Hebe: A Estrela do Brasil | Crítica

Seguindo a leva de biografias que tem sido lançadas nas telonas, como ‘Rocketman (Biografia de Elton John) e ‘Bohemian Rhapsody’ (Biografia de Freddie Mercury), o cinema nacional não fica para trás e, com isso, ‘Hebe – A Estrela do Brasil’ protagonizado por Andréa Beltrão (A Grande Família, Entre Tapas e Beijos), escrito por Carolina Kotscho e dirigido por Maurício Farias. O longa retrata a batalha da comunicadora contra a censura do governo nos anos 80, que até então não existia mais, porém, a fez deixar a emissora Bandeirantes e ir para o SBT, e o filme explora intimamente esse período de sua carreira.




Ambientado em meados dos anos 80, após o fim da ditadura militar, ainda existiam resquícios da censura que não permitiam a veiculação de “certos assuntos” (Basicamente pautas progressistas) em redes de transmissão de massa. Tendo isso em mente, é aí que o longa abre sua porta, com Hebe enfrentando fantasmas de governos autoritários que, ainda perseguiam seu programa e, sua linguagem ‘sem filtros’ para falar da sociedade e de grupos que tinham a sua liberdade de expressão cerceada por aqueles que estavam no poder. Como os LGBTQI+, mulheres, cidadãos desempregados em situação de miséria ou simplesmente aqueles que, estavam cansados da corrupção do governo. O filme constrói sua importância e sua atualidade apresentando Hebe como uma grande porta voz dos direitos desses grupos, mesmo não sendo necessariamente afetada pelos preconceitos. Traçando um curioso paralelo com os tempos atuais, com termos como “pink money” em alta, onde muitas figuras públicas se colocam a frente de pautas voltadas para grupos minoritários, em busca de atenção ou público diverso, enquanto Hebe já fazia isso antes mesmo de ser algo publicitariamente lucrativo.

Dando foco justamente nesse ponto, o longa evidencia as consequências que a comunicadora enfrentou ao se posicionar, seja profissionalmente ou socialmente falando, sendo processada por políticos, ameaçada a ter não só seu programa, mas toda a emissora fora do ar por 30 dias. E se nos holofotes Hebe era imparável e dona de sua própria voz, nos bastidores o longa mostra a mulher cansada de viver nesse ciclo diário, tendo em seu núcleo pessoal seu segundo marido Lélio (Marco Ricca) que, nutria uma relação caótica por conta de seus posicionamentos conservadores, diferente de seu filho Marcello  (Caio Horowicz), fruto de seu primeiro casamento,  o filme deixa em aberto sua orientação sexual, mas mostra que até mesmo Hebe negava o fato de seu filho poder ser homossexual, tendo em vista o ‘boom’ da AIDS na época, levando a própria comunicadora a levar essa questão para seu programa, visto que as autoridades da época não realizavam nenhum tipo de política pública sobre.

Sem caricaturas e exageros, o longa traz diversas figuras que foram importantes para Hebe nesse período, como Roberta Close (Renata Bastos), Dercy Gonçalves (Stella Miranda), Silvio Santos (Daniel Boa Ventura), Chacrinha (Otávio Augusto), Roberto Carlos (Felipe Rocha), entre outros. E é válido falar de Andréa Beltrão em especial, que enfrenta o desafio de não só entregar o papel de uma grande mulher que existiu, mas de fazer essa entrega de forma convicta e única, passando longe de ser uma mera imitação de trejeitos em cena.

A biografia deixa a desejar no desenvolvimento de alguns personagens ligados a protagonista e, na apuração real dos fatos mostrados, mas realça o charme e carisma da apresentadora mais querida do Brasil, que contribuiu para o entretenimento e seu papel na sociedade. Sendo completamente assertivo nos fatos da vida da comunicadora ou não,“Hebe – Estrela do Brasil” reforça um discurso extremamente atual, não é uma questão ideológica defender a liberdade de expressão de todos, é uma questão de caráter e, independente de seus erros, isso Hebe tinha de sobra.

Hebe: A Estrela do Brasil | Crítica
Personagens
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