The Post - A Guerra Secreta | Crítica 5
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The Post – A Guerra Secreta | Crítica

The Post – A Guerra Secreta romantiza o papel do jornalismo e inspira em uma história de amor entre fatos e uma folha de papel.

Em 1971, Daniel Ellsberg (Matthew Rhys) vazou o estudo feito por acadêmicos ligados ao Departamento de Estado sobre o envolvimento do país na guerra do Vietnã para o jornal The New York Times. Nixon, presidente americano na época, ficou descontente e levou o Times até os tribunais. Enquanto isso, um jornal local chamado The Washington Post tem acesso aos mesmos documentos graças ao jornalista Ben Bagdikian (Bob Odenkirk) e precisa decidir o que fará com eles. Kay Graham (Meryl Streep), dona do Post, prefere se manter longe da confusão por conta de suas relações pessoais, mas Ben Bradlee (Tom Hanks) a pressiona pois vê como essencial a publicação desse material.

Quem é o maior homenageado? O jornalismo e a liberdade de imprensa. Os profissionais passam a ser cavaleiros que lutam por uma uma causa justa e não medem esforços, mesmo que isso ofereça algum perigo a sua carreira ou segurança. É uma visão romântica que emociona os amantes dessa profissão. Na sessão realizada para a imprensa era possível ver uma empatia pela situação vivida pelos personagens nas redações, nas broncas dadas pelos editores, nos momentos de grande indecisão. Ali o jornalismo é apresentado em sua forma mais pura e honesta, o que inspira aqueles que estão pessimistas com as ameaças que a imprensa tem sofrido, não só nos Estados Unidos da América.

O maior problema enfrentado pela trama é a necessidade de um conhecimento prévio, o que pode dificultar a compreensão da gravidade do escândalo. Um foco mais detalhado no conteúdo dos documentos poderia construir um background que compensaria isso. 

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Meryl Streep como Graham possui um crescimento muito orgânico e interessante ao longo da trama. Ela começa como uma empresária tímida e pouco creditada, que assumiu o cargo após o suicídio do marido Philip, e termina como uma líder que se compromete com seu jornal, acima de tudo. Em diversas a personagem aparece rodeada por homens que tentam persuadi-la, enquanto as mulheres lhe direcionam um olhar de esperança e admiração, o que desperta sutilmente a igualdade de gêneros. 

Tom Hanks traz Bradlee como um editor que instiga seus jornalistas e que é regado de pequenos momentos de humor. Em uma atuação muito segura e única, ele foi o apoio que Graham necessitava para poder levantar sua voz dentro de sua empresa. Sua interação com a Sarah Paulson, como Tony Bradlee, foi contida, mas deu uma visão interna de como a família dele, e a de tantos outros jornalistas, se ajustou a essa profissão que não termina assim que os profissionais saem do escritório.

A fotografia de Janusz Kaminski faz uso de tons frios e azuis para as cenas dentro do jornal, além de evitar os cortes e acompanhar os ambientes de forma linear. A caracterização dos locais e dos personagens faz com que a atmosfera da década de 1970 chegue até o público sem problema nenhum, principalmente dentro da redação com os estagiários desesperados e os tradicionais charutos. 

Apesar de estar concorrendo aos grandes prêmios, The Post – A Guerra Secreta, de Steven Spielberg, terá problemas em se destacar. Entretanto, sua importância é inquestionável ao mostrar até onde um presidente vai para perseguir a imprensa. Ouviu algo familiar recentemente? Apesar de aprendermos com os erros do nosso passado, essa é uma guerra que sempre será travada e é necessária.

 

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Viviane Oliveira
Tecnóloga em Projetos Mecânicos desde 2017, estudante de Jornalismo, cosplayer, cosmaker, redatora freelancer desde 2016, amante da Mulher Maravilha e de Star Wars.

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