Publicado na Folha

Durante todo o mês de novembro, os participantes do NaNoWriMo (sigla em inglês para Mês Nacional para Escrever Romances) têm como desafio criar uma obra inédita de ficção com ao menos 50 mil palavras.

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Image courtesy of National Novel Writing Month

Para "vencer" o desafio, é preciso chegar à meta de palavras e enviar o texto no site do evento. O conteúdo das obras não é avaliado e é possível escrever em qualquer idioma.

Entre os livros criados a partir do evento, o título mais célebre é o romance "Água para Elefantes", de Sara Gruen, que figurou na lista dos mais vendidos no "New York Times" em 2011 e recebeu uma adaptação para o cinema.

A edição deste ano conta com quase 200 mil inscritos. Segundo Fernando Aires, representante no NaNoWriMo em São Paulo, mais de 2.500 são brasileiros.

Ele diz que conheceu o evento em 2009, pelo blog do escritor Neil Gaiman, notório apoiador da iniciativa. "Livro é uma daquelas coisas que as pessoas dizem que vão fazer e nunca fazem", diz.

Para ele, o maior atrativo do evento é seu caráter não competitivo. "Você não se preocupa em escrever melhor que os outros", explica.

Durante o mês, Fernando planeja escrever de 1h30 a 2h por dia. Como representante municipal, ele organiza eventos para que os participantes se conheçam fora da internet e escrevam juntos. Os encontros geralmente acontecem em livrarias e cafés.

REBELDES

No ano passado, Fernando foi um NaNoRebel -como é chamado quem burla alguma regra- e continuou a história que havia escrito em 2009.

Os Rebels, afirma, são bem aceitos pelos participantes. "Uma vez um participante propôs escrever 50 mil palavras em forma de poemas", diz.

O artista plástico Maurício Piza, 56, também foi um Rebel em 2012, quando voltou a um texto antigo para preencher lacunas narrativas. Veterano no evento, ele se orgulha de sempre ter alcançado a meta do mês e diz que os dois primeiros anos foram mais difíceis, devido à falta de costume.


Para Maurício, a idealização da obra muitas vezes impede sua concretização. "Eu descobri que para aprender uma área você tem que fazer muito daquilo."

Ele diz que o evento desperta nos participantes "a disciplina de sentar e fazer e não ter autocensura".

"É uma ótima forma de começar a escrever. Não ficar pensando na qualidade te deixa mais tranquilo", diz.

Para o artista, a companhia, os palpites e as sugestões de outros participantes são essenciais. "Tem sempre um que diz: 'Descreve o pôr do sol', e você se lembra de descrever melhor o seu cenário".

A brasiliense Bárbara Morais, 23, também diz que é mais produtiva quando escreve em conjunto. Seu livro, "A Ilha dos Dissidentes", teve início no NaNoWriMo 2011 e foi publicado este ano.

Em 2013, Bárbara se unirá aos rebeldes. Pretende continuar em novembro a sequência de "A Ilha dos Dissidentes" e adicionar as 50 mil palavras ao que já está escrito.


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Apesar de não ter conseguido cumprir a meta em nenhuma de suas participações anteriores, ela não se diz preocupada com isso. "O NaNo é mais do que conseguir uma meta. É mais importante sentar e escrever todo dia".

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