A gigante das telas gigantes, IMAX, começou a movimentar os bastidores de Hollywood ao explorar uma possível venda de suas operações. De acordo com informações reveladas pelo Wall Street Journal, a companhia já iniciou sondagens com grandes conglomerados de entretenimento para avaliar potenciais ofertas de compra. Fontes apontam que as discussões ainda estão em fases preliminares e existe a possibilidade de o negócio não se concretizar.
A busca por um comprador ocorre em um momento extremamente favorável para o setor de exibição premium, que vem registrando um crescimento muito acima da média do mercado tradicional. O público tem demonstrado uma preferência clara por experiências cinematográficas imersivas. Prova disso é que o faturamento dos cinemas nos Estados Unidos já atingiu a marca de US$ 2,9 bilhões este ano, consolidando o melhor desempenho para o período desde a crise pandêmica.
Nesse cenário de retomada, o formato premium ganhou ainda mais relevância. Dados da empresa de análise EntTelligence apontam que salas especiais, como as da IMAX, abocanharam 16% dos ingressos vendidos na América do Norte até o início de abril, superando os 13% registrados no mesmo período de 2021.
O avanço da marca nos últimos anos é notável. Enquanto em 2019 a IMAX detinha 3,2% da bilheteria doméstica norte-americana, no ano passado essa participação saltou para 5,2%. O sucesso foi impulsionado por superproduções como Avatar: Fogo e Cinzas e Devoradores de Estrelas, que foram promovidas como espetáculos obrigatórios para as telas de alto padrão.
Durante uma conferência com investidores realizada em dezembro, o CEO da IMAX, Rich Gelfond, demonstrou otimismo sobre o futuro da empresa. O executivo, que retornou recentemente às atividades após se recuperar de uma pneumonia grave, destacou que a companhia possui um valor estratégico imenso, seja operando de forma independente na bolsa de valores ou integrada a um grupo de mídia robusto. Atualmente, a IMAX está avaliada em aproximadamente US$ 1,85 bilhão, uma cifra considerada acessível para os gigantes do setor de tecnologia e entretenimento, apesar de suas ações acumularem uma queda de 7% este ano após subirem 40% no último verão americano.
Uma eventual aquisição, no entanto, levanta debates complexos na indústria cinematográfica. Especialistas questionam se um estúdio de Hollywood, ao assumir o controle da IMAX, daria tratamento preferencial às suas próprias produções, prejudicando o equilíbrio de concorrência com os demais estúdios que dependem da janela de exibição premium para inflar suas bilheterias.
Enquanto o futuro corporativo não se define, a IMAX expande suas parcerias com o streaming. A Netflix, por exemplo, confirmou que exibirá As Aventuras de Cliff Booth exclusivamente em salas IMAX por duas semanas antes do lançamento na plataforma. O serviço de streaming também planeja uma distribuição cinematográfica robusta para Narnia: O Sobrinho do Mago, que chegará aos cinemas de grande formato sete semanas antes de sua estreia digital.
