Luta Por Justiça | CRÍTICA

Bryan Stevenson é um advogado recém-formado em Harvard que abre mão de uma carreira próspera em grandes escritórios para se mudar para o Alabama e, se dedicar a prisioneiros condenados à morte que jamais receberam assistência legal. Chegando lá, Bryan se depara com o caso de Walter McMillian (Jamie Foxx), um homem negro incriminado em um assassinato, mas que nunca teve uma defesa justa por conta do racismo na região.

Fora do recorte do filme apenas em 2019, 154 homens e mulheres foram declarados inocentes estando no corredor da morte em 26 estados, de acordo com o DPIC (Death Penalty Information Center). A Flórida, com 25, é o estado que mais pronunciou condenações equivocadas, à frente de Illinois (20) e Texas (13). E, em meio a este cenário problemático que o longa baseado no best-seller “Just Mercy: A Story of Justice and Redemption” se estabelece. Com a direção do novato Destin Cretton (Short Term 12, O Castelo de Vidro) que possui, pouco mais de 4 anos como diretor e, estrelado por Michael B. Jordan, Jamie Foxx, Brie Larson e Rafe Spall, que movimentam a trama do início ao fim.



Originalmente lançado em setembro do ano passado nos EUA, o filme ganhou apoio popular para ser reconhecido nas mais diversas premiações da temporada anterior, entretanto, o filme apenas foi indicado pela ‘National Association for the Advancement of Colored People’ (Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor), fora outros prêmios menores ou indicações individuais como melhor ator coadjuvante (No caso de Foxx). Inflamando ainda mais a pauta sobre o reconhecimento de profissionais negros no cinema norte-americano, e a discussão não se faz à toa. Se passando no final da década de 80 e início dos anos 90, o roteiro de Cretton e Andrew Lanham, seu parceiro de outros projetos, se mantém atual pela forma que representa o preconceito enraizado no sul dos Estados Unidos. Indo desde percepções óbvias como a força desmedida utilizada pelos policiais, ou até mesmo as complicações burocráticas com pessoas negras. Ressaltando o racismo institucional promovido pela justiça norte-americana, e aqueles que a compõe.

O pequeno “Davi” nesse embate de gigantes é Bryan Stevenson, que diferente de outros “super” personagens interpretados por Michael B. Jordan, mas não menos poderoso (Fruitvale Station, Creed, Pantera Negra), é um jovem convicto a mudar o mundo seguindo sua ideologia de lutar por aqueles que não tiveram sequer uma chance. Através de seu pequeno escritório chamado “IJI” (Iniciativa pela Justiça Igualitária), também fundado por Eva Ansley, interpretada por Brie Larson (Capitão Marvel, O Quarto de Jack), que traz toda a euforia de uma jovem com espírito revolucionário que compartilha da mesma visão de Stevenson, ainda mais por querer um mundo melhor para sua família. E a partir dessa dupla, é perceptível que a maior problemática do filme está em explorar/desenvolver seus personagens e suas respectivas motivações, apresentando indivíduos com poucas camadas e praticamente infalíveis, principalmente no personagem de Larson. Dificultando a conexão com o público que busca se relacionar com personagens reais, que em diversos momentos precisam explicar porque estão ali, quebrando uma velha regra do cinema: “Sempre que possível mostre e não fale”.

Situação que não pode ser atribuída ao trabalho de Jamie Foxx, interpretando Walter McMillian, acusado pelo assassinato de Ronda Morrison em uma prisão claramente manipulada pelas autoridades locais. É notória a forma como Foxx consegue representar toda a desesperança e mágoa reprimida de um homem inocente que, não podia mais contar com a eficiência do sistema e mesmo assim, sem deixar que isso corrompesse a pessoa que ele era antes de ser colocado injustamente no corredor da morte.

A carga dramática do filme acaba sendo colocada nos ombros de Foxx, que entrega diversos monólogos em um show de atuação. Que são, muito bem destacados pela fotografia do filme, através de “close-ups”, colocando todo o foco e atenção nas mais minuciosas expressões faciais, contribuindo de forma efetiva para que a cena se torne emocionante.

Já do outro lado da balança ideológica, o chefe de polícia e promotor público interpretados, respectivamente, por Michael Harding e Rafe Spall, trazem uma versão multifacetada que hora é cínica, hora cruel. Mas que, infelizmente, condizem com a realidade dos agentes que permeiam a desigualdade no sistema, seja impondo tais absurdos ou pela conivência que na prática é tão prejudicial quanto.

Por mais que o potencial máximo do filme não tenha sido alcançado, o saldo é positivo com uma trilha sonora majoritariamente composta por corais de igreja que complementam o tom de esperança que o filme busca propagar.

Consagrando um dos melhores trabalhos da carreira de Jamie Foxx, e a importância de Michael B. Jordan para essa geração no papel de um herói da vida real. “Luta por Justiça” envolve o público pela clássica luta do “Bem vs Mal”, através de uma produção poderosa que reforça uma mensagem em meio a tempos turvos: “O maior inimigo da justiça é a desesperança”.

Luta Por Justiça | CRÍTICA
3.5

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