Soul | Crítica 22
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Soul | Crítica

Os filmes da Pixar são conhecidos por trazerem temas mais “adultos”, com uma roupagem erroneamente considerada infantil, Soul traz uma mensagem poderosa, e apesar de parecer como um grande experimento para a Pixar, o filme vale super a pena.

Assim como seus antecessores ‘Viva – A Vida é uma Festa’, ‘Up! Altas Aventuras’ que trataram de temas como morte e luto de alguma forma, e ‘Divertida Mente’ que trouxe os sentimentos a vida, em Soul temos uma conexão muito mais forte com o “pós vida”, almas, e propósito de cada um nesse mundão que chamamos de planeta terra.

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Na trama, Joe Garner é um professor de música do ensino médio que sonhava em ser um músico de jazz, e finalmente teve a chance depois de impressionar outros músicos durante um ensaio aberto no Half Note Club. No entanto, um acidente faz com que sua alma seja separada de seu corpo e transportada para o “You Seminar”, um centro no qual as almas se desenvolvem e ganham paixões antes de serem transportadas para um recém-nascido. Joe deve trabalhar com almas em treinamento, como 22, uma alma com uma visão obscura da vida depois de ficar preso por anos no “You Seminar”, a fim de retornar à Terra.

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Sim, o uso da sinopse foi intencional, para não entregar nenhum detalhe extra da trama, inclusive, é assim que recomendo que você vá assistir esse filme, de mente e coração abertos, sem pesquisar muito sobre enredo e possíveis spoilers que possam acabar estragando a experiência do filme. 

Soul marca uma virada de chave da década para a Pixar, trazendo Joe Gardner como o primeiro protagonista preto do estúdio de animação, acompanhando da maioria dos dubladores e artistas da versão americana que também são pretos, e o foco principal do filme está no Jazz, tendo entre suas variações o “Soul jazz”, um género com influências de blues, que inclusive foram bastante explorados a partir da consultoria com diversos músicos de Jazz, para trazer mais realidade e impacto para a narrativa, desde pontos focais, até locais importantes para a cultura preta, provando mais uma vez que a Pixar está caminhando cada vez mais para narrativas mais diversas.

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O filme é basicamente dividido em dois arcos, o primeiro com a apresentação do “You Seminar” que lembra bastante uma versão animada do que já vimos em “The Good Place”, mas com uma roupagem nova, apesar de boa parte do roteiro lembrar pontos de “Neste Mundo e no Outro” e “Um Espírito Baixou em Mim”, Soul traz um frescor para o filme, ao tratar do pós-morte de uma forma diferenciada. O segundo arco é focado na parte de “aventura” do filme, e apesar de se perder em alguns momentos, levam a narrativa para um final satisfatório, com uma virada um tanto quanto inesperada no roteiro, mudando o foco que a narrativa estava caminhando até então, se provando mais uma vez como um produto com o “selo de qualidade Pixar”.

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Os criadores do filme tinham um grande desafio nas mãos: Como representar uma alma de forma visual, sem cair nos estereótipos de fantasmas ou algo mais assustador, que fugiria da atmosfera familiar do filme. Em entrevista, a produtora Dana Murray afirmou que eles buscaram algo mais humanizado, e chegaram em algo que o público pudesse reconhecer as expressões e comportamentos dos personagens, desenvolvendo uma nova técnica especialmente para o filme, trazendo um visual 2D para um mundo 3D, onde os personagens não obedecem às leis da física, trazendo um clássico caso de arte trabalhando junto com a tecnologia, e inspirando novos estilos de animação.

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Além das almas, o filme também conta com “Os Conselheiros”, que são descritos no filme como se o universo se simplificasse para que os humanos pudessem compreendê-lo. Para criar “Os Conselheiros”, os cineastas buscaram inspirações em esculturas suecas e na luz, pois os mesmos são construídos de luz, como se fossem uma “linha viva”, mas também trazem traços de elementos familiares da natureza, podendo tomar forma em vários ângulos e tamanhos.

Soul é um filme autêntico e emocionante, vai agradar os mais diversos públicos e traz mensagens importantes como “por que estamos aqui?”, “qual o nosso real propósito na terra” e “o que nos traz felicidade?”, levando o público em uma viagem de autoconhecimento e questionamentos, tudo isso acompanhado de uma ótima trilha sonora, trazendo grandes nomes com fortes relações com o jazz para a trilha sonora original.

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Do fundo da alma, Soul vai te fazer chorar, rir, e querer aproveitar mais a vida. É mais um acerto da Pixar, e vai marcar o estúdio como um filme diverso, e uma grande ode ao Jazz.

SOUL
Ano: 2020
Duração: 100 minutos
País: EUA
Direção: Pete Docter

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8.5

É mais um acerto da Pixar, e vai marcar o estúdio como um filme diverso, e uma grande ode ao Jazz. Confira nossa crítica do filme Soul.

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Guilherme Cepeda
Guilherme Cepeda é podcaster, blogueiro e escritor. Pós-Graduado em Marketing e apaixonado por tecnologia e literatura desde sempre, em 2010 resolveu criar um blog para compartilhar sua opinião com os amigos. Jamais imaginaria que o projeto chegaria tão longe, tornando-se hoje o Burn Book, um dos maiores portais de literatura jovem do Brasil. Escreveu em co-autoria os livros da série Minha Vida, e em seu trabalho mais recente, já pela Editora Burn Books, publicou o conto “Estarei em Casa para o Natal” na antologia que leva o mesmo nome, também foi publicado em outras antologias pelas Editoras Wish, Villa-Lobos e Rouxinol. Guilherme é co-criador do Podcast “BurnCast”, o qual é responsável pela edição, pós-produção e roteiro há mais de um ano.

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