O Rei Leão | Crítica 10
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O Rei Leão | Crítica

Surfando na onda de adaptações live-action, a Disney resolveu adaptar uma de suas maiores produções (e também uma das mais lucrativas) com um visual mais moderno. Assim, por meio de técnicas de CGI, essa nova versão de O Rei Leão” é visualmente deslumbrante.

Seguindo os moldes de Mogli: O Menino Lobo, lançado em 2016, a Disney não quis arriscar e seguiu quase que totalmente fiel a animação. É possível conferir todas as cenas, músicas icônicas e momentos que marcaram a infância de muitos, inclusive a minha.

O Rei Leão | Crítica 11

Cresci assistindo O Rei Leão, por isso, realmente estava com as expectativas nas alturas para esse filme que, não é ruim, longe disso, mas não chega nem perto do original. Jon Favreau resolveu optar por uma direção mais real, dando um tom mais palpável ao filme. Dessa forma, apesar de ter animais falantes, é notável a diferença entre o tom da animação, que era mais colorida e “infantil”, para o dessa adaptação live-action, que é mais adulto, frio e sombrio. Essa alteração que não chega a atrapalhar o desenvolvimento da trama, mas causa certo estranhamento em alguns momentos, como nos diálogos essencialmente humanos saindo da boca de um suricate.

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O longa é quase como um grande documentário do National Geographic. Inclusive, a construção das cenas, movimentação dos animais e os planos mais abertos remetem aos famosos documentários da vida selvagem. Isto é, tudo é muito bonito, mas falta essência.

Uma das diferenças na comparação animação x live-action está no momento em que Rafiki descobre que Simba está vivo. No desenho, vemos o macaco ser “agraciado” com uma visão, que chegou através do vento. No entanto, no live-action, essa cena se tornou um grande momento que representa o grande ciclo da vida, com vários animais em diferentes ambientes e situações, vivendo suas vidas na savana/floresta, e levando um pedaço do pelo da juba do Simba até que ela fosse de encontro ao macaco. Em outro momento, temos um diálogo entre Mufasa e Scar, o que dá  mais profundidade à rivalidade entre os dois irmãos e à morte de Mufasa, que também apresenta alguns detalhes diferentes, o que tira um pouco da emoção do filme.

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A Rainha Sarabi e Nala também ganham mais destaque nesse filme. Suas falas são prolongadas, dando maior empoderamento (mesmo que felino) para a história. Contudo, quem realmente roubou a cena foram os inseparáveis Timão e Pumba.

O Javali e o Suricate que salvam Simba da morte no deserto são as grandes estrelas do filme. Os números musicais estão lá, com a inesquecível Hakuna Matata, as piadinhas (algumas atualizadas) e também a música “The Lion Sleeps Tonight”, que ganha um reforço dos amigos da floresta em forma de coro, trazendo um frescor para esse clássico.

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Rodado inteiramente em realidade virtual (apenas uma cena foi filmada), o longa permitiu ao diretor e sua equipe tomarem decisões que eram imediatamente visualizadas. Em entrevista, Jon Favreau disse que se ele não gostasse da sombra projetada por Simba, ele simplesmente mudava a posição do Sol para dispor da luz necessária.

“Se não gostasse do jeito que uma árvore estivesse na cena, Jon podia pegá-la com a mão (utilizando o controle de realidade virtual) e a mudava de lugar Era possível controlar também a posição da câmera, a velocidade do close e o corte que teria. É como brincar de Deus, pois você controla literalmente tudo.”

Esse tom ultrarrealista é visualmente deslumbrante, mas peca na parte de expressões faciais dos animais, coisa que era marca registrada da animação – principalmente falando de Timão e Pumba em Hakuna Matata. Entendi o tom de realismo/mais adulto que quiseram aplicar aqui, mas tirou um pouco do brilho de momentos clássicos.

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Falando em trilha sonora, não posso deixar de destacar o dueto de Beyoncé e Donald Glover em “Can You Feel The Love Tonight”. Se você conhece o tom da cantora, vai notar que ela deu uma segurada para não ofuscar seu parceiro no dueto. A cena de abertura com “O Ciclo sem fim” está impecável, é emocionante, nostálgica, 100% fiel ao original, arrisco dizer que é um dos melhores momentos do filme inteiro (falando do live-action, no caso). “Se preparem”, o solo do Scar, foi cortado pela metade, começando com um diálogo que na animação já era música, e quando você menos espera, a música acaba. Fiquei realmente incomodado nessa parte, mas entendo a abordagem, já que ver hienas marchando não seria tão realista, pelo menos ele termina em uma pedra elevada no final da “música”, se é que podemos chamar aquilo de música… Enfim.

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Saudades do Scar da animação…

Beyoncé, que dubla a Nala no filme, ganhou uma música feita especialmente para ela, chamada “Spirit”, que concorrerá nas grandes premiações. Inclusive, o produtor de “O Rei Leão” disse que música seria maior que “O Ciclo da Vida”, mas não chega nem aos pés da música principal do filme.

Falando em premiações, será incrível ver o Elton John concorrendo contra ele mesmo na categoria de melhor canção original. Afinal, ele é apontado como um dos favoritos ao Oscar por “Never Too Late”, música inédita que foi inserida na nova versão de “O Rei Leão”. Além de O Rei Leão, Elton também deve concorrer com a canção “(I´m Gonna) Love Me Again”, inclusa na trilha sonora do filme “Rocketman”.

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Outra coisa que me incomodou foi a ausência de “He Lives in You”, que entrou apenas nos pós-créditos. Era esperado, já que a música está apenas no segundo filme da franquia, porém ela aparece no musical do filme, em uma cena icônica. Entretanto, optaram por colocar Spirit da Beyoncé. O mesmo aconteceu com Aladdin e A Bela e a Fera, que tinham grandes músicas da versão musical que se encaixariam perfeitamente na trama, mas foram cortadas do filme.

O live-action de O Rei Leão é um ótimo filme, só que para mim, não funcionou da forma esperada. O filme tem referências a outros clássicos da Disney e tenho certeza que a bilheteria será gigantesca, mas ainda prefiro o original.

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Guilherme Cepeda
Guilherme Cepeda é podcaster, blogueiro e escritor. Pós-Graduado em Marketing e apaixonado por tecnologia e literatura desde sempre, em 2010 resolveu criar um blog para compartilhar sua opinião com os amigos. Jamais imaginaria que o projeto chegaria tão longe, tornando-se hoje o Burn Book, um dos maiores portais de literatura jovem do Brasil. Escreveu em co-autoria os livros da série Minha Vida, e em seu trabalho mais recente, já pela Editora Burn Books, publicou o conto “Estarei em Casa para o Natal” na antologia que leva o mesmo nome, também foi publicado em outras antologias pelas Editoras Wish, Villa-Lobos e Rouxinol. Guilherme é co-criador do Podcast “BurnCast”, o qual é responsável pela edição, pós-produção e roteiro há mais de um ano.

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