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Entrevista com David Nicholls, Saraiva

Romance 'Um Dia', de David Nicholls, vende mais de 60 mil cópias no Brasil e transforma-se em clássico moderno.

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David Nicholls é cool. Ele humildemente negou esse status algumas vezes durante a entrevista, mas só um cara bacana para responder todas as minhas questões, de um dia para o outro, no meio de uma dezena de compromissos e um bebê pequeno.


Com mais de 60 mil exemplares vendidos no Brasil, desde o lançamento em maio desse ano, Um Dia (Intrínseca) é sucesso mundial e acaba de estrear como blockbuster nos Estados Unidos e Inglaterra. Com Anne Hathaway e Jim Sturgess nos papéis principais, o filme desembarca nas telas brasileiras em novembro.


Considerado pelos críticos como um clássico moderno, o livro conta a história de Emma e Dexter. Os dois são como água e vinho. Ele é despreocupado, charmoso e irresponsável. Já Emma é correta, romântica e insegura. Os opostos se atraem, então eles dividem uma noite em 15 de julho de 1988 e acabam virando grandes amigos; Dex e Em, Em e Dex.


Os anos passam e os dois levam vidas isoladas – muito diferentes daquelas que sonhavam. Porém, incapazes de esquecer o sentimento especial que os arrebatou na primeira noite, surge uma extraordinária relação. O livro narra seu relacionamento durante os vinte anos seguintes, todos no mesmo dia: 15 de julho.


Em entrevista por e-mail, Nicholls falou sobre confiança e afirma que é muito mais parecido com Emma do que Dexter, ainda bem. “Existe muito da minha experiência em Emma, mas bem pouco de mim em Dexter”, conta.


Fã dos Mutantes, o ex-ator também falou um pouco de música brasileira e sobre o próximo projeto, o script do seu romance favorito, Grandes Esperanças, de Charles Dickens. “Vai ser uma adaptação fiel de Dickens com um elenco excelente. Helena Bonham-Carter vai ser miss Havisham e Ralph Fiennes será Magwitch”.


Uma das músicas preferidas de Emma no livro é "Baby", dos Mutantes. Você conhece música brasileira? A música é importante para você?


Nicholls. Não conheço muito música brasileira, além de Tom Jobim e João Gilberto, mas amo Os Mutantes. A música é importante para mim, apesar de eu ver que quanto mais velho fico, mais fora de contato com ela estou. Escuto muita música clássica agora, mas enquanto escrevia Um Dia ouvi de tudo. A música é o melhor jeito de nos remeter a uma certa época, um certo lugar.


Você parece um cara bem cool. Você é assim mesmo?


Nicholls. Bom, nunca ouvi isso antes e acho que nunca vou escutar isso de novo. É gentil da sua parte, mas por mais que eu tente, a resposta é não. Nem um pouco cool.


Você é um homem confiante?


Nicholls. Mais do que quando eu era ator… A confiança é uma qualidade atrativa, desde que não vire arrogância. Mas essa não é uma qualidade que eu possuo. Na maior parte do tempo, sou uma bagunça; inseguro, sofro de insônia e ansioso. Eu não ligo, mas tenho certeza que sou bem chato para quem está ao meu lado. Todos os escritores deveriam ser ansiosos.


Você conhece a Emma e Dexter? De onde esses personagens vêm? Você é mais como Emma, ou Dexter?


Nicholls. Eles não existem na vida real, mas são um pouco de várias pessoas que conheço. Existe muito da minha experiência em Emma, mas bem pouco de mim no Dexter. Emma é mais esperta, sábia e gentil do que eu jamais poderia ser. Ela tem elementos da Beatrice (Muito Barulho Por Nada – William Shakespeare), Elizabeth Bennett (Orgulho e Preconceito – Jane Austen) e um toque de Katherine Hepburn, tudo combinado com elementos de algumas amigas mulheres.


Quanto tempo demorou para escrever Um Dia? Onde escreveu o livro?


Nicholls. Virei pai durante o processo, então escrever em casa era tarefa impossível. O livro foi redigido durante dois anos e meio nas maravilhosas British Library e London Livrary.


Você viu o filme do livro? Gostou?


Nicholls. Vi e gostei bastante. Claro que quando você transforma 130 mil palavras em 100 minutos de filme perde-se muito. Eu gostaria que o filme fosse maior, mas Anne Hathaway é maravilhosa, além de todo mundo ali. No fim foi uma experiência bem estranha – difícil e estressante – mas também emocionante.


O que acontece agora? Qual seu próximo livro?


Nicholls. No começo do ano sentei para escrever outro romance, mas Emma e Dexter me dominaram e deixei o outro projeto de lado. Agora estou escrevendo o script do meu romance favorito, Grandes Esperanças, de Charles Dickens. Começo a filmar em outubro, depois não tenho desculpas. Terei que sentar e começar algo novo.
 

 

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Guilherme Cepeda
Guilherme Cepeda é podcaster, blogueiro e escritor. Pós-Graduado em Marketing e apaixonado por tecnologia e literatura desde sempre, em 2010 resolveu criar um blog para compartilhar sua opinião com os amigos. Jamais imaginaria que o projeto chegaria tão longe, tornando-se hoje o Burn Book, um dos maiores portais de literatura jovem do Brasil. Escreveu em co-autoria os livros da série Minha Vida, e em seu trabalho mais recente, já pela Editora Burn Books, publicou o conto “Estarei em Casa para o Natal” na antologia que leva o mesmo nome, também foi publicado em outras antologias pelas Editoras Wish, Villa-Lobos e Rouxinol. Guilherme é co-criador do Podcast “BurnCast”, o qual é responsável pela edição, pós-produção e roteiro há mais de um ano.

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6 Comments

  1. Ainda não li Um Dia, mas li algumas outras matérias sobre o David e adorei a personalidade dele. A entrevista ficou maravilhosa!

    Adorei o blog e quero saber todas as novidades! Já estou seguindo. Espero que curta o meu! http://pronomeinterrogativo.blogspot.com/

  2. mto lgl a entrevista! o autor eh super humilde e honesto, além de ser super simpatico, ainda não li um dia, mas agora fiqei com muita vontade de ler!^^


    hangover at 16

  3. Ah, quero muuito ler esse livro (a história me lembrou vagamente o Diário de uma Paixão, não sei por que) Acabei de ler a resenha aqui do blog, achei legal, embora seja pouco reveladora. O filme também, parece ser muito bom. Gostei do autor e da entrevista. ^-^

  4. adorei a entrevista

    muito lgl, se perde muito do livro mesmo quando se transforma em filme
    é uma pena

    bjos

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