Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald | Crítica

Em Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald reencontramos Newt Scamander (Eddie Redmayne) na difícil missão de conseguir permissão do Ministério da Magia de Londres para deixar o país. A possibilidade torna-se viável, mas, para atingi-la, Scamander deve assumir o posto de auror para caçar e eliminar Credence (Ezra Miller). Por discordar do ministério, ele abre mão da sua liberdade de viajar e mantém-se ao lado das criaturas que tanto ama.

Pouco tempo depois, ele recebe a visita de Queenie Goldstein (Alison Sudol) e Jacob Kowalski (Dan Fogler). Para sua surpresa, Tina Goldstein (Katherine Waterston) não veio com o grupo, pois está a procura de Credence em Paris.



Paralelo a essa trama, temos o terrível bruxo das trevas Gellert Grindelwald (Johnny Depp), que escapou da custódia da MACUSA (Congresso Mágico dos EUA) e reúne seguidores, dividindo o mundo entre seres de magos sangue puro e seres não-mágicos. Ciente da gravidade da situação, o antigo professor de Scamander em Hogwarts, Alvo Dumbledore (Jude Law), pede que ele desafie o ministério e enfrente Grindelwald.

Adaptações sempre sofrem críticas, mesmo as mais fiéis. Entretanto, com Animais Fantásticos, J.K. Rowling não precisa se preocupar com elas por ser uma sequência original, criada diretamente para o cinema. Isso é algo significativo para esse universo pois abre a possibilidade de surpreender o público que não tem mais um livro como base.

Contudo, apesar do talento de Rowling para literatura, ela ainda tropeça na criação de roteiros. O longa apresenta problema de ritmo, diálogos cansativos e encaixados em momentos errados, sub-tramas em excesso e pontas soltas que podem afetar a linha do tempo na história que já conhecemos. Para o terceiro filme, é muito importante que a autora entenda, assim como o público, que mídias diferentes pedem por linguagens diferentes.

Sobre os personagens, é desanimador como a equipe que conhecemos no filme anterior pareceu apagada nessa fase da história. O maior destaque vai, mais uma vez, para Eddie Redmayne que é encantador em toda a peculiaridade de ser personagem. Dan Fogler traz bons momentos cômicos para aliviar toda a tensão do filme, mas não consegue ir muito além. Katherine Waterston perdeu toda a força que tínhamos visto no longa anterior, o que é lamentável. Ezra Miller é uma força incontrolável da natureza, mas o mesmo não pode ser dito sobre seu personagem que mal aparece, apesar de ter a melhor sub-trama. A maior surpresa vem com Alison Sudol, já que sua personagem ganha uma carga mais dramática e complexa.

Falando sobre os estreantes na franquia, Jude Law construiu um Dumbledore muito semelhante ao de Michael Gambon, o que é importantíssimo para que exista uma ponte entre as histórias. A abordagem da relação do personagem com Grindelwald foi relativamente tímida, mas deve ganhar um espaço maior nos próximos três longas. Johnny Depp, apesar de grande vilão, teve pouco tempo em tela e não pode deixar claro a magnitude do personagem. Zoë Kravitz teve grande peso, principalmente porque a família Lestrange já é uma velha conhecida do público, e soube aproveitar essa atenção.

O grande acerto em toda narrativa é o tom político assumido. Grindelwald é um personagem muito persuasivo e talentoso com as palavras, duas características importantíssimas e, em alguns casos, perigosíssimas. Diferente do nosso odiado/amado Voldemort, ele sabe que um discurso bem formulado pode ser muito mais eficaz que atitudes extremas e violentas. Isso lembra algum líder político da nossa história?

A fotografia e os efeitos especiais de Animais Fantásticos são um deleite para os olhos de qualquer um, tanto nas paisagens quanto na apresentação de novas criaturas. Já avisamos: controle o coração quando retornar a Hogwarts. No entanto, as locações na França não têm o mesmo impacto e nem são tão memoráveis quanto as que conhecemos nos EUA.

Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald é claramente um filme de transição, com muitas dúvidas e poucas respostas. O grande problema é que surge a questão sobre como Rowling conseguirá segurar mais três filmes sem depender do fan service apelativo. Afinal, o desfecho do longa pode ter chocado, mas exigirá uma grande habilidade para ser justificado a altura. 

Personagens
Enredo
Trilha Sonora
Efeitos Especiais
Fotografia
Nota dos Leitores:4 Votes3.5
3.7




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