Musicais vivem fim de uma era, dizem diretores e produtores

Última temporada de espetáculos em SP gerou 2.500 empregos; em 20 anos, mercado cresceu e se profissionalizou, conta o produtor e diretor Ulysses Cruz:

“Eu tinha duas reuniões agendadas e elas foram suspensas. Nenhuma possibilidade está sendo ouvida pelos patrocinadores. Eles dizem que a lei mudou tudo”.


O novo quadro levou a T4F, tida como pioneira da atual fase dos musicais paulistanos, a se pronunciar publicamente, questionando o governo federal por limitar os espetáculos teatrais a R$ 1 milhão e prever valor seis vezes maior aos eventos voltados a “datas comemorativas nacionais”.

O ano de 2001 é o marco da retomada dos musicais no Brasil, com a estreia de “Les Misérables”, da T4F, mas outros já vinham dando forma ao gênero. Falabella lembra o seu primeiro, “O Beijo da Mulher Aranha”, em 2000:

“Tivemos de importar a equipe técnica da Argentina, porque não tínhamos know how. Vinte anos depois, vamos desmantelar tudo o que se formou, centenas de profissionais.”

Marllos Silva, que dirige o Prêmio Bibi e também é produtor, sublinha que o Brasil se tornou exportador de profissionais, tanto atores como técnicos, e até de espetáculos, citando “A Escrava Isaura”. E que o gênero se espraiou pelo país, com produções em cidades como Belo Horizonte e Fortaleza.

“O governo, ao impor o teto, decretou o fim de uma era no teatro brasileiro”, diz ele.

A preferência por franquias ou “réplicas” da Broadway era creditada a essa distorção, mas também isso vinha mudando. Nas últimas quatro temporadas em São Paulo, os musicais com tema nacional já eram maioria. Uma das responsáveis pela mudança foi a produtora carioca Andrea Dantas, de “Elza” e outros sucessos musicais recentes —e que, também ela, trabalha com a Lei Rouanet há mais de duas décadas.

Matéria publicada na Folha de São Paulo

 

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