Viúva Negra: Uma experiência natimorta | Crítica 7
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Viúva Negra: Uma experiência natimorta | Crítica

Desde 2008, o público foi religiosamente apresentado aos heróis mais poderosos da terra, sejam eles bilionários egocêntricos, militares congelados, deuses nórdicos espalhafatosos, heróis diminutos ou monarcas de um reino secreto no continente africano. Mas ao longo desses 13 anos de existência, somente em 2021 sua maior personagem feminina ganhou o destaque de uma aventura solo. Com a direção da australiana Cate Shortland, produção executiva e protagonismo de Scarlett Johansson, ‘Viúva Negra’ finalmente chega às telonas. Confira a sinopse: 

“No novo filme da Marvel Studios, “Viúva Negra”, Natasha Romanoff (Scarlett Johansson) precisa confrontar partes de sua história quando surge uma conspiração perigosa ligada ao seu passado. Perseguida por uma força que não irá parar até derrotá-la, Natasha terá que lidar com sua antiga vida de espiã, e também reencontrar membros de sua família que deixou para trás antes de se tornar parte dos Vingadores.”

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Não há como negar que o desafio da diretora era difícil, trazer uma personagem que já havia sido morta em um evento cataclísmico, que representava o clímax de uma narrativa construída ao longo de mais de uma década. Para isso, Shortland precisou lutar, não somente contra o esquecimento de grande parte do público que havia virado essa página da história, mas também contra o próprio estúdio que já está em uma nova fase, construindo uma relação híbrida entre séries e filmes na plataforma Disney+.

Para tentar, de alguma forma, tornar essa aventura inédita e atrativa, o time de roteiristas Jac Schaeffer (WandaVision), Ned Benson (WandaVision) e Eric Pearson (Thor: Ragnarok) reviraram o passado da heroína russa, o que trouxe Florence Pugh (Midsommar), David Harbour (Stranger Things) e Rachel Weisz (A Múmia) para a dinâmica da personagem, tentando combinar doses de drama e alívios cômicos familiares. Nesse ponto, é possível dizer que Shortland apresenta decentemente esse novo contexto da personagem longe das lutas, explosões e batalhas, mas em situações mundanas como discussões familiares e reflexões sobre ‘’família”, mesmo que sem timing entre alguns desses momentos. Pensando nesse equilíbrio, a tentativa de impor algum aspecto minimalista sobre a personagem acaba se afogando dentro de algumas dinâmicas megalomaníacas que parecem obrigatórias dentro do universo Marvel.

Contrariamente ao que é visto em longas como ‘Logan’, ‘Snydercut’, ‘X-men: Dias de um Futuro Esquecido’, ‘Guerra infinita’ e o próprio ‘Ultimato’, em que marcam a despedida de personagens consagrados ou conclusões de arcos, existe uma proposta bem clara de atrelar essa noção de encerramento às diversas escolhas formais do filme, como sequências bem elaboradas de ação, trilhas que engrandecem cenas, e até mesmo na direção das atuações que carregam e representam esse peso em tela. Porém, nem mesmo o protagonismo é carregado somente por Johannson, Pugh poderia ser considerada como co-estrela do filme nesse quesito, o que está longe de ser um problema, pois suas interações são agradáveis e adicionam muito ao filme, com Florence muito à vontade nas cenas de ação, entretanto, isso acaba diluindo qualquer sentido de urgência que pudesse existir sobre a despedida de Natasha Romanoff.

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Com sotaques russos exagerados, vilões caricatos e superficialidade nos dramas desenvolvidos, o longa pode até divertir de forma descompromissada, mas no final parece se desconversar enquanto conceito, sem saber quando quer falar sério ou brincar dentro do próprio gênero. A falta de uma narrativa auto-centrada acaba dando a impressão de que o filme foi realizado somente por algum tipo de desencargo de consciência com os agentes de Scarlett Johansson, e para aqueles que gostam da personagem.

Voltando em ‘Endgame’, muitos fãs questionaram a ausência de qualquer tipo de homenagem póstuma a heroína que se sacrificou para salvar o universo, em comparação à emocionante cerimônia de Tony Stark, e para isso, a Marvel Studios inconscientemente (ou conscientemente) garantiu que houvesse um grande velório inexpressivo de 2h e 14 minutos, onde até mesmo após sua morte, a jornada da heroína acaba em segundo plano.

O filme chega nos cinemas em 8 de julho e na plataforma de streaming Disney+ no dia 9 de julho. No serviço, os fãs precisarão pagar a taxa do Premier Access, ou Acesso Premium, que é de R$ 69,90.

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5.5

Desde 2008, o público foi religiosamente apresentado aos heróis mais poderosos da terra. Mas ao longo desses 13 anos de existência, somente em 2021 sua maior personagem feminina ganhou o destaque de uma aventura solo.

Pedro Augusto Prado de Messias
Pedro Prado é cosplayer, professor e apenas um rapaz que cresceu com super-heróis. Nasceu em São Paulo, em 1999. Cursando Gestão de Eventos e totalmente aficionado por cultura pop desde que se conhece por gente, desde 2015 passou a estar ainda mais imerso nesse universo, quando passou a vestir o manto dos mais diversos personagens, trazendo o mundo fantástico da ficção para realidade, atualmente além disso, quer levar sua visão entusiasta desse mundo para as mais diversas pessoas.

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