A Forma da Água é ambientada em meio aos grandes conflitos políticos e transformações sociais dos Estados Unidos durante a Guerra Fria. Elisa (Sally Hawkins), uma zeladora que trabalha em um laboratório experimental, se afeiçoa a uma criatura fantástica mantida presa e maltratada pelo coronel Richard Strickland (Michael Shannon). A fim de resgatá-lo, ela recorre ao melhor amigo Giles (Richard Jenkins) e à colega de trabalho Zelda (Octavia Spencer).

Todos os dias o cinema recebe histórias de amor, mesmo aquelas que envolvem monstros. Então, como inovar? Bom, o roteiro de Guillermo del Toro e Vanessa Taylor atinge esse objetivo e vai além ao explorar o sofrimento daqueles que se mantém calados, mesmo que possuam a habilidade da fala.

Além disso, del Toro não abre mão de sua peculiaridade ao contar uma história de amor. Prepare-se para presença de tabus sexuais, violência, muito sangue e humanos que mais parecem monstros.

A direção de arte do longa faz o uso de tons azulados e frios para compor locações obscuras e melancólicas,  mas, ainda assim, atrativas. A trilha sonora de Alexandre Desplat, no entanto, carrega um tom de leveza inspirador (incluindo a participação de Carmen Miranda) essencial para Elisa e Giles enfrentarem suas rotinas.

Hawkins entrega-se de corpo e alma para esse papel. Com o uso apenas da linguagem de sinais, ela explora a essência da atuação em seu máximo, o que fará o público rir e se emocionar. 

Jenkins dá vida a um homem frustrado com o rumo que a vida tomou, mas vê a amizade e os musicais como uma âncora. Fiel companheiro da personagem de Hawkins, ele lhe dá suporte emocional e recebe o mesmo. 

Spencer sempre conquista o público com seu humor em todos os filmes que participa e esse é o maior problema. Não me entenda mal, é maravilhoso poder rir com seu sarcasmo e divertidas observações, mas é frustrante ver uma atriz tão talentosa apenas como alívio cômico. 

Shannon traduz em tela como a monstruosidade não é algo restrito à aparência. Ele é uma versão mais obcecada e doentia de personagens de animações como Gaston (A Bela e a Fera) e Encantado (Shrek). Suas cenas são repletas de diálogos tensos com o termo “homem de bem” e comparações bíblicas, uma crítica de del Toro àqueles que usam preceitos religiosos para justificarem sua “normalidade”.

Em A Forma da Água cada personagem vê na criatura uma parte de si, seja ela boa ou ruim, enquanto ela mostra uma humanidade inesperada. Guillermo del Toro traz, com toda sua singularidade, a oportunidade de cada um olhar para seu reflexo na água sem restrições e sem medo de que forma ela tomará. 


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Personagens96
Enredo80
Trilha Sonora90
Fotografia95
Nota dos Leitores:3 Votes6
90

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