Crítica | Hellboy: Um recomeço ousado (e natimorto) para a franquia!

O longa recomeça a franquia com o intuito de trazer mais fidelidade dos quadrinhos de Mike Mignola, porém o roteiro sofre com o excesso de arcos adaptados.

Ao ser invocado por um feiticeiro chamado Rasputin contratado pelo governo nazista, Hellboy (David Harbour) chega à Terra ainda criança, criado como um filho pelo professor Trevor Bruttenholm (Ian McShane), que estava no momento do ocorrido. Agora adulto, Hellboy enfrenta monstros de todo tipo como um aliado dos humanos, a serviço do BPRD (Bureau de Pesquisas e Defesa Paranormal). Quando a milenar feiticeira Nimue (Milla Jovovich) pretende retornar, podendo causar uma catástrofe mundial, Hellboy é convocado para impedir que isso aconteça.

Diferente dos antigos filmes de Ron Perlman, que possuíam um ar de aventura suavemente rodeado de lendas ocultistas, o novo longa tinha como intuito trazer algo muito mais próximo do material base de Mike Mignola e, em grande parte do filme isso é o seu êxito, mas também sua falha.


O filme adapta diversos arcos do personagem que, ao longo de praticamente duas horas e meia podem até agradar os fãs mais ávidos (mesmo não sendo profundamente desenvolvidos), entretanto para boa parte do público que não conhece o cânone do universo, será algo denso e cansativo. Assim como o tom do filme, que na maioria das vezes, fora de hora utiliza alívios cômicos que não se encaixam perfeitamente, tentando suavizar a identidade sem filtros e violenta que o filme trabalha.

O novo rosto da franquia (David Harbour), traz uma nova visão do Hellboy, menos sisudo* que o anterior e com inseguranças muito mais afloradas, sendo brevemente exploradas pelo roteiro, mas subutilizadas. Acompanhado de seu pai, agora interpretado por Ian McShane, com uma versão muito mais ríspida, ácida e menos paternal do Professor Bruttenholm, com uma dinâmica não tão ortodoxa m de pai e filho, mas que funciona para o contexto do filme.

Olhando os personagens secundários mais de perto, Alice Monaghan (Sasha Lane) e Ben Daimio (Daniel Dae Kim), mesmo estando dentro do círculo paranormal da história, tem como papel central enaltecer a humanidade de Hellboy, abrindo margem para questionar até que ponto a moralidade do anti-herói estará alinhada com a humanidade, questão que é muito familiar para os fãs do personagem.

Se no roteiro a situação parece um pouco caótica, na produção não podemos dizer o mesmo, pelo menos, não o mesmo tanto, a trilha sonora é composta por músicas mais pesadas como rock e, até mesmo “pop” (não em questão de gênero, mas de abrangência), vindo de encontro com uma tática familiar para o público, que vem consumindo filmes que utilizam do mesmo artifício, como Guardiões da Galáxia, Esquadrão Suicida e etc, infelizmente diferente dos filmes citados, o longa não consegue emplacar nenhuma música que grave na memória. O que não podemos dizer da identidade visual do filme, pois esse foi de longe o maior acerto, pelo fato do longa ser para maiores de dezoito anos, a produção teve carta branca para abraçar a categoria de filmes ‘trash/gore’ como inspiração, com criaturas menos fantásticas como na franquia anterior e, muito mais horripilantes, quase levando o longa a flertar com o terror em algumas cenas. Aliás, fazendo com que qualquer filme do Tarantino parecesse um filme de criança, com cenas extremamente violentas, tornando o visceral banho de sangue um aspecto marcante do remake.

A CGI do filme não se descaracteriza em momento algum, visualmente com forte influência no cinema trash/gore, o filme é repleto de criaturas horrendas que parecem misturar efeitos práticos e computação gráfica, tornando aquele mundo oculto muito mais real e tenebroso, fora as cenas de ação repleta de violência explícita, que vai agradar quem já estiver acostumado com filmes do nicho, ou causar desconforto para quem estiver vendo algo do tipo pela primeira vez.

A nova versão do ‘Hellboy‘ arrisca com uma roupagem mais fiel aos quadrinhos e, reclusa ao público adulto, que esbanja coragem na abordagem do universo, porém peca pelos excessos, em uma tentativa de se desvincular ao máximo de comparações com os filmes anteriores. Um recomeço único e cheio de potencial que, quase pode ser resumido por um ditado popular: “De boas intenções, o inferno está cheio”.

Personagens
Enredo
Trilha sonora
Efeitos especiais
Hellboy
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3

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