Alguém Como Eu | Crítica 12
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Alguém Como Eu | Crítica

Em Alguém Como Eu, Helena (Paolla Oliveira) é uma publicitária linda, bem sucedida, com bons amigos e uma bela casa, mas com um vazio existencial por suas expectativas no amor não serem atendidas. A história é iniciada no Brasil (mais especificamente, Rio de Janeiro), mas o cenário muda quando a publicitária recebe uma proposta para trabalhar em Portugal. 

Pouco tempo depois de se instalar na nova residência, ela conhece o advogado Alex (Ricardo Pereira) que aceita fingir ter um relacionamento com a moça só para salvá-la da cobrança dos amigos. Com o tempo, o que era fingimento torna-se realidade e envolvimento amoroso evolui. 

Com meses de convivência, Helena percebe que o convívio com Alex deixou tudo tedioso e as coisas que ela não ligava no início tornam-se grandes incômodos. Como uma medida desesperada, ela pede a Deus que o namorado seja alguém como ela. Surpreendentemente, o pedido é atendido (ou quase) e ela passa a imaginar Alex como uma mulher (Sara Prata).

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Esse é um projeto muito antigo do diretor Leonel Vilela e com ele há a ambição de criar um laço entre Brasil e Portugal. O país europeu já consome as novelas brasileiras a aproximadamente 40 anos, assim, os portugueses têm uma consciência muito forte sobre a cultura brasileira. Porém, o contrário não acontece ainda.

Essa ambição de unir os países vem de uma noção de que o português é a quarta língua mais falada no mundo e tem potencial para crescer. Mas não adianta os países serem fortes na parte linguística sem “ter conteúdo falado em português que viaje”, segundo Vilela em coletiva. 

Apesar do Brasil adorar comédias românticas, o roteiro de Pedro Varela passa longe do jeitinho brasileiro de fazer rir e emocionar. Esse, provavelmente, é o quesito mais crítico em todo o longa. Com problemas de ritmo, ele começa com uma proposta, parte para uma fantasia a la Se Eu Fosse Você, o que faz perder toda a ideia central da trama,  e finaliza de forma previsível e clichê.

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A atuação de Paolla Oliveira, infelizmente, não cria nenhuma empatia entre sua personagem e o público. A construção dessa personagem perde-se conforme o longa avança, não transparecendo uma interpretação consciente. 

Além disso, até pela parte fantasiosa e mal explicada do roteiro, a protagonista representa todas as crítica na uma construção de personagens femininas. Ela é mimada, associa felicidade ao relacionamento, é associada como louca (termo muito utilizado por falar machistas). Ou seja, é um desserviço em um cinema que propõe entender as mulheres brasileiras.

O parceiro de cena de Oliveira, Ricardo Pereira, teve alguns momentos de destaques nas cenas mais emocionantes, mas nada realmente notável. O irônico de tudo isso é que quem brilhou foi Júlia Rabello no papel de , amiga de Helena. Seu tempo de tela foi curto, mas foram os únicos momentos em que o humor foi efetivo.

A fotografia de Alguém Como Você trabalha muito bem ao mostrar o público lindas paisagens em ambos os países em que a história é ambientada, assim, acaba funcionando como um elemento importantíssimo na criação do elo entre Brasil e Portugal. A trilha sonora foi escolhida a dedo e, segundo o diretor Leonel Vieira, “elas criaram um equilíbrio entre as imagens”.

Foi corajoso por parte de Vieira arriscar sua visão sobre algo que satisfaria esses “países irmãos”, mas a falta de originalidade e uma protagonista fraca fará com que Alguém Como Eu passe batido pelas salas brasileiras.

 

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Viviane Oliveira
Tecnóloga em Projetos Mecânicos desde 2017, estudante de Jornalismo, cosplayer, cosmaker, redatora freelancer desde 2016, amante da Mulher Maravilha e de Star Wars.

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