Frozen 2 | Crítica

Frozen 2 é um filme sobre autoconhecimento, descobertas, jornada do herói e o amor entre irmãs, que supera qualquer clichê de “amor verdadeiro” dependente de um príncipe que tanto forçaram nos filmes antigos da Walt Disney.

Essa crítica não tem spoilers da trama de Frozen 2 (tirando o que foi liberado/mostrado nos trailers)




A sequência começa com um flashback da infância de Elsa e Anna, no qual as duas garotas descobrem uma história do pai de quando ainda era príncipe de Arendelle.

Ele conta às meninas a história de uma visita à floresta dos elementos, onde um acontecimento inesperado teria provocado a separação dos habitantes da cidade com os quatro elementos fundamentais: ar, fogo, terra e água. Depois disso, o filme começa a ganhar um tom mais maduro, com “Into the Unknown” como um grande chamado da natureza que atrai a protagonista Elsa, que desde os trailers já parecia ter relação direta com seus poderes.

O tom mais “adulto” do filme faz alusão ao conto da os clássicos escritos de Hans Christian Andersen (cuja obra ‘A Rainha de Gelo’ inspirou a franquia) e permeia boa parte da jornada da Elsa para compreender a origem de seus poderes.

A introdução da rainha Iduna (Evan Rachel Wood) e do Rei Agnarr (Alfred Molina) foi um dos pontos altos do filme, expandindo a trama de Frozen, que basicamente se resumia em Arendelle, com conflitos do passado e pontos fundamentais para a trama do segundo filme, incluindo os habitantes da floresta encantada, uma tribo chamada Northuldra que tem uma ligação intrínseca com os quatro elementos da floresta.

Elsa (Idina Menzel) continua em primeiro plano, afinal, boa parte da trama do filme se trata da jornada da personagem descobrindo as origens dos poderes dela. Depois dos acontecimentos do primeiro filme, ela está mais apta a aceitar ajuda em sua jornada. A personagem tem dois solos, com “Into the Unknown” e minha favorita do filme inteiro “Show Yourself” (Vem Mostrar, em português). Os figurinos da Elsa também se destacam e isso acontece graças ao fato de a linha de vestido das princesas ter sido líder de vendas, pelo menos depois do lançamento de Frozen em 2013.

Anna (Kristen Bell) também ganhou mais destaque e, finalmente saiu, da “sombra da irmã”. Os diálogos entre as duas são facilmente relacionáveis com o público e a personagem também tem figurinos maravilhosos, além de um solo que poderia ser melhor(?).Poderia …. mas já é melhor do que a atenção que ela recebeu no primeiro filme.

Kristoff (Jonathan Groff) tem seus momentos, mas a escolha dos diretores (principalmente falando em trilha sonora) não favorecem o personagem. Olaf (Josh Gad) continua sendo o grande alívio cômico do filme, mas divide seus momentos de comédia com Kristoff (Jonathan Groff) e da rena Sven. Os três personagens tem seus momentos musicais no filme, com destaque para os Olaf, que rouba a cena em “When I Am Older”, e em algumas cenas que lembram bastante um certo personagem de “Homem Formiga”. Bruni, a salamandra fofinha, claramente está lá apenas para vender brinquedo, e se esse era o plano da Disney, conseguiu, já tem o meu dinheiro.

A interação dos personagens principais com a tribo de Northuldra recorda fatos famosos da história americana (não de uma forma boa), se é que me entendem. A interação com os elementos da floresta e a forma que os diretores os usaram na história, com respeito ao povo nativo, também é impressiona.

Em termos de trilha sonora, o filme se assemelha bastante a elementos de musicais da Broadway, com pontos altos e alguns baixos (e fora de prumo), como a música solo do  Kristoff e “Into the Unknown” que é boa, mas a versão do Panic! at the Disco, presente nos trailers, é mais impactante que a própria versão escolhida para um dos solos de Idina Menzel.

A versão dublada do filme segue a qualidade esperada do primeiro filme, de acordo com os padrões da Disney. “Into the Unknown” virou “Minha Intuição”, que não funcionou muito bem, mas a versão em inglês também não ajuda muito, apesar da Disney estar escalando a música para grandes premiações. “Show Yourself” (Vem Mostrar, em português) tinha muito mais potencial de levar um prêmio para casa, mas é compreensível a escolha por “Into the Unknown”, devido ao seu apelo comercial.

Frozen 2 é uma continuação que respeita o material original, se tornando mais um sucesso da Disney, que deve seguir por anos para um possível Frozen 3 (mesmo os diretores falando que não querem fazer, mas quando o cheque da Disney cair na conta, tenho certeza que mudarão de ideia), nas mãos talentosas da dupla de diretores Chris Buck e Jennifer Lee.

O filme conseguiu trazer uma sequência digna, que vai agradar boa parte do público e claramente existem várias mensagens no filme, que serão interpretas de diferentes formas, dependendo do público, seja infantil, adolescente ou adulto. Frozen 2 vale a experiência, e fiquem para a cena pós-créditos, que vale super a pena.

Personagens
Roteiro
Trilha Sonora
Efeitos Especiais
Nota dos Leitores:1 Vote
4

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