Panquecas e a curiosidade por trás de Cinquenta Tons de Cinza

Anda chovendo comentários sobre Cinquenta Tons de Cinza. E, olha, comentários de deixar o cabelo em pé. É gente chamando de “burro” e “alienado” quem gostou do livro. E, de outro lado, os que retrucam, horrorizados, a quem critica sem nunca ter lido a obra. Todo aquele festival de elogios que mora nas caixas de comentários deste lugar maravilhoso chamado internet.

Ô, gente, por que não aproveitamos esta rixa Corinthians versus Palmeiras para entrar num debate saudável? Hoje eu trouxe uma receita deliciosa, de lamber os beiços, de segurar a orelha e dizer ‘daqui, ó’. Vamos nos sentar à mesa, nos acabar com as panquecas da Anastasia Steele e conversar. Você não gostou? Você gostou?

Ó só. Eu não curti o livro. E te explico o porquê… O que falta para mim é verossimilhança. Demorei horrores para engrenar na história (o que comumente me faz largar o livro pela metade, mas a curiosidade e eminência do tão esperado sexo me fez continuar) e achei alguns diálogos sofríveis ao ponto de me sentir envergonhada. E, bom, não consigo lidar com o Christian Grey rosnando toda santa hora.

Gostei dos personagens, no entanto. Quanto à história, tem ali um material bruto que poderia trazer uma discussão pra lá de interessante, se fosse bem trabalhado e bem escrito – o que pra mim não é o caso. Impossível não pensar sobre o que uma Anaïs Nin faria com este material, por exemplo.

Cinquenta Tons de Cinza 2

Mas, se a pessoa se envolveu com Cinquenta Tons de Cinza porque a obra a inspirou na cama com o maridão ou gostou só porque ganhou algumas horas de alegria enquanto virava as páginas. Ué, o que é que tem?

A coisa mais legal deste mundão é esta pluralidade por aí. Sempre gostei do debate. E estou aberta a ouvir julgamentos diferentes. Não, eu não curti, mas me interesso, sim, em saber o que você pensa.

Aí estreou o filme. A crítica não tá favorável. Eu acompanho dois ou três críticos e estou sempre interessada em saber o que eles têm a dizer sobre determinado filme. Às vezes concordo com eles, às vezes não. Mas o fato é que comentários desfavoráveis nunca me impediram de ir ao cinema e checar a obra pelo meu próprio ponto de vista.

Se eu gostei ou não do livro, ou vou gostar ou não do filme, bem, isto é irrelevante. Admiro o valor da obra. Se a história de Ana e Christian fez alguém se conhecer melhor e explorar a própria sexualidade, o livro todo já valeu a pena.

 “A fonte da potência sexual é a curiosidade”. Quem escreveu isso foi Anaïs Nin na década de 40. A escritora francesa foi contratada por um colecionador para escrever contos eróticos apenas para o consumo particular dele. Anaïs assim o fez. E em 1978, um ano após a morte da escritora, estes contos viraram o livro “Delta de Vênus”, uma reunião de histórias sobre personagens que se descobrem sexualmente.

Mantive isso em mente quando comecei a ler a primeira página de Cinquenta Tons de Cinza. A curiosidade nem sempre mata o gato e, às vezes, traz um tempero para esta nossa vida sem graça.

A Receita

IMG_4014

Escolhi as panquecas que marcam o primeiro café da manhã entre Christian e Anastásia.

Você deve se lembrar que depois de uma noite de bebedeira, Anastásia dorme na casa do bonitão e acorda com uma ressaca esfomeada. Ele, como um exímio milionário, diz que não sabia o que ela ia querer no café da manhã e, portanto, pediu o cardápio inteiro.

E ela escolhe Panquecas com Mel.

Ingredientes

– 1 xícara de farinha de trigo

– 1 xícara de leite

– 1 colher sopa de açúcar

– 1 colher sopa de manteiga derretida

– 1 ovo

– 1 colher sopa de fermento em pó

– Mel para servir

Passo a Passo

Misture todos os ingredientes numa tigela até que fique uma massa homogênea.

Numa panela antiaderente leve ½ xícara da massa e cozinhe em fogo baixo. Não mexa a massa, deixe que ela desgrude da panela.

Quando começar a ver bolinhas na massa da parte de cima, você pode virar e dourar o outro lado.

Sirva com mel.

Ah, vale dizer que lá no Capitu Vem Para o Jantar eu já fiz duas receitas de Cinquenta Tons de Cinza. A do Muffin de Mirtilo e do Mac and Cheese. 🙂

Leia Mais
Resenha: Artemis Fowl – O ultimo Guardiao, de Eoin Colfer