A polêmica das corujas na atração “Casa dos Bruxos” por outro ângulo

Na última quarta-feira (28) noticiamos no Burn Book a denúncia realizada pela apresentadora, atriz e ativista Luísa Mell contra a atração Casa dos Bruxos (leia aqui). Apesar da assessoria do evento e o Shopping Eldorado apresentarem suas declarações, a nossa equipe viu a necessidade de ir mais a fundo nesse caso. Por isso, entramos em contato com o adestrador responsável pelas corujas Wagner Ávila

Em entrevista, Wagner contou que o amor por animais vem desde criança quando aos 10 anos ele já ensinava pequenos truques a suas Fox Paulistinhas, Mila e Lulu. Em 84 ele iniciou a carreia amadora como adestrador de animais e a 25 anos realiza a atividade de forma profissional. No ano de 2013, mesmo com foco em corujas, ele realizou uma campanha  com a Associação Cão Guia de Cego que  conseguiu angariar fundos. Isso foi o suficiente para plantar a ideia da criação de sua agência Animal Legal.



Os profissionais dessa agência incluem fotógrafos de animais e natureza, adestradores e educadores ambientais. O objetivo deles é vender projetos educativos que envolvem animais, por isso, eles tem uma relação de muito carinho com seus bichos. Assim, para cada evento eles estudam a estrutura do mesmo para ver quais animais podem participar. 

Fonte: página Animais Legal no Facebook

No caso da Casa dos Bruxos, para facilitar a adaptação das aves, elas foram trazidas ao evento três dias antes da abertura oficial. Além disso, houve o acompanhamento veterinário no local para garantir a integridade dos animais e a presença de, no mínimo, dois monitores (incluindo Wagner e a esposa).

Na Casa dos Bruxos nós tivemos prioridade para escolher qual ambiente a gente queria. A gente escolheu o maior ambiente, com a temperatura mais alta onde o ar condicionado era mais tranquilo com a temperatura de 22ºC; a iluminação era meia luz, não tinha luz direta como disse a Luísa Mell; não podia tocar; não podiam fotos com flash; não podia ficar assobiando e provocando as corujas para elas mexerem porque elas estavam ali cochilando mesmo. Enfim, o ambiente foi feito para elas.

No post de Mell, a atriz criticou o tempo de permanência dos animais na atração, que era iniciada as 12h e terminada as 22h. O criador contou que o contrato contava com a presença de duas corujas, mas ele tinha seis em seu Plano de Manejo. Todas ali estavam em seu “peso de repouso” e, depois de alimentadas, têm um tempo de descanso de dez a quinze horas o que justifica (se o animal está confortável e calmo) não existir a necessidade da retirada do local.

O que aumentou a magnitude da polêmica foi o equipamento de segurança utilizado para conter as aves. O adestrador nos explicou que, por mais que as aves tivessem com um comportamento letárgico, havia o risco de que elas escapassem, o que ameaçaria o bem-estar das mesmas por terem nascido em criadouros. Por isso, a técnica da falcoaria foi adotada. Mas é importante lembrar que o cabo utilizado tem um metro e permite que elas ainda consigam ter movimento sem trazer nenhum perigo as mesmas.

Fonte: página Animais Legal no Facebook

Wagner acredita que eventos como esse são de extrema importância porque têm a capacidade de criar a empatia por animais que a grande maioria ignora, como as serpentes, insetos, artrópodes e animais silvestres. Para ele, criar essa identificação permite com que crianças e adultos percebam como esses animais merecem atenção tanto quanto qualquer outro.

No caso das corujas existem as crenças de mau agouro. A Tyto furcata é conhecida como Mortalha ou Suindara, o que tem relação com a morte. Aí se canta em cima da casa do cara de noite, de manhã ele aparece morto… então os caras tacam pedras. 

Bom, o que será que nosso entrevistado achou da atitude da apresentadora?

Eu acho que ela foi irresponsável porque se nós estivéssemos lá com as nossas aves e ela lá fora com 100 pessoas completamente alucinadas, agressivas, disseminando o ódio,  fazendo ameaças, ela colocaria em risco a vida das minhas aves. Então eu acho que ela teve essa irresponsabilidade. Sorte nossa é que nós estávamos em casa com a TV Record.

Mesmo com a documentação, os animais foram retirados da atração após uma ação de Luisa Mell acompanhada por representantes da PM Ambiental e do Ibama. Foi concluído que as corujas eram usadas como forma de lucro, mas Wagner defende que a presença delas era uma intervenção do Animal Legal para conscientizar, nesse caso, os fãs de Harry Potter que eles podem amar as corujas tanto quanto amam a saga.

Ela atrapalhou um evento que tinha um propósito ambiental, tinha a causa animal. Agora a causa animal do evento não tem mais. Eu acho que a atitude dela não salvou corujas. Ela não salvou as minhas corujas porque elas estão aqui em casa atreladas em cima do mesmo poleiro, fazendo a mesmíssima coisa. Devem estar cochilando porque estão em silêncio, ninguém ta batendo asa, ninguém ta batendo no puleiro, estão todas dormindo como estariam dormindo se estivessem lá no evento. Lá no evento elas estariam salvando outras corujas. Agora, por conta da Luísa Mell, elas estão em casa sem trabalho, quietinhas como sempre.

O adestrador finalizou com a informação de que já entrou em contato com seu advogado para saber como proceder. Mell já se envolveu em episódios como esse, por exemplo, no processo movido por Maria Emilia Duarte Ferreira que exigiu a devolução de quatro cães de sua família retirados de sua residência sem o seu consentimento.

 




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