O ódio que você semeia | Crítica 16
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O ódio que você semeia | Crítica

O ódio que você semeia é baseado no livro homônimo escrito pela ex-rapper Angie Thomas. No longa, conhecemos Starr Carter (Amandla Stenberg), uma adolescente negra de dezesseis anos que vive entre duas realidades: o gueto fictício de “Garden Heights” e a escola elitizada que os pais a matricularam. Em cada um desses mundos, ela assume uma personalidade e insiste para que os dois não se misturem.

Seu plano de separação ia muito bem até o dia em que reencontrou seu amigo de infância Khalil (Algee Smith) em uma festa em seu bairro. Após uma confusão, o garoto decide levar a amiga em segurança pra casa, mas seu carro é parado pela polícia. Durante a abordagem, o policial acredita que Khalil possui uma arma e atira. Entretanto, o jovem segurava um pente de cabelo nas mãos.

A partir daí, a vida de Starr muda. Ela precisa decidir se testemunhará contra o assassino, mesmo sabendo dos perigos oferecidos pela situação. Afinal, ela não só acabará com a harmonia entre seus dois mundos, mas também enfrentará a possibilidade da impunidade judicial.

A cena inicial do longa já anuncia que veremos algo diferente: um pai, sentado com seus filhos, dá instruções sobre como agir para evitar qualquer confronto com a polícia apenas por serem negros. Estamos acostumados em vermos filmes teen abordando relações amorosas, mas O ódio que você semeia é muito mais ambicioso e traz assuntos extremamente maduros para que os jovens discutam. A melhor parte é que o enredo consegue fazer isso de uma forma inteligente e cativante.

A única crítica, em relação ao roteiro, vai para a conclusão da trama. Depois de uma surra de realidade e tensão, o desfecho pareceu muito lúdico e fora da proposta feita no decorrer do longa. 

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Agora, falaremos da verdadeira estrela desse longa. Hollywood, por favor, preste atenção em Amandla Stenberg. Para quem não lembra, a atriz nos fez chorar pela primeira vez em 2012 como Rue em Jogos Vorazes. Mais uma vez ela arranca lágrimas com um talento incrível e natural para cenas dramáticas. Além da indiscutível capacidade, Stenberg também foi a escolha perfeita para o papel por ser é ativista feminista e militante do movimento negro. Assim, ela traz uma bagagem para que sua personagem tenha um background mais estruturado.

Sobre os personagens, podemos apontar dois pontos fracos. Primeiramente, temos a relação da protagonista com seu par romântico. Tristemente, a química entre Stenberg e K.J. Apa deixou a desejar. Depois, temos Anthony Mackie com uma interpretação levemente caricata de um líder de gangue.

A fotografia de Mihai Malaimare Jr. não é nem um pouco sutil. Ela conversa com a trajetória da protagonista trazendo tons frios para a vida dentro dos muros da escola, com um caráter intimidador e triste, e tons quentes para as locações em Garden Heights, dando uma sensação de conforto. É como se as cores refletissem o interior das personalidades que Starr adota para as diferentes situações. A trilha sonora de entra como um elemento importantíssimo, principalmente com 2Pac e suas letras atemporais sobre a realidade dos negros. 

Por fim, o diretor George Tillman Jr. conduziu uma história delicada com toda a sensibilidade que o assunto requer. Infelizmente, O ódio que você semeia é totalmente aplicável atualmente e, por mais que possa soar piegas, a única forma de mudar isso é assumindo que todos temos a responsabilidade de amar a vida e o próximo.

Distribuidora: Fox Film do Brasil

Estreia: 06/12/2018

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Viviane Oliveira
Tecnóloga em Projetos Mecânicos desde 2017, estudante de Jornalismo, cosplayer, cosmaker, redatora freelancer desde 2016, amante da Mulher Maravilha e de Star Wars.

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