A Batalha do Apocalipse 
 Ano de Lançamento: 2010 
 Número de Páginas: 586 páginas 
 Editora: Verus
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Se você faz parte do meio Nerd/Geek concerteza já ouviu falar de A Batalha do Apocalipse, se nunca ouviu falar me pergunto em que realidade alternativa você esteve nesses últimos tempos e o aconselho a providenciar rapidamente essa obra que será uma daquelas em que você se verá preso pagina após página.


 

Sou adepto da literatura fantástica desde criança e o tabu em relação a escritores brasileiros criados a tantos anos, começam a cair com obras como a de Spohr, isso é motivo de felicidade e orgulho por mostrar que no país também pode surgir literatura fantástica de qualidade e com conteúdo.
 
A mitologia criada, assimilida e reformulada por Spohr é um apanhado de costumes nerds, histórias milenares, locais históricos, animes, rpgs e outros livros fantásticos, que juntos conseguem cativar, encantar e entreter na sua linguagem ágil, nos seus momentos de calmaria e reflexões até os momentos de embates épicos que fazem o leitor sentir-se parte daquele universo. 
 
Logo no início somos transportados para o Monte Tsafon e presenciamos um combate espetacular entre os arcanjos Uziel e Miguel. A idéia parte do pressuposto que Yahweh (nome atribuído a Deus por Spohr) criou o universo não em dias, mas em Eras, que por si só, são constituídas de bilhões de anos. Os dias, assim, seriam marcadores que separam uma Era da outra. Sendo assim, quando Yahweh descansa ao sétimo dia, ele cai em sono profundo, que só será despertado no fim dos tempos, quando o Armagedon se concluir e o Universo ruir, recompensando os justos e punindo os perversos. 
 
Assim sendo, Deus não estava presente durante todos os massacres empreendidos pelos arcanjos e por isso não interveio. Desde que Ele imergiu no Sétimo Dia, as hordas angélicas são governadas pelo seu primogênito, Miguel, o primeiro dos Arcanjos, Ambicioso, poderoso,feroz, perverso, Miguel empreende chacinas à humanidade, por acreditar se tratar de uma espécie inferior e que não deve ser adorada. 
 
Indo contra as idéias do Príncipe dos Anjos, Ablon, um general querubim (casta de anjos guerreiros) monta uma conjuração e busca uma forma de derrubar o arcanjo do comando. 
 
Com apoio de mais dezessete aliados, Ablon tenta conseguir apoio com Lúcifer (um dos 5 arcanjos), mas acaba sendo delatado pela Estrela da Manhã e expulso do Paraíso, bem como seus confrades. São, portanto, renegados, incapazes de habitar quaisquer partes do Plano Etéreo ou Astral. Cada anjo, para se materializar na Terra, precisa atravessar o Tecido de Realidade que encobre a verdade dos nossos olhos, e desprender um pouco de sua essência para formar um avatar (corpo humano). Ablon, por ser um renegado, está preso eternamente ao seu avatar. 
 
Ao longo da História, Ablon participa de vários momentos, que na minha leitura foram memoráveis, pois foram como uma fantástica aula de história, seguindo a linha do tempo, citando a criação do universo, a submersão de Atlântida, a construção da Torre de Babel, o apogeu do Império Romano de César Augusto, bem como o nascimento da criança sagrada (Jesus Cristo), sempre acompanhado da bela feiticeira Shamira, por quem nutre um amor incondicional. O que busca é a tão sonhada oportunidade de confrontar Miguel e fazer valer os ideais pelos quais lutou durante tanto tempo. 
 
A escrita de Spohr, dotada de uma eficiente e moderada formalidade, transmite uma aura profissional e experiente, de modo que é até estranho pensar que A Batalha do Apocalipse é seu primeiro livro. A obra, por sua vez, não pode ser descrita como leve, tendo mais de 580 páginas (contando os apêndices), recheadas de texto com diagramação apertada. Essas características podem assustar leitores mais casuais, porém o desafio de mergulhar nesse oceano de palavras é valido, já que proporciona ao leitor uma épica aventura, capaz de abraçar toda a história da humanidade. 
 
Outro ponto interessante é o estilo narrativo. O livro é contado na atualidade em terceira pessoa, mas os eventos históricos são todos narrados em primeira pessoa. Mas uma infinidade de outros personagens cruza as páginas de “A Batalha do Apocalipse”, alguns, é óbvio, recebendo melhor tratamento por parte de Spohr. É o caso dos anjos Aziel e Sieme e dos demônios Orion e Amael, estes dois últimos conseguindo surpreendentemente inspirar simpatia, apesar de serem o que são. Já o anjo caído Apollyon surge como a nêmesis estereotipada de Ablon, enquanto Miguel faz o papel do tirano cruel e intransigente. O arcanjo Gabriel, por outro lado, talvez seja o mais tridimensional dos personagens, e um dos meus personagens favoritos.
 
As cenas de ação são habilmente descritas e convincentes em sua grande maioria, acentuando o clima épico do romance. O autor falha, porém, em muitos dos diálogos, que parecem saídos diretamente de desenhos japoneses. A cena em que determinado personagem explica a seu adversário tintim por tintim como conseguira resistir a seus ataques, por exemplo, é tão artificial que ficaria perfeita em num episódio de Cavaleiros do Zodíaco. (Quem já me viu atuando esses diálogos dos “Cavaleiros” sabe minha opnião sobre o mesmo..argh), Da mesma forma certos diálogos entre Ablon e Shamira são de uma pieguice sem tamanho, e outros apresentam intervenções desnecessárias e incrivelmente expositivas. Nada que atrapalhe o entretenimento, no entanto – apenas creio que seria mais indicado confiar um pouco mais no leitor. 
 
Sustentando um clímax de quase 80 páginas sem comprometer a grandiosidade dos acontecimentos, “A Batalha do Apocalipse” conta com algumas reviravoltas muito bem amarradas, e fecha com um final bastante enigmático, o que torna perdoáveis os erros da narrativa. Eduardo Spohr sai-se bem em sua estréia, com uma obra fantástica de qualidade, entretenimento de um tipo difícil de encontrar por aí. Vale a pena. 
 

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