A Mula | Crítica 4
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A Mula | Crítica

Em A Mula, Leo Sharp (Clint Eastwood) é um paisagista e decorador que coleciona uma série de honras, além de receber reconhecimento por sua contribuição durante a Segunda Guerra Mundial. No entanto, com o avanço da internet, sua fazenda de lírios perdeu diversos clientes e foi a falência. 

Aos 90 anos, Sharp aceita transportar cargas para quitar suas dívidas, e, com isso, torna-se mula do Sinaloa, o cartel de drogas mais notório e poderoso do mundo, liderado por Laton (Andy Garcia).

O roteiro de Nick Schenk e a direção de Clint Eastwood, guiados pela reportagem “The Sinaloa Cartel’s 90-Year-Old Drug Mule” do New York Times, não têm nenhum senso crítico. Em vista disso, podemos apontar a abordagem hollywoodiana de Sharp, que foi colocado muitas vezes como um senhor em busca da redenção. Porém, desconsidera o mal causado por seus serviços como mula e a inexistência do sentimento de culpa. 

“Quantos viciados estão na rua simplesmente porque o Sr. Sharp trouxe a cocaína aqui?”, indagou Chris Graveline, o advogado assistente dos EUA designado para o caso.

Por isso, precisamos observar as razões que levaram o cartel escolher esse senhor para o serviço. Além de possuir uma ficha limpa, ele é o que alguns estadunidenses chamam equivocadamente de “verdadeiro americano”: caucasiano, veterano de guerra e conservador (exceto quando o assunto são mulheres para o prazer). Esse perfil estar ligado a um cartel mexicano é uma ironia para aqueles que culpam imigrantes pelo avanço do tráfico de drogas, como se os “estadunidenses modelos” não tivessem responsabilidades. 

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Teoricamente, esta é a despedida de Eastwood das telas, porém isso é anunciado desde 2008, com o lançamento de Gran Torino. Será que dessa vez é para valer? Sendo verdade ou não, Eastwood consegue criar uma empatia do público com o personagem, graças a uma atuação mais serena do que estamos acostumados. O que decepciona é a sua presença ser tão essencial, dependência perigosa para qualquer longa.

Bradley Cooper e Michael Peña são uma dupla que funciona muito bem, mas tiveram pouco tempo em tela com cenas repetitivas. Teria sido interessante focar menos na família de Sharp para privilegiar a investigação do caso e o julgamento, que foram tratados com certo descaso pela direção de Eastwood.

Existem alguns títulos ligados a grupos improváveis cometendo crimes, como o longa Despedida em Grande Estilo ou a série Good Girls, mas A Mula tinha em mãos algo raro e real. Apesar disso, talvez até pelas opiniões polêmicas de Eastwood, falta discernimento para abordar uma história que não vemos todos os dias.

Distribuidora: Warner Bros.

Estreia: 14/02/2019

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Viviane Oliveira
Tecnóloga em Projetos Mecânicos desde 2017, estudante de Jornalismo, cosplayer, cosmaker, redatora freelancer desde 2016, amante da Mulher Maravilha e de Star Wars.

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