A Maldição do Tigre
Autora: Colleen Houck
Lançamento: Novembro de 2011
Editora: Arqueiro
Páginas: 352
Resenha por: Guilherme Cepeda
 
 
 
 
 
 
 
 
Kelsey Hayes perdeu os pais recentemente e precisa arranjar um emprego para custear a faculdade. Contratada por um circo, ela é arrebatada pela principal atração: um lindo tigre branco.

Kelsey sente uma forte conexão com o misterioso animal de olhos azuis e, tocada por sua solidão, passa a maior parte do seu tempo livre ao lado dele.
O que a jovem órfã ainda não sabe é que seu tigre Ren é na verdade Alagan Dhiren Rajaram, um príncipe indiano que foi amaldiçoado por um mago há mais de 300 anos, e que ela pode ser a única pessoa capaz de ajudá-lo a quebrar esse feitiço.
Determinada a devolver a Ren sua humanidade, Kelsey embarca em uma perigosa jornada pela Índia, onde enfrenta forças sombrias, criaturas imortais e mundos místicos, tentando decifrar uma antiga profecia. Ao mesmo tempo, se apaixona perdidamente tanto pelo tigre quanto pelo homem.

A maldição do tigre é o primeiro volume de uma saga fantástica e épica, que apresenta mitos hindus, lugares exóticos e personagens sedutores. Lançado originalmente como e-book, o livro de estreia de Colleen Houck ficou sete semanas no primeiro lugar da lista de mais vendidos da Amazon, entrando depois na do The New York Times.

“Um romance delicado e uma aventura capaz de deixar o coração a mil por hora. Eu vibrei e roí as unhas. A maldição do tigre é mágico!” – Becca Fitzpatrick, autora da série Sussurro

Antes de começar essa resenha, há alguns fatores que devem ser levados em consideração. Primeiramente, o livro me ganhou pela capa, mesmo antes de ler a sinopse ou pesquisar sobre ele, sabia que entraria para lista de (“Livros que eu compraria pela capa”). Agora acrescente ao “pacote” uma citação de Becca Fitzpatrick, autora da série Sussurro. Uma história envolvente, ligada a um romance de tirar o folego e uma pitada de aventura, com modelos bastante conhecidos como os apresentados em Indiana Jones e Percy Jackson (pela mitologia indiana em si, seus mitos, crenças e cultura). Juntando tudo isso, posso começar a resenha de “A Maldição do Tigre”.

Kelsey é uma adolescente de 17 anos, que já passou por várias situações complicadas na vida, inclusive a perda dos pais, que a levou a ter um amadurecimento significativo em relação ao esperado para uma menina de sua idade. Com a chegada do verão, ela procura um emprego temporário, e vê num circo que estava passando pela cidade a oportunidade perfeita para ganhar o seu próprio dinheiro e bancar os seus estudos na faculdade. Ela sabia que o trabalho não seria fácil, começou vendendo ingressos na bilheteria do circo, até que passou para o seu trabalho principal, cuidar de um tigre branco, de olhos azuis que tinha um olhar hipnotizante que, às vezes, chegava a ser ameaçador.

''Olhei dentro daqueles grandes olhos azuis e sussurei: Queria que você fosse livre. '' pág 41.
 
No decorrer do tempo, ela começa a passar mais tempo com o tigre, compreendendo a solidão e sentindo um desejo de liberta-lo, mas como isso não era possível, ela se contenta em passar cada intervalo do trabalho lendo poesias, conversando com ele, o que acabou resultando em uma estranha ligação com o animal. Mas o que ela não sabia, é que isso seria apenas o começo de uma aventura que estava prestes a mudar sua vida para sempre.

O tigre que Kelsey foi contratada para cuidar,é na verdade Alagan Dhiren Rajaram (Ren para os íntimos), um príncipe indiano que foi amaldiçoado por um mago há mais de 300 anos, condenado a viver pelo resto de sua vida como um tigre, que poderia voltar a forma humana durante 24 minutos por dia, e ele está convicto de que ela pode ser a única pessoa capaz de ajudá-lo a quebrar esse feitiço.

A partir daí , eles embarcam em uma aventura pela Índia para tentar quebrar a maldição de Ren, enfrentando forças sombrias, criaturas imortais e conhecendo mundos místicos que antes só eram “ilustrados” e contados na mitologia hindu. Tudo está ligado a uma antiga profecia e rituais antigos, que só vão aproximar mais os dois. E o resultado disso é que Kelsey se apaixona perdidamente tanto pelo tigre quanto pelo homem.

A improvável atração entre um tigre e uma adolescente logo passa a ser um amor intenso entre homem e mulher, capaz de tornar possível o impossível.

Bom, sem deixar spoilers a vista, eu só posso falar até aqui, acho que já deu pra vocês terem uma boa ideia do que se trata o livro e o quão à trama é envolvente. Colleen Houck conseguiu me pegar de jeito, juntou todos os elementos que eu gosto de ver nos livros num só, tornando “A Maldição do Tigre” um livro mágico, entrando pra lista dos melhores livros que eu li esse ano.


Kelsey é uma garota determinada, se mostra uma personagem interessante e madura desde o começo do livro, correndo atrás de seus objetivos e não se deixando levar pela aparência de garota fraca e influenciável que estamos acostumados a ver em outros livros por ai. Não é qualquer garota que aceitaria ir de uma hora pra outra para a Índia, e devida as circunstancias do livro acho que foi uma grande jogada da autora, pois ela explorou tanto a maturidade forçada pelos acontecimentos anteriores ao livro na vida de Kelsey, quanto a curiosidade e ânsia por novas aventuras, características marcantes dos adolescentes de hoje em dia. (Me senti velho usando essa frase, mas ok!)

Já Ren é o “modelo” perfeito que normalmente encontramos nos YA com algo a mais, na visão de Kelsey ele é a mistura de Antonio Banderas + James Bondes + Brad Pitt, uma combinação fatal de pele dourada e olhos azuis. Mas como a aparência não é o fator mais importante a ser levada em consideração, ela já tinha se apaixonado pela forma de “Tigre” de Ren, e quando ele revela o seu verdadeiro ser, fora da maldição, acabou sendo meio que um “bônus” pra ela. Ren é cavalheiro, atencioso e faria tudo por ela, parte disso se deve por ele ter vivido num período muito antigo, cerca de 300 anos atrás, e mesmo tendo ficado aprisionado em sua forma de tigre, não perdeu sua humanidade e acaba sendo o personagem destaque do livro.

''Fiquei paralisada quando ele levou minha mão lentamente aos lábios e beijou sua palma. Minha mão formigava.'' pág 213.

O livro tem singelas relações com a cultura pop, mas também tem o seu momento clássico, com citações e referencias a William Blake, com “O Tigre”, e alguns filmes bastante conhecidos e aclamados no cinema, como “E o vento levou” e “Romeu e Julieta”. A narrativa é envolvente, vai de situações de tirar o folego, colocando o leitor diretamente na cena, até momentos “calientes” encantadores, sem o apelo para tornar o livro um romance maçante. Colleen Houck soube trabalhar muito bem o desenvolvimento do livro, e uma coisa que me chamou a atenção foi a riqueza dos detalhes que ela usou para descrever cenas, paisagens e até o próprio Ren em algumas passagens, dando a impressão de que o tigre branco estava se aproximando cada vez mais, pronto para dar o bote e levar o livro com ele. (ok, momento brisa)

A diagramação está perfeita, a Editora Arqueiro manteve os detalhes da versão original, tanto na divisão dos capítulos que têm uma grafia que lembra alguns elementos indianos, quanto nos bilhetes ou passagens do livro que tem uma fonte diferente, algo próximo de uma grafia rebuscada de antigamente.

Um romance vibrante, com traços de aventura, levando o leitor a uma viagem pela Índia e ao mesmo tempo apresentando alguns mitos e costumes locais muito interessantes até então desconhecidos (pelo menos por mim), pois ao contrario da mitologia greco/romana, egípcia e nórdica, a mitologia e os deuses hindus não são muito explorados na literatura atual.

“A Maldição do Tigre” não terminou do jeito que eu esperava, a autora nos leva a criar teorias, e eu esperava um final meio que clichê, mas foi totalmente o contrario do que eu pensava, acabando com um “gancho” para o próximo volume da série, “O Resgate do Tigre”, que não tem previsão para sair aqui no Brasil.

Recomendo a todos que gostam de romances, aventura e que querem conhecer um pouco mais da mitologia Hindu. “A Maldição do Tigre” é uma boa pedida para aqueles que querem fugir de anjos, vampiros e afins, e mesmo algumas pessoas tendo comparado o livro a série Twilight, a história não tem nada a ver, e é muito mais rica, tanto na narrativa quando no desenvolvimento do mesmo, da pra perceber que a autora pesquisou muito antes de escrever e sabe do que está falando (mesmo ela tendo se inspirado na série de Stephenie Meyer para começar a escrever o seu livro). Se quiser saber mais sobre a história do livro, e essa estranha relação com Twilight, confira no vídeo abaixo uma entrevista muito boa com a autora.

– Quem você pensa que eu sou? Indiana Jones? Acho melhor você saber que não tenho nenhum chicote nesta mochila! – Gemi e me voltei para Ren. Indicando o caminho do outro lado do abismo, eu disse: – Suponho que é nesta direção que devemos ir, certo? – Página 132

 
 
Para ler um trecho do livro, clique aqui.
 

– Capa americana

Tiger's Curse


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1. A Maldição do Tigre
2. O Resgate do Tigre
3. Tiger's Voyage
4. Tiger's Destiny

*A Editora arqueiro divulgou no twitter, que estão previstos 5 livros para a série.
 

Colleen Houck fala sobre "A maldição do tigre"
 

 

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