Livraria especializada em autoras negras 3
Créditos: Lucas Hirai | Divulgação (Site Catraca Livre)
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Livraria especializada em autoras negras

Ketty Valencio, 34 anos, empreendedora, bibliotecária, negra. Ketty criou a Livraria Africanidades, com a proposta de facilitar o protagonismo das mulheres negras na literatura mundial.

A livraria conta com obras difíceis de encontrar nas lojas tradicionais, e ainda há possibilidades como frete grátis e ótimos parcelamentos para alguns livros, visando facilitar o acesso a tais obras. Para além do “mercado”, o lance é o ativismo político: acessibilidade e visibilidade. Leia na ótima matéria do Catraca Livre, clicando na imagem abaixo, e depois dê uma olhada na entrevista que realizamos com a empresária:

https://catracalivre.com.br/sp/agenda/indicacao/bibliotecaria-cria-livraria-especializada-em-autoras-negras/

Página da Livraria Africanidades no Facebook

Site da Livraria Africanidades

ENTREVISTA

 

A livraria vende livros escritos exclusivamente por negras e negros, com foco na cultura negra?

A maioria dxs autores da livraria são pessoas negras, porém temos como minoria no acervo a presença de autores brancos ou não negros que valorizem a cultura negra e que tenham qualitativamente nas suas narrativas o protagonismo da população negra.

 

Como foi a “gestação” deste projeto? A ideia é antiga?

A concepção da Livraria Africanidades se dá a partir das minhas crises existenciais que sempre me acompanharam por meio do reflexo de como a sociedade me enxerga através de uma ótica machista e racista. Com as minhas andanças pude perceber que as minhas inquietações eram quase unanimidade entre outras pessoas pretas e também compreendo a importância de determinar positivamente a classificação de gênero, de classe social, identidade sexual e étnico-racial através da literatura.

Em 2014, depois de ter a chance de cursar um MBA em Bens Culturais: Cultura, Economia e Gestão, que me possibilitou a criação de um plano de negócio, foi gerada a Livraria Africanidades.

 

O que você pensa sobre esse predomínio “branco/heteronormativo” que persiste em nossa literatura, e o que poderia dizer aos jovens escritores sobre os caminhos possíveis para a valorização da diversidade, da raça e do ativismo?

Acho este predomínio extremamente perverso, pois ele colabora para o apagamento e para a representação negativa da população negra, caracterizando o racismo epistêmico, além do racismo racial.

Os nossos pensadores, que são homens, brancos e heteronormativos, são responsáveis pela formação intelectual da sociedade ocidental, conscientemente reforçam a naturalização do escravismo e sua hierarquização através de suas teorias. Assim ajudaram a criar estereótipos, a grande invenção de como ser negrx, que foi construído no imaginário popular.  Estas ideologias ainda impactam no cenário científico, jurídico, policial e também da nossa conduta pessoal.

Somos seres políticos e a literatura faz parte disso, não existe escrita neutra e a representação de pessoas plurais por meio de narrativas é algo extremamente poderoso. Você permite a possibilidade de existência para todas as pessoas, no entanto parece algo ingênuo e simples, porém é um grande privilégio.

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Guilherme Cepeda
Guilherme Cepeda é podcaster, blogueiro e escritor. Pós-Graduado em Marketing e apaixonado por tecnologia e literatura desde sempre, em 2010 resolveu criar um blog para compartilhar sua opinião com os amigos. Jamais imaginaria que o projeto chegaria tão longe, tornando-se hoje o Burn Book, um dos maiores portais de literatura jovem do Brasil. Escreveu em co-autoria os livros da série Minha Vida, e em seu trabalho mais recente, já pela Editora Burn Books, publicou o conto “Estarei em Casa para o Natal” na antologia que leva o mesmo nome, também foi publicado em outras antologias pelas Editoras Wish, Villa-Lobos e Rouxinol. Guilherme é co-criador do Podcast “BurnCast”, o qual é responsável pela edição, pós-produção e roteiro há mais de um ano.

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