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Colecionável é brinquedo?

Por Renan Pizii*

É muito comum para quem não é um colecionador confundir action figures, as figuras articuladas de personagens de filmes, desenhos ou personalidades, com bonecos de brinquedo. A confusão se dá talvez por se tratarem de miniaturas que chamam a atenção ou a cobiça de todas as faixas etárias.

Essa questão veio à tona recentemente quando uma discussão viralizou nas redes sociais. O motivo foi que uma delas não deixou o filho da outra brincar com seu colecionável, um Gavião Arqueiro que custa R$ 329 reais. A dona da peça explicou que não se tratava de um brinquedo para uma criança de 7 anos, e sim de um item de coleção. A mãe insistiu que o filho poderia brincar com a figura e a polêmica estava feita!

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Causador da treta MORE (mais conhecido como Gavião Arqueiro)

É preciso entender que a semelhança entre uma action figure e um brinquedo é, muitas vezes, apenas o tamanho. Essas réplicas colecionáveis são fabricadas em quantidade limitada, com materiais mais nobres e frágeis e possuem um alto valor agregado.

Além disso, existe um complexo processo de produção. As peças são desenhadas a partir do conceito original do filme ou desenho, seus moldes são esculpidos com alto nível de detalhamento. O objetivo dos itens colecionáveis é justamente reproduzir com fidelidade o personagem ou acessório visto nas telas, fotos ou quadrinhos. Tanto as action figures quanto as esculturas e os dioramas – peças imóveis que retratam uma cena – são pintados à mão. Algumas levam semanas somente nesta fase.

Devido à complexidade, a fabricação de cada item colecionável é feita em uma quantidade limitada de unidades, às vezes apenas 100 exemplares, tornando-os ainda mais exclusivos. Oficiais, alguns desses produtos são tão especiais que levam a assinatura do ator que interpretou o personagem, ou foi feita com base no molde utilizado no filme, ou mesmo uma edição desenhada por um respeitado artista.

Enquanto os brinquedos possuem tiragens na casa dos milhões para atender a todas as lojas de artigos infantis, departamentos e supermercados, as réplicas são encontradas apenas em lojas específicas de artigos para colecionadores. Quando cada tiragem limitada é esgotada, as peças se tornam itens valiosos para os colecionadores e seu preço multiplica com o tempo.

O valor afetivo é outro diferencial. Sempre há uma história a ser contada sobre cada artigo, como, por exemplo, a dificuldade em sua aquisição, sua tiragem ou de onde foi inspirada. Além disso, a beleza e a alta fidelidade na reprodução transformam estátuas e réplicas em verdadeiras peças de exposição e decoração, ao contrário dos brinquedos, que ficam guardados em um baú quando não são utilizados.

Por todas essas particularidades, os itens chegam ao consumidor final a um preço considerado alto por quem é leigo ou acredita se tratar de um simples brinquedo. Mas o aficionado é exigente e entende o valor de cada peça, pois reconhece suas características e sabe que tem em mãos um bem valioso em três aspectos: emocional, artístico e financeiro.

Portanto, definitivamente, colecionável não é brinquedo!

*Renan Pizii é CEO da Iron Studios, fabricante brasileira de estátuas e réplicas colecionáveis – www.ironstudios.com.br

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Guilherme Cepeda
Guilherme Cepeda é podcaster, blogueiro e escritor. Pós-Graduado em Marketing e apaixonado por tecnologia e literatura desde sempre, em 2010 resolveu criar um blog para compartilhar sua opinião com os amigos. Jamais imaginaria que o projeto chegaria tão longe, tornando-se hoje o Burn Book, um dos maiores portais de literatura jovem do Brasil. Escreveu em co-autoria os livros da série Minha Vida, e em seu trabalho mais recente, já pela Editora Burn Books, publicou o conto “Estarei em Casa para o Natal” na antologia que leva o mesmo nome, também foi publicado em outras antologias pelas Editoras Wish, Villa-Lobos e Rouxinol. Guilherme é co-criador do Podcast “BurnCast”, o qual é responsável pela edição, pós-produção e roteiro há mais de um ano.

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