País Corrompido | Jéssica Anitelli e Allan Cutrim
90%Overall Score
Diagramação81%
Enredo90%
Personagens100%
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País Corrompido tem uma ideia é bem diferente de todas que eu vi por aí: uma distopia brasileira com cara de Brasil. No primeiro livro, País Imerso, sabemos que um segundo golpe militar se instaura no Brasil, o que muda a sociedade de uma maneira bem drástica. 

Nessa nova realidade, a história do país se perdeu. Além disso, não há mais escolas e ninguém é alfabetizado. Os militares são os que mandam em tudo e quem não obedece, é tratado como criminoso, os rebeldes. Os militares, de fato, são a nova elite da sociedade e se mantém nos mais altos cargos do país. 

Os rebeldes estão escondidos e até mesmo infiltrados, como é o caso da mãe de Aline. E por isso a menina aprende tudo sobre os ideais rebeldes. Antes de ingressar no serviço militar, é claro. E também é alfabetizada. Ela ainda não entende o motivo de ser tão importante. Mas, sua única certeza é de que ninguém pode descobrir o que ela sabe. 

Entretanto, por mais que Aline soubesse de muita coisa, ela não estava preparada para descobrir o que o governo vinha fazendo sem que as pessoas desconfiassem de nada. 

País Corrompido é o retrato do nosso Brasil em forma de distopia 

Em País Corrompido, assim como no primeiro livro, a história é do ponto de vista de vários personagens. Normalmente, gosto de histórias em primeira pessoa. Mas, ficou muito melhor dessa maneira. Pois, assim, conseguimos descobrir e entender o que está se passando ao mesmo tempo tanto no Complexo Militar como com os rebeldes, que agora estão em fuga. 

Sinopse: Depois de ter sua vida mudada completamente, Aline e seus amigos se veem em um caminho sem volta. O exército está atrás deles e a única alternativa é se juntar aos rebeldes. Situações colocarão seu treinamento em prova, terá que sobreviver e seguir com o plano que lhe foi confiado.
Contudo, nem todo o seu treinamento militar e suas aulas lhe preparariam para enfrentar a verdade. Enxergar a face oculta do governo. Descobrirá coisas que nunca imaginou, terá de lidar com situações nem um pouco corriqueiras, precisará se abrir, lidar com seus sentimentos, para conhecer a si mesma e assim seguir em frente.
O segundo livro da trilogia vem para tirá-lo do eixo, mostrar até aonde um governo pode ir para sustentar um sistema político.

E a promessa de nos tirar do eixo é realmente cumprida. Muito tempo depois de ler, fiquei refletindo sobre tudo o que nosso país vem passando na política, na economia e em nossos valores morais. 


Forte crítica social e narrativa fantástica

Esse é o ponto que te faz refletir no livro. Por um lado, vemos Aline que foi criada sob os ideais rebeldes e mesmo assim, não sabe de muita coisa. Por exemplo, nunca ouviu falar em democracia, não sabia que “pessoas como ela”, negras, foram escravizadas no passado por causa de sua cor, que é possível duas pessoas do mesmo sexo se amaram e nem que uma pessoa que nasceu em um corpo de homem pode se sentir como uma mulher. Pois essas pessoas eram eliminadas da sociedade. 

Jéssica Anitelli e Allan Cutrim conseguem abordar temas extremamente atuais e fazer uma crítica social em um livro distópico com muita ação e intrigas entre rebeldes e governo. 

Do outro lado, temos Alexandre, que foi criado sob os ideias do governo só para descobrir que seus pais são rebeldes. E, por mais que ele tente entrar nessa revolução, muitas coisas estão em conflito dentro dele. É difícil para ele compreender conceitos como democracia, colorismo, identidade de gênero e sexualidade. Dentro outros assuntos polêmicos!

Você é um rebelde ou um alienado?

Isso pode até ser uma distopia, mas você vê alguma semelhança com a realidade? O preconceito, a alienação sobre assuntos importantes e a vontade de uma entidade maior varrer tudo para debaixo do tapete pois acredita que sabe o que é melhor para a população. 

Em País Corrompido realmente vemos como a corrupção está intrincada em nossa cultura e em nosso país. E, que somos falhos, não aprendemos com nossos próprios erros. Sempre almejamos o poder e controle, ao invés de pensar em uma tolerância e democracia. 

Como ponto negativo, destaco alguns erros de revisão no livro. Eles não comprometem a leitura e não me incomodo. Mas, sei que tem gente que não gosta e por isso já alerto. Além disso, achei a diagramação sem muitos detalhes. O que para mim também não é um problema, mas não espere muitos floreios. E talvez isso seja bom e combine com o livro. Afinal, somos falhos e as vezes a verdade é nua e crua. 

Mas, a capa é fantástica. Me apaixonei de cara.

Sem sombra de dúvidas, País Corrompido foi um dos livros nacionais que eu mais esperei esse ano. Considero uma leitura obrigatória. E aqui deixo minha pergunta: você é um rebelde ou um alienado?

Se você gosta de distopias, muita ação e uma escrita de tirar o fôlego País Corrompido é a leitura para você!

 


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