Para mim, a escolha dos atores e atrizes é a parte mais importante.

Por exemplo, eu adoro cozinhar, e o resultado da comida tem muito mais a ver com os ingredientes do que com o cozinheiro. Então se você selecionar os ingredientes certos, você consegue fazer uma refeição incrível. Quando se faz um filme, também é assim: você mantém tudo simples e não fica no caminho dos ingredientes — que são a história, a música, o elenco. A tecnologia aqui parece algo importante, mas no fim, são as vozes das pessoas que sopram vida nos personagens.”

A participação de Beyoncé como Nala

“Ela se envolveu bastante. Ela tem filhos, e eu também sou um pai, e posso dizer que tem algo muito especial sobre criar algo que as crianças possam gostar. Porque quando se cria produtos voltados para adultos, seus filhos nem sabem o que você está fazendo. Mas eu tive a sorte de realizar os filmes Homem de Ferro e esses tipos de coisas que as crianças assistem. Para a Beyoncé, acho que foi uma boa oportunidade de fazer parte de algo que faria parte da vida dos filhos dela.” 

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O processo de criar emoções em animais digitais

“Humanos usam muito os olhos e as sobrancelhas. Já os felinos não fazem isso, eles utilizam o corpo, o jeito que a cauda se move… Com um personagem como o babuíno Rafiki, é possível utilizar expressões humanas, mas com o leão Scar, é preciso tomar cuidado sobre como usar os olhos e a boca para expressar emoções.

Quando gravamos as vozes, ao invés de utilizarmos cabines fechadas de estúdio, o que fizemos foi colocar os atores humanos atuando juntos em um palco. Era como se fosse um ensaio de teatro, e eu os deixava improvisar. Daí gravamos todas as falas com microfones espalhados e filmamos essas atuações, para podermos ver as expressões que eles faziam quando estavam falando. Em seguida, passamos essas informações aos animadores, que precisavam pensar: ‘Bom, esse ator está fazendo uma cara de raiva. Como um leão faria isso?’ No fim das contas, não foi um computador que fez escolhas, pegou referências e as transformou em um ser virtual. Foi um artista humano, interpretando e transformando a performance de um humano em uma atuação de um animal digital.”

Então O Rei Leão é mesmo cem por cento digital?

“De todas as cenas, tem apenas uma que não foi animada. Eu coloquei uma única tomada verdadeira no filme. Então, são 1400 cenas artificiais e apenas uma real. Quero ver se as pessoas descobrem. Eu não vou contar qual é, quero que o público adivinhe.” 

O filme já está pronto?

“Para um filme estar realmente finalizado, é preciso ter o som ajustado, as cores perfeitas, os créditos… Então, só terminamos o filme de fato na semana passada. Acho que até agora a única pessoa que já o viu foi o chefão da Disney [Bob Iger]. E é claro que eu o assisti para a aprovação técnica. E chorei muito. Porque é um filme triste, cheio de partes tristes. E quando aceitei o trabalho, eu não tinha me tocado de que veria essas cenas tristes tantas vezes.”

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via Adoro Cinema

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Guilherme Cepeda
Guilherme Cepeda é podcaster, blogueiro e escritor. Pós-Graduado em Marketing e apaixonado por tecnologia e literatura desde sempre, em 2010 resolveu criar um blog para compartilhar sua opinião com os amigos. Jamais imaginaria que o projeto chegaria tão longe, tornando-se hoje o Burn Book, um dos maiores portais de literatura jovem do Brasil. Escreveu em co-autoria os livros da série Minha Vida, e em seu trabalho mais recente, já pela Editora Burn Books, publicou o conto “Estarei em Casa para o Natal” na antologia que leva o mesmo nome, também foi publicado em outras antologias pelas Editoras Wish, Villa-Lobos e Rouxinol. Guilherme é co-criador do Podcast “BurnCast”, o qual é responsável pela edição, pós-produção e roteiro há mais de um ano.

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