Bumblebee | Crítica

A franquia apresentada por Michael Bay é respeitada, mas ganha uma outra linguagem no filme solo do Autobot mais amado.

Bumblebee é um spin-off da franquia Transformers, ambientado na década de 1980, que acompanha a chegada do Autobot mais amado em nosso planeta. Instruído por Optimus Prime (dublagem de Peter Cullen), Bumblebee vem a Terra para instalar uma base para a rebelião, mas logo é encontrado por um Decepticon que o deixa gravemente ferido.

Sem condições de sobrevivência, o extraterrestre permanece refugiado num ferro-velho como um fusca amarelo aos pedaços, até ser encontrado e consertado pela jovem Charlie (Hailee Steinfeld), às vésperas de completar 18 anos. A partir daí ele ganha a vida e desenvolve uma amizade com a garota, mas sem lembrar quem era e por que está em nosso planeta.




O roteiro de Christina Hodson é relativamente simples e traz repetições, mas tem um impacto absurdo em uma franquia que tem recebido inúmeras críticas ao longo dos anos. Em sua simplicidade, Hodson aproveita muito bem influências oitentistas adaptando-as para o público atual. Assim, ela conquista não só os jovens de 2018, mas também aqueles que foram marcados por filmes como E.T., Clube dos Cinco e Curtindo a Vida Adoidado.

Além disso, esse longa tem uma carga emocional muito maior que os filmes anteriores. Obviamente, os confrontos entre Autobots e Decepticons são extremamente interessantes, mas esse roteiro focou muito mais nas relações humanas, principalmente nas dificuldades da adolescência. Ou seja, isso abre uma porta muito maior para que haja uma identificação do público com a protagonista sem deixar os robôs de lado.

No elenco, Hailee Steinfeld conseguiu o que ninguém fez na franquia Transformers (perdão, Shia Labeouf). Na realidade, esse sempre foi um grande problema, mas só ficou escancarado com a atuação de Mark Wahlberg em Transformers: O último cavaleiro. Steinfeld, no entanto, foi uma feliz surpresa pois, consegue muito bem trabalhar as cenas dramáticas sem partir para o melodrama e, também, sabe aproveitar os momentos mais cômicos. Outro ponto positivo é como sua escalação tira o esteriótipo de ter apenas personagens masculinos a frente dos longas. 

Sobre John Cena, não há muito o que falar. Ele é o típico militar americano com expressões caricatas que estamos acostumados a ver nos filmes dos anos 1980. Basicamente, ele cumpre o seu papel dentro do longa, mas não se faz totalmente necessário. Ele poderia ser substituído por qualquer ator de grandes proporções físicas.

Falando um pouco sobre a direção de Travis Kinght, temos enormes mudanças. Primeiramente, apontaremos algumas coisas que incomodaram, como as conveniências no roteiro. Sabemos que é uma abordagem mais inocente, mas alguns detalhes atrapalham a imersão. Por exemplo, é frustrante ver os Autobots usando o inglês em Cybertron. Não estão brincando quando falam que é uma língua universal, não é mesmo?

Entretanto, apesar desses detalhes, o trabalho de Kinght precisa ser aplaudido. Recuperando cores e os designs dos Autobots e Decepticons inspirados na série animada de TV, o diretor tomou uma direção diferente da que estávamos acostumados com Michael Bay. A poluição visual e a câmera instável foram substituídas pela beleza e quadros mais estáveis. Claro, as explosões ainda estão lá, mas as cenas de luta estão muito melhores de serem observadas.

Chegou a hora de conversarmos um pouco sobre a parte técnica de Bumblebee. Na fotografia, perceberemos tons dourados, principalmente nas partes cômicas ou quando Charlie está tentando sobreviver aos dramas da adolescência. Falando sobre trilha sonora, ela se torna parte essencial do longa, principalmente porque o Autobot usa o rádio para se comunicar. Aí temos a oportunidade de ouvir os grandes sucessos da década de 1980.

Basicamente, esse spin-off considerou o público que temos atualmente. Ele respeitou todo o universo apresentado por Michael Bay, mas reformulou sua linguagem consciente de que não estamos mais em 2007. Percebemos uma preocupação muito maior com o roteiro e com elenco, dois pontos decisivos para recuperar a credibilidade dessas histórias. Sabendo disso, Bumblebee é, sem dúvida, o melhor filme da franquia Transformers.

Distribuidora: Paramount Pictures

Estreia: 25/12/2018

Personagens
Enredo
Trilha Sonora
Efeitos Especiais
Fotografia
Nota dos Leitores:1 Vote
4.2

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