Precisamos falar da “relação” dos Cinemas com as Pessoas que tem algum tipo de deficiência auditiva!

Danielle Kraus Machado fez um post que me chamou a atenção no Facebook, e resolvi trazer essa questão para discutir com vocês.

Como vocês sabem, quase 80% dos filmes que estão em exibição nos cinemas são dublados,  e por mais que falem “ah, mas a culpa é da Distribuidora”, não, não é não!

A culpa é do CINEMA e da localização/público que frequenta o mesmo (ou público que cada rede de cinema acha que frequenta o mesmo).

Pessoas com deficiência auditiva tem todo direito de ir no cinema e aproveitar como todo mundo, mas por causa da maioria dos filmes serem dublados, muita gente sofre com isso. 
A Danielle fez um post expondo a rede Cinépolis Brasil que não oferecia os filmes “A Era do Gelo” ou “Procurando Dory” legendado (que é até justificável, já que se tratam de animações voltadas para o público infantil), mas não exclui a responsabilidade social (e até de escolha) de oferecer TODOS os filmes dublados/legendados, dando o poder de escolha para os clientes de acordo com o horário da sessão. 
Mas como as coisas não funcionam assim, vamos ao post da Danielle: 

Hoje fui no Continente Shopping – São José, onde o cinema é da empresa Cinépolis.




Queria assistir A Era do Gelo ou Procurando Dory. Porém tenho perda auditiva bilateral moderada, e mesmo com aparelhos auditivos preciso de legenda.

Só que não tinha.

Depois de esperar um tempão pelo gerente, ele vem e só fica falando “Você que procure seus direitos então, eu não posso fazer nada, quem decide se é legendado ou dublado é a distribuidora.”

Porém já descobri que quem decide isso é o pedido do cinema, ou seja, dele mesmo. (corrigindo: esse sistema de quem decide é o próprio cinema, foi de outra empresa de cinema, não era a mesma, desculpa)

Ok, ele “não pode fazer nada “, mas eu posso. Vai ter processo, vai ter exposição e por mim teria boicote também.

Vai ter resistência.
Vai ter cartaz.
Vai ter denúncia.
Vai ter luta.

Semana que vem tem mais, quem conhecer alguém que tenha interesse em ir junto, só avisar.(Será em outros cinemas que também não cumprem a lei)
Essa luta é por todas as pessoas com deficiência.

Se você não diz à uma pessoa com deficiência física, cadeirante:

“Se essa rua não tem rampa é só passar em outra, ué, que frescura, quer andar em todas as ruas, igual todo mundo “

Então não diga à uma pessoa com deficiência auditiva:

“Se esse filme não tem legenda é só ver outro, ué, que frescura, quer ver todos os filmes, igual todo mundo “.

Deu pra notar a discriminação ??

Obs: Já tentei assistir dublado. Mal entendi 3 frases. Não adianta eu querer fingir que não tenho deficiência auditiva.

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Complementando o post da Dani, a autora Iris Figueiredo levantou outra questão falando sobre os filmes dublados:

Filme dublado é muito bom para quem tem deficiência visual e não domina o idioma original, para quem tem dislexia e não consegue ler as legendas ou simplesmente para quem gosta de ver filmes e tem preguiça de legenda ou prefere ouvir os personagens falando sua própria língua.

Mas o cinema legendado é extremamente importante também, pois é a única forma de muitos deficientes auditivos conseguirem assistir filmes. E por que tem a galera (tipo eu) que prefere assistir ao filme no idioma original, por achar a experiência melhor.

Não importa: o ideal seria ao menos oferecer as duas opções para o consumidor, ao menos em um horário, para que todos sejam contemplados.

Em tempo: vamos falar sobre audiodescrição para deficientes visuais? Quando isso vai se tornar acessível?

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