Entrevista com P.J. Maia, autor do livro “Espírito Perdido”

Recentemente tive a oportunidade de entrevistar P.J. Maia, autor do livro “Espírito Perdido“. Confira a entrevista na íntegra abaixo:

01 – De onde surgiu a ideia para escrever esse livro?


A ideia surgiu depois de voltar para casa anos após ter construído uma vida em outro país. A sensação de ser um estrangeiro perdido  na própria cultura e tentar redescobrir as raízes foi um processo de bastante solidão e angústia, então a Keana foi um pouco minha guia nesse processo de redescobertas.

02 – Como foi o processo de criar a “mitologia” para ele?

A mitologia surgiu de forma muito orgânica, conforme as necessidades da história e dos personagens iam se desenrolando.. Em alguns momentos vinham de fora pra dentro, eu descobria algum mito ancestral que caberia muito bem dentro da história e em outros momentos era o contrário, a história chegava num ponto que pedia um certo elemento simbólico e eu fazia pesquisas para encontrar alguma correspondência com registros culturais da antiguidade.

03 – Houve algum estudo referente aos costumes da época que o livro se passa?

Estudei bastante sobre paleoantropologia, religiões ancestrais e mitologia tribal. Depois que a primeira versão da história estava pronta, houve um trabalho de pesquisa e revisão com a ajuda da geógrafa Luna Chino e do arquiteto Paulo Bellé para que esse mundo — mesmo sendo fantástico — respeitasse um grau de coerência com o período pré-histórico. Quanto à parte de fantasia, em Divagar existem videntes, alquimistas e pensadores muito poderosos, então o acesso a costumes e tecnologias do nosso mundo contemporâneo criou essa ponte mística que permite brincadeiras e experimentações anacrônicas interessantes, como por exemplo restaurantes pré-históricos, romances pop publicados em papiro e tablets de pedra polida.

04 – Como foi o processo de escrita em inglês, e depois para publicar no Brasil, foi muito diferente do processo de publicação normal? Pq adotou essa estratégia?

Não foi uma estratégia calculada, foi como o processo se deu. O livro começou como uma espécie de diário sobre questões de exílio cultural. Eu dividia as páginas, escritas em inglês, com uma amiga. Aos poucos esse diário embrionário foi se tornando uma ficção e o idioma já estava definido. Quando terminei o manuscrito, comecei a circular por leitores de língua inglesa e tive um feedback positivo, então fiquei animado para tentar a publicação independente nos EUA. Com o livro pronto por lá e eu morando no Brasil, queria muito poder publicar e circular a história por aqui, então fui atrás de um tradutor e de uma editora.

05 – O uso do pseudônimo foi para atrair mais leitores de forma internacional?

Na verdade não diria que é um pseudônimo. PJ é um apelido que uso desde a adolescência, porque meus colegas de escola americanos não conseguiam pronunciar meu nome, Paulo José. A maioria dos amigos, conhecidos e parentes até hoje me chamam de “Pi-Djei”, e calhou de funcionar bem para assinar um livro de fantasia.

06 – Tem planos para continuação desse livro?

Sim, já estou trabalhando no livro 2 e estou animado com as possibilidades. Acho que quem se impressionou com o final do primeiro vai ficar de queixo caído com o começo do segundo.

07 – E outros projetos?

Eu trabalho em tempo integral como produtor audiovisual e no meu tempo livre escrevo roteiros de séries e projetos de conteúdo para TV e web. Tenho dois projetos de ficção para TV em desenvolvimento mas ainda não posso dar muitos detalhes.

08 – Sobre o seu processo de escrita, alguma dica para os nossos leitores?

Eu tento determinar um número de páginas por dia e não escrever nem a mais, nem a menos. Se eu acordo e digo “Hoje eu só paro quando escrever dez páginas”, eu tento respeitar. Algumas vezes eu me forço para alcançar a meta e não gosto do que sai no dia, mas quando releio dias depois, acho interessante. Outras vezes estou super empolgado e queria até ter escrito mais, mas no dia seguinte releio e acho que não saiu nada bom. É um processo cheio de dúvidas, então o importante é produzir com disciplina, correr riscos e reescrever, sempre.

09 – E por último, um quiz bem simples, para te conhecermos melhor:

– Um filme: “A Montanha Sagrada”, de Alejandro Jodorowsky.
– Um música: “Khruangbin”
– Um tipo de comida: Vegana
– Um lugar: Divagar
– Se pudesse reescrever o final de um livro, qual seria? “O Conto da Aia”, eu esperava uma revolta, algo mais satisfatório depois de tanto sofrimento e também uma conclusão da história da Offred… mas duvido que fosse essa a intenção da autora.

SINOPSE OFICIAL:

Há duzentos mil anos, várias espécies proto-humanas vagavam pela Terra. Entre elas, uma não foi documentada: os Divinos. Esse povo imortal tinha dons e habilidades fenomenais, alimentados por um mineral misterioso remanescente de um asteroide conhecido como pedrazul.

Espírito Perdido começa num momento em que a sociedade Divina se tornou altamente sofisticada, enquanto os povos selvagens do mundo exterior ainda lutam para fazer fogo, caçar gigantes lanosos e sobreviver a uma árdua Era do Gelo.

Vivendo em Lúmen, coração da civilização Divina, KEANA MILFORT é uma garota de quinze anos que sempre foi diferente. Sua pele negra descorada e seus cabelos e olhos cor de mel são lembretes dolorosos de sua herança desconhecida. Mas agora, à beira da idade adulta, outra coisa fez com que se destacasse: todos da sua idade receberam um convite para se candidatar à LÚMEN ACADEMIA. Todos menos ela. O evento de transição é o momento em que os jovens descobrem se receberão seus próprios poderes sobrenaturais ou se serão dispensados e forçados a entrar para a desprezível categoria de REGULAR.

Frustrada por não receber um convite, a jovem não consegue se conformar com um destino angustiante como regular e decide agir. Mas se Keana conseguir trazer à luz sua herança proibida, os Divinos poderão ter de fazer sacrifícios para proteger seus poderes, seu privilégio e sua imortalidade. Mesmo que esse sacrifício seja a vida dela.

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