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Sabe quando você sai do cinema ainda processando o tamanho do que acabou de assistir? Foi exatamente assim que me senti depois de ver A Odisseia. É como se a gente pegasse uma máquina do tempo direto para a Grécia Antiga, mas com o Christopher Nolan no comando da cabine. Quem conhece o diretor já sabe o que esperar: aquela escala monumental, visuais que te deixam de queixo caído e aquela fixação dele em brincar com a percepção do tempo e da memória. É um espetáculo cinematográfico gigante, daqueles com "G" maiúsculo, mesmo com alguns tropeços pelo caminho.

Para quem faltou às aulas de literatura, a trama acompanha o clássico mito de Homero. A história começa logo após o fim da Batalha de Troia, e o que o Nolan faz na reconstitution dessa guerra na tela é sacanagem de tão lindo. Só que a verdadeira jornada começa quando Ulisses tenta voltar para casa e os deuses resolvem transformar a viagem dele em um inferno de dez anos em alto-mar, cheio de criaturas bizarras, deusas manipuladoras e um teste bizarro para a própria sanidade dele.

O elenco principal é um show à parte, mas com um contraste bem claro: Matt Damon carrega o filme nas costas. Ele não entrega só um herói forte; o Ulisses dele é um homem esmagado por um fardo de culpa gigantesco, cheio de arrependimento pelo tempo perdido e pelas marcas da guerra. É uma atuação pesada e muito madura.

Robert Pattinson é, sem dúvidas, o grande destaque. Ele faz um vilão magnético, daqueles meio perturbados e ameaçadores que roubam a cena toda vez que aparecem. O ritmo do filme dispara quando ele está em tela.

Anne Hathaway consegue dar uma dignidade e uma força absurda para a Penélope. É de longe uma das atuações mais bonitas e pesadas dela em toda sua carreira.

Tom Holland, por outro lado, foi o elo fraco para mim. Ele entrega uma atuação bem morna como Telêmaco. No meio de um elenco tão expressivo, ele parecia meio perdido e não conseguiu passar o peso dramático que o filho de Ulisses precisava ter.

Na parte técnica, o filme é um monstro. As sequências no mar, o visual do monstro Scylla e o uso de efeitos práticos com as câmeras IMAX de 70mm justificam cada centavo do ingresso. É cinema feito para tela grande. O único problema real (além do Holland meio apagado) é que tentar socar dez anos de viagem em três horas de filme deixa o ritmo um pouco corrido e o lado emocional mais frio. Para completar, a mixagem de som tem aquele velho problema do Nolan: o barulho das ondas e a trilha sonora são tão estrondosos que, em vários momentos dramáticos, você quase precisa ler lábios para entender o que os personagens estão falando.

Mas quer saber? Mesmo com o som estourado e os errinhos de ritmo, a ambição desse projeto é tão surreal que você simplesmente não consegue desviar os olhos. É uma releitura moderna, imponente e visualmente impecável de uma das maiores histórias da humanidade. Eu adorei a experiência e já estou louco para ver de novo!

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