Precisamos falar sobre Robert Pattinson como o novo Batman

O assunto ganhou destaque quando a revista ‘Variety‘ revelou que Robert Pattinson (astro da saga Crepúsculo) foi escolhido como o novo intérprete do morcego mais influente do cinema: Batman. E assim, a comunidade nerd reagiu calorosamente, uns de forma positiva e a grande maioria não tanto.

Entretanto, agora já confirmado pela Warner Bros, o cenário muda totalmente e quer certa parcela do público queira ou não, Robert Pattinson é o novo Batman dos cinemas.

Bem, quando falamos de casting em adaptações hollywoodianas, principalmente de histórias em quadrinhos/livros infanto-juvenis, existe uma grande cobrança e uma busca incessante dos fãs em achar o ator/atriz perfeito para representar os personagens que tanto amam, gerando um grande “auê” quando qualquer escolha é feita e anunciada pelo estúdio do filme.

E realmente, é um apelo justo por parte do público querer fidelidade aos personagens queridos, porém, nem sempre existem pessoas com exatamente as mesmas características e atributos para proporcionar uma boa personificação adaptada e, isso revela a maior fragilidade do espectador: a falta de visão.

Pois, quem diria que aquele ator de comédias românticas, e filmes relativamente medianos poderia criar uma figura tão emblemática e poderosa em um período de tempo tão curto? Heath Ledger fez história e eternizou uma das maiores encarnações do palhaço do crime, o louco e imprevisível Coringa.

Na época que foi escalado, o estúdio teve muita dor de cabeça com petições, cartas, ligações, fóruns virtuais e portais com chuvas e mais chuvas de críticas, que alegavam absurda a escolha de um “rostinho bonito” para a interpretação de um personagem tão simbólico para a cultura pop. O resto da história já é de conhecimento público, o ator destruiu em cena e é lembrado até hoje pelo trabalho memorável em “O Cavaleiro das Trevas”, sendo o ponto alto da trilogia do diretor Christopher Nolan.

Seguindo essa tendência, um estúdio em específico utilizou essa tática em sua ascensão, isso mesmo, nada mais nada menos que a Marvel Studios, se voltarmos no tempo e analisarmos 2008 de perto, o cinema de heróis por assim dizer, não era tão vasto e popular como atualmente, poucas franquias engrenavam e nenhuma delas carregando a verdadeira alcunha de um filme de Super-herói, sem ter vergonha desse título.

Eis que, num golpe de surpresa, mas um tanto quanto óbvio, o estúdio escala Robert Downey Jr. para o papel de Tony Stark, gênio, bilionário e extremamente problemático em virtude de ego, problemas parentais e identidade, um tanto quanto perfeito para Robert, que vinha de um limbo de polêmicas em Hollywood. Mas para surpresa de todos, ele havia nascido para esse papel, que não iria só revolucionar a carreira do ator, mas a indústria do cinema de uma forma geral.

Então pode ser visto um padrão nisso, não só de visão, mas de segundas chances, algo que aparentemente parece ser difícil para o publico aceitar, mesmo consumindo os frutos disso posteriormente. Existe uma lista de atores que aproveitaram as segundas chances com maestria como Hugh Jackman, Ryan Reynolds, Chris Evans, Mark Strong, Ben Affleck, e isso não é a toa.

Muitos fracassos cinematográficos são atribuídos aos atores, por serem o rosto daquele projeto, mas o buraco é muito mais embaixo, com diretores, roteiristas, executivos, acionistas, investidores, marketing, cenário da sociedade e etc.

E com tudo isso temos Robert Pattinson, o holofote da vez. Com sua carreira recheada de trabalhos extremamente bem feitos, elogiados e premiados, e mesmo assim o ator ainda é globalmente conhecido por Edward Cullen, seu trabalho mais “comercial” por assim dizer, e menos valorizada, por ser um personagem voltado para o público adolescente. Mas basta uma pesquisa rápida, para reconhecer a competência do ator em papéis que demandam muita habilidade, seja um papel imprevisível, perturbado ou melancólico, elementos que facilmente o qualificam para o papel de morcegão, além do porte físico de maxilar forte e 1,85 de altura.

Afinal, o público parece ter perdido o senso de ponderar segundas chances e aguardar pelo resultado final, antes de tecer críticas a uma escolha ousada, mas talvez isso seja um problema do ser humano e nada recluso aos fãs de filmes/séries, uma pauta não tão urgente para os estúdios, entretanto um pesadelo para os atores, que na maioria das vezes surpreendem e trabalham dignamente.

Então, isso quer dizer que Pattinson será o maior e melhor Batman dos cinemas? Não sabemos.

Mas ele, sendo o profissional que é, com toda certeza tem potencial para isso.

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