Resenha: Corte de Espinhos e Rosas, Sarah J. Maas 3
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Resenha: Corte de Espinhos e Rosas, Sarah J. Maas

Feyre hesita apenas por um segundo, tempo suficiente para se convencer de que aquele lobo não é um feérico, de que ele é apenas um grande animal que além de sanar a fome de sua família por vários dias, irá render um bom dinheiro com a venda de sua pele, então ela mira e atira. E enquanto ela retira a pele do animal, ela pensa mais de uma vez que aqueles olhos são pouco animalescos.

Ao chegar em casa ela se depara com a dura realidade em que sua família vive, num pequeno casebre, tão diferente da imensa mansão em que um dia eles viveram, antes de seu pai perder a fortuna da família e levar todos para a miséria.  Ela se depara com a frieza de sua irmã mais velha, com a indiferença de seu pai e com as poucas palavras gentis que sua irmã do meio arrisca em sua direção. Elas não eram velhas demais para se adaptar sem ressentimentos, velhas demais para de fato porem a mão na massa, e assim Feyre assume todas as responsabilidades – manter sua família viva, tudo por causa de uma promessa feita no leito de morte da mãe que nunca a amou tanto. Mas para os humanos uma promessa é tudo, e ela vai cumprir a sua.

A carne foi cortada e seca,  a lenha cortada, as costumeiras brigas tidas, palavras duras ditas, as peles vendidas e o dinheiro pego, ela pensou que finalmente teria um pouco de paz no inverno cruel que estava se desenvolvendo, contudo quando a porta é escancarada e uma besta enorme invade uivando e gritando, perguntando quem havia matado seu amigo. Feyre havia matado o lobo, que no fim das contas era um feérico e agora ela tinha duas opções: morrer de forma dolorosa como ele havia morrido ou ir com a fera que estava parada em sua sala e nunca mais voltar ao reino humano.

Se ela morresse não poderia fugir, se ela fosse talvez pudesse voltar algum dia… ela decidiu ir, mas Feyre não esperava encontrar metade do que encontrou, não esperava sentir metade do que sentiu e não esperava se ver em meio a uma intriga que dura séculos, pois uma coisa é certa, nada é o que parece.

– Porque eu não iria querer morrer sozinha – falei, e minha voz falhou quando olhei para Tamlim de novo, me obrigando a encará-lo. – Porque eu iria querer que alguém segurasse minha mão até o fim, e um pouco depois disso. Isso é algo que todos merecem, humanos ou feéricos.

Da mesma escritora de Trono de Vidro, Corte de Espinhos e Rosas chega para confirmar que Sarah J. Maas veio para ficar no gênero fantástico, a mulher arrasa nas releituras e coloca um bocado de originalidade na trama e personalidade em seus personagens que te encanta desde as primeiras páginas.

Feyre já nas primeiras páginas nos apresenta uma realidade bem dura, onde a pobreza e fome são os centros de tudo, nos apresenta também um mundo onde os humanos são minoria e os feéricos vivem além das fronteiras impostas pelo tratado. Ou seja, há muito rancor e medo por parte dos humanos, até mesmo ódio daqueles seres que séculos antes mataram milhares de humanos numa guerra terrível.

Então quando Feyre é levada para este mundo ela vê tudo com olhos cheios de suspeita e assim como ela vamos aos poucos descobrindo os mistérios do mundo feérico e os limites entre a verdade e a mentira de tudo que ela aprendeu sobre eles durante anos.

 

– Alguém já cuidou de você?- perguntou ele, baixinho.

– Não – respondi, simplesmente. Havia muito tempo tinha deixado de sentir pena de mim mesma por causa daquilo.

Claro que encontramos personagens feéricos para lá de cativantes né? Afinal é um romance também, contudo amei a maneira como a escritora fez as coisas fluírem de maneira a tudo ser coerente, Feyre não deixa de ser quem é, não abre mão de seus costumes e crenças facilmente e quando o faz, bem, só o faz por perceber que estava de fato errada em algumas coisas, contudo é encantador ver como ela se mantém fiel a si mesma e como passa a se descobrir como pessoa, ao ter, finalmente, o peso da responsabilidade de outras vidas tirada de suas costas.

– Não. – Olhei de um para o outro. Loucura. Aqueles seres letais, imortais, realmente não tinham nada melhor para fazer que aquilo? – É isso mesmo que querem saber a meu respeito? Se acho que são mais bonitos que machos humanos, e se tenho um homem em casa? Para que perguntar isso, se ficarei presa aqui pelo resto da vida?

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Guilherme Cepeda
Guilherme Cepeda é podcaster, blogueiro e escritor. Pós-Graduado em Marketing e apaixonado por tecnologia e literatura desde sempre, em 2010 resolveu criar um blog para compartilhar sua opinião com os amigos. Jamais imaginaria que o projeto chegaria tão longe, tornando-se hoje o Burn Book, um dos maiores portais de literatura jovem do Brasil. Escreveu em co-autoria os livros da série Minha Vida, e em seu trabalho mais recente, já pela Editora Burn Books, publicou o conto “Estarei em Casa para o Natal” na antologia que leva o mesmo nome, também foi publicado em outras antologias pelas Editoras Wish, Villa-Lobos e Rouxinol. Guilherme é co-criador do Podcast “BurnCast”, o qual é responsável pela edição, pós-produção e roteiro há mais de um ano.

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