Por quê os fãs estão acabando com a saga Star Wars?

Em tempos de sucessos cada vez mais passageiros, parece que nem mesmo Star Wars sendo considerado o primeiro blockbuster ou “filme evento”, conseguiu engajar os fãs da franquia ao frenesi do fim da saga dos Skywalker, que a história canonizou como uma das maiores famílias da cultura pop. Muitos alegam ser culpa da Disney, pelo excesso de produções que, inicialmente, tinham a proposta de expandir o universo, enquanto outros culpam a equipe criativa envolvida, como os diretores J.J. Abrams (Lost, Star Trek, Super 8) e Rian Johnson (Looper, Entre Facas e Segredos, Brick). Entretanto, se os problemáticos prequels (Episódios I-II-II) existiram, é seguro afirmar que o problema está longe de ser facilmente resumido a Disney e a visão dos diretores atuais.



O ano era 1999 e, a comunidade nerd estava empolvorosa. Mesmo sem grandes ferramentas de comunicação em massa, a espera pelo retorno de Star Wars após 16 anos tirava o sono de qualquer nerd da época que, se perguntado, afirmava que “A Ameaça Fantasma” era um dos melhores filmes da franquia. Com direito a Jar Jar Binks, Anakin Skywalker criança e os polêmicos midichlorians (que trouxeram uma visão mais “fisica” do que se tratava a força), após algum tempo o filme e suas respectivas sequências perderam o encanto e foram massacrados pelos fãs, acusados de ir contra a proposta da velha trilogia e dos personagens que lá foram desenvolvidos, como Darth Vader, Yoda, Obi-Wan, etc. Parece coincidência com o cenário atual, mas infelizmente não é.

E, por mais surreal que pareça, até mesmo os atores que pouca influência tem sobre o rumo da narrativa foram perseguidos, citando um caso mais específico,  Ahmed Best que deu vida a Jar Jar Binks, personagem tolerado por poucos e odiado por muitos. Através da internet, em fóruns e afins, o ator foi cruelmente perseguido por fãs que levaram Ahmed ao seu limite e, até mesmo considerando suicídio como a única saída cabível na época, mas felizmente hoje o ator reverteu a situação e consegue falar do episódio sombrio em sua carreira. Também há pouco mais de um ano, a atriz Kelly Marie Tran, que interpretou a personagem Rose em ‘’Os Últimos Jedi”, deletou todas as fotos de seu Instagram por conta de comentários machistas, xenofóbicos, fora ofensas gratuitas por sua participação no longa.

O que todos os casos tem em comum? A relação completamente abusiva e problemática que parte do fandom possui com os filmes. Eles se veem como proprietários da franquia, abominando qualquer escolha que não vá de encontro com as suas expectativas. Lembrando que, ninguém é obrigado a gostar das prequels, da nova trilogia de J.J. Abrams ou até mesmo de Jar Jar Binks, mas é importante lembrar qual o propósito de Star Wars como obra. Desde o seu princípio, a saga contou a história de homens, mulheres, alienígenas, androides e diversas outras criaturas corajosas que enfrentaram, muitas vezes em menor número, um sistema de extremo controle e opressão ditatorial, tornando a bandeira rebelde um ponto de luz em meio a escuridão. Se isso for levado em consideração, a conduta desses ‘’fãs’’ destoa gravemente do que a franquia se compromete a representar.

A franquia sempre foi e sempre será, sobre resistência, esperança, união e a compreensão de que não existe necessariamente, o bem e o mal, pois, essa dualidade está presente em todos os indivíduos. O que irá determinar quem eles irão se tornar, é o que eles decidem fazer diante disso e, esse conceito está intrinsicamente relacionado aos filmes. Portanto, nem tudo que vimos nas prequels é descartável, principalmente se levarmos a ascensão de Palpatine ao poder em consideração, assim como, nem tudo da nova trilogia é, supostamente, fan service  e ‘’inconsistência de roteiro’’. Dificilmente, os personagens irão em direção do que os fãs esperam, até aí, nem mesmo a vida funciona dessa forma e, todos são obrigados a seguir colhendo seus aprendizados da melhor forma possível. Cada fase de Star Wars seguiu seu devido caminho, de acordo com o que era idealizado por geração e responsáveis na época e, isso jamais foi um sinônimo de perfeição, mas sim um exercício de saber absorver o que podia ser absorvido, respeitando as diferenças que fizeram de cada trilogia algo único e especial de alguma forma.

E cá chegou o derradeiro momento, a conclusão de tudo e o possível adeus a diversos personagens que marcaram, não somente gerações, mas a forma como a cultura pop construiu personagens no decorrer dos anos.

Parafraseando Mestre Yoda: ‘’ Medo é o caminho para o lado sombrio, o medo leva a raiva, a raiva leva ao ódio e, o ódio leva ao sofrimento’’. Além do contexto utilizado, essa citação diz muito do cenário que a sociedade se encontra, mesmo em toda escuridão de ódio gratuito e boicote, existe a luz de um indivíduo que de alguma forma, única e singular, foi tocado por Star Wars, resta torcer que esses possam olhar para trás e entender a importância dessa jornada.

Que a força sempre esteja com todos nós.

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