Aladdin | Crítica

Quem também já está contando as horas para dar uma voltinha de tapete mágico?

“A noite da Arábia e o dia também. É sempre tão quente. Que faz com que a gente se sinta tão bem.”

Partindo desse verso conhecido, começo minha crítica da adaptação em live-action de Aladdin. Dessa vez a Disney acertou em cheio, trouxe toda nostalgia do clássico para uma versão repaginada para os “dias de hoje”. Mantendo toda essência da animação, houve a inclusão de grandes influencias do musical da Broadway.


Todo mundo conhece a história do Aladdin (Mena Massoud), um jovem ladrão que vive de pequenos roubos em Agrabah. Um dia, ele ajuda uma jovem a recuperar um valioso bracelete, sem saber que ela na verdade é a princesa Jasmine (Naomi Scott).

Seguindo a linha da animação original, Aladdin logo fica interessado nela, que diz ser a criada da princesa. Ao visitá-la em pleno palácio e descobrir sua identidade, ele é capturado por Jafar (Marwan Kenzari), o grão-vizir do sultanato, que deseja que ele recupere uma lâmpada mágica, onde habita um gênio (Will Smith) capaz de conceder três desejos ao seu dono.

Dito isso, vamos ao que interessa: Fez jus à animação original? Sim. Superou as expectativas? Sim, também. É nostálgico, musical, tem referências ao clássico da Disney, tudo o que os fãs esperavam está lá, com algumas modificações que foram benéficas para a trama.

O visual de Agrabah como um todo agrada bastante, pecando apenas em alguns momentos com os figurinos, que lembram aquelas produções de época da RecordTV, mas são facilmente aceitáveis quando introduzidos no meio de um número musical. Vale destacar os figurinos da Jasmine, e o traje de príncipe Ali do Aladdin, sem defeitos.

O que achamos das atuações?

Logo no prólogo, com “Arabian Nights” (Noites da Arábia), podemos ter uma ideia do papel de Will Smith no filme que, ao contrário da animação que trata o personagem inicial como uma possível personificação do gênio, é introduzido de outra forma bem mais direta, já em sua vida pós liberto da lâmpada. Tomei a liberdade de comentar alguns fatos já conhecidos da trama, que não podem ser classificados como spoiler, ok?

Quando o ator foi anunciado como Gênio, ele foi severamente criticado, tanto por “assumir o manto” de Robin Williams, que nas imagens de divulgação não era azul (fato que é facilmente contestável, já que na própria animação ele também tem uma forma humana). De toda forma, ele tem momentos divertidos, o CGI ficou bem legal, e as interações com o Aladdin, tapete e Abu são bem-feitas. Apenas senti que poderia ter sido melhor.

Mena Massoud fez um ótimo trabalho como Aladdin, a Disney acertou em pegar um ator “não tão conhecido” para interpretar um dos personagens mais adorados pelos fãs. Ele entregou uma atuação consistente, em algumas horas afetada pela caracterização do personagem (em questão de figurino), mas nada que afetasse o andamento do filme.

Naomi Scott, intérprete da princesa Jasmine, é um espetáculo à parte. Ela traz uma versão muito mais humanizada da personagem, com um toque moderno, e tenho certeza que ela servirá como inspiração para a próxima geração. Jasmine também ganha um número musical próprio, intitulado “Speechless“, onde ela se mostra mega empoderada, encontrando a sua voz, lutando pelo que realmente acredita. Em outras palavras, ela tem o seu momento “princesa da Disney com a poça de água”, já conhecido de outras produções do estúdio.

Jasmine tem uma serva, Dalia, interpretada por Nasim Pedrad, e garante boas risadas durante o filme. Em entrevista, Naomi afirmou que acha muito importante a Jasmine ter uma amiga, e a relação entre as duas que é mostrada na tela, e que se ela existisse na animação, ela poderia ser uma personagem feminina primordial.

Ainda nos poucos pontos negativos do filme, precisamos falar sobre o Jafar. Interpretado por Marwan Kenzar, ele entrega uma versão morna e caricata de um dos vilões mais dramáticos de debochados da Disney. Ele não tem pose de vilão, não fala como um vilão, nem se quer passa a energia mais “sombria” de um vilão, foi retratado como conselheiro do sultão, cego pelo poder. Sim, não é muito diferente na animação, em termos de cargo/ambições do personagem, mas senti que foi totalmente descaracterizado, até o Iago, o papagaio falante do Jafar (que felizmente fala no filme), tem mais presença de cena do que ele.

Você disse música?

Friend Like Mee Príncipe Ali” seguiram quase à risca a animação, porém senti que faltou alguma coisa na segunda. O começo é meio lento, tudo muito colorido, sem necessidade, depois que a música engrena. Depois, o ritmo chega, e toda aquela estranheza passa, mas para um dos grandes momentos do filme, os vocais de Will pecaram um pouco aqui.

Speechless” tem um discurso direto e é um marco no desenvolvimento da Jasmine. A única coisa que me incomodou nesse número é que ele entra em um momento pesado, só que a música tem uma pegada pop, o que não combinou muito com a trama, atrapalhando um pouco o clímax da cena em questão (sem spoilers).

O momento mais esperado pelos fãs é realmente um dos pontos altos do filme, “Um mundo ideal” é um espetáculo, os vocais, a cenografia, a introdução para a cena do casal protagonista voando por Agrabah no tapete mágico, que cena linda, sério.

+ Trilha sonora de Aladdin já está disponível no Youtube e Spotify

Veredito final

A adaptação live-action de Aladdin é um marco nessa “nova era” da Disney. É um musical na medida certa, nostálgico, e tenho certeza que marcará uma geração, inspirando as pessoas a acreditarem nos seus sonhos e ambições, independentemente de sua etnia, ou classe social. Apesar de alguns pontos problemáticos, o filme funciona muito bem, e tenho certeza que agradará os fãs que, assim como eu, cresceram assistindo as animações da Disney.

Personagens
Enredo
Trilha Sonora
“Fan Service”
Efeitos Especiais
Aladdin
Jasmine (Princesa do Pop)
Nota dos Leitores:1 Vote4.75
4.5

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