Mais uma vez o nome de Tonya Harding volta a mídia no longa Eu, Tonya, mas dessa vez o público conhecerá mais pontos de vistas que podem mudar como a ex-patinadora é vista. 

Tonya Maxene Harding (Margot Robbie) era um prodígio da patinação desde criança. Ganhou seu primeiro campeonato aos três anos de idade e, por isso, chamou a atenção da treinadora Diane Rawlinson (Julianne Nicholson). No entanto, em casa ela sofria com sua mãe LaVona (Allison Janney) que tinha uma conduta abusiva e severa. A verdade é que nada importava para a garota quando estava dentro do rinque pois ali ela era destemida, o que a fez ser a primeira patinadora americana a realizar um giro triplo no ar em 1991.

Aos dezesseis anos Tonya viu seu namorado Jeff Gillooly (Sebastian Stan) como uma oportunidade de sair de casa e ter sua liberdade. Mas em pouco tempo ela descobriu que esse era um relacionamento violento do qual ela sempre tentava escapar, mas voltava atrás. Esse talvez tenha sido seu maior erro pois nas seletivas para equipe americana nas Olimpíadas de Inverno de 1994, a patinadora  Nancy Kerrigan (Caitlin Carver) foi agredida por ordem de Gillooly, mas Harding também foi culpada e afastada da patinação.

Biografias e o grande perigo de romantizar seus protagonistas. Isso é comum em quase todas elas, mas não para o roteiro de Steven Rogers. O roteirista americano tinha na mão uma história muito polêmica e esquecida pelo público, então para contá-la ele entrevistou Harding e Gillooly, que tinham versões extremamente distintas sobre um mesmo fato. Ao invés de assumir uma verdade, Rogers propõe expor diferentes pontos de vista para que o público possa fazer sua análise pessoal e escolher o que lhe soa mais convincente. 

Com esse pensamento, o diretor Craig Gillespie preferiu iniciar sua narrativa como uma espécie de documentário em que cada um dos personagens pudesse  expor a sua verdade. Essa abordagem sarcástica e inusitada, aliada a quebra da quarta parede, faz com que esse drama provoque diferentes reações a cada personagem ou situação. Fica claro que o herói de um pode ser o vilão do outro e que colocar qualquer um deles no pedestal seria imprudente.

O que mais atrai sobre Tonya é o quanto ela era indesejada. A ideia de que ela seria a cara da patinação americana era algo abominável. Em um esporte tão refinado eram cultuadas as atletas delicadas e graciosas, mas Harding era como uma estrela do rock com suas músicas agitadas e figurinos feitos a mão. Essa aversão a ela faria com que muitos desistissem, mas isso só fez com que a garota sentisse sede pelo sucesso.

Os dois grandes nomes desse elenco são, sem dúvida Margot RobbieAllison Janney. Robbie teve em mãos uma personagem rica, complexa e destemida, o que lhe deu a oportunidade de ter o seu melhor papel na carreira. A atriz australiana também é responsável pela produção do longa, o que mostra seu potencial escondido por trás das câmeras. Sua atuação foi repleta de momentos tensos e emocionantes que lhe garantem boas chances na disputa por uma estatueta no Oscar.

Janney, conhecida por seus trabalhos na comédia, pode explorar seu lado mais sombrio e sarcástico na pele dessa mãe. Com um visual excêntrico,  o olhar imóvel e a relação violenta com a filha o público ficará confuso se há amor por parte dessa mulher que poderia entrar na lista de piores mães do mundo. Com a conquista de Melhor Atriz Coadjuvante no Critcs’ Choice Awards , SAG Awards e Golden Globe Awards o prêmio na grande noite do cinema é quase certo.

A trilha sonora entra como um novo personagem nesse longa. Cada uma das músicas da década de 1980 foi escolhida para que se encaixasse perfeitamente no contexto, desde sua letra até seu ritmo. Os figurinos de Jennifer Johnson não só ambientam a história, como fazem jus aos vídeos de Tonya em seus treinos e competições. Para completar a parte técnica, temos os efeitos bem empregados que foram necessários nas manobras de patinação pois Robbie  não conseguiria realizar por conta de sua complexidade exigida.

Para concluir, falemos sobre heróis: sabe aquela idealização de símbolo americano? Finalmente um longa onde isso cai por terra. Todos sabem, mas a protagonista faz questão de lembrar que os Estados Unidos querem alguém para amar, mas também para odiar. Com personagens reais, uma direção consciente e um toque de peculiaridade conhecemos a verdade de Tonya. Agora, qual é a sua?

Distribuidora: California Filmes

Data de estreia: 15/02/2018


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Personagens95
Enredo85
Trilha Sonora100
Caracterização95
Efeitos Especiais85
Nota dos Leitores:2 Votes50
92

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