Predadores Assassinos | Crítica

Novo filme de sobrevivência com Kaya Scodelario.

Em Predadores Assassinos acompanhamos a história da jovem Haley, uma nadadora profissional que vive no sul da Flórida, no qual sua rotina é abruptamente interrompida com a ameaça de um furação na região. Preocupada com seu pai, Haley então decide ir atrás dele, e acaba por descobrir que o furacão é apenas um dos problemas.

Embora tenha uma premissa simples e, aparentemente objetiva, Predadores Assassinos peca em suas tramas secundárias — ainda que se torne um suspense interessante.


Interpretada por Kaya Scodelario, Haley é uma jovem como qualquer outra, que não se torna clichê justamente por ser tão humana, que está em busca de seu sonhos e lida com algumas mágoas de seu passado, em especial como seu pai, que acaba sendo o catalisador pros acontecimentos se desenvolverem.

As jogadas emocionais em decorrência da trama familiar é justamente o que prejudica o desenvolvimento do filme, em aparentes tentativas de criar uma jornada do herói que não se fazem necessárias, já que Scodelario desempenha um ótimo papel — assim como Barry Pepper, que interpreta seu pai — com precisão e honestidade, tornando a personagem cativante por ser facilmente compreendida. Entretanto, com as escolhas feitas, parece que falta confiança na protagonista, já que somos constantemente convidados a reviver seu passado e lembrar de todas as suas cicatrizes metafóricas, que não possuem qualquer interferências nos acontecimentos, mesmo que o filme tente por justificar isso.

Predadores Assassinos conseguiu criar uma protagonista simples mas autêntica, forte mas sem esquecer sua humanidade, onde há a necessidade, por interesses ou não, de criar representatividade feminina nos filmes, mas que tenta a todo instante fundamentar seus argumentos em porquê ela é capaz ou porquê sua história precisa ser vista, ao invés de permitir que ela exista em sua glória e autenticidade.

Mesmo que decepcione em não acreditar em Haley, a trama ainda consegue ser um bom suspense — extraindo até mesmo alguns sustos. Misturando dois subgêneros — filmes de catástrofe e ira de animais — que já por si só conseguem conquistar o interesse, a trama cria uma tensão que amedronta mas que ao mesmo tempo faz com que o espectador não queira tirar seus olhos da tela, especialmente por centrar todo o clímax no interior de uma casa.

Todas as influências são externas e imprevisíveis, causando o constante crescimento de tensão, ainda mais quando faz questão de ser um filme um tanto gráfico, sem esconder a violência dos ataques, criando sempre uma nova oportunidade para eles acontecerem. A motivação do tema e de seus acontecimentos são simples, mas que não fazem necessárias em qualquer momento ser algo além do que é. O filme propõe um entretenimento baseado em sobrevivência e consegue entregar exatamente, sem grandes escolhas, sem grandes truques.

Ainda que apresente seus defeitos, Predadores Assassinos é uma boa experiência cinematográfica, em especial para quem gosta do gênero, ou simplesmente de um bom e objetivo suspense.

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