Estilhaça-me
Autora: Tahereh Mafi
Páginas: 304
Editora: Novo Conceito
Resenha por: Guilherme Cepeda

 

 

 

 

Juliette nunca se sentiu como uma pessoa normal. Nunca foi como as outras meninas de sua idade. O motivo: ela não podia tocar ninguém. Seu toque era capaz de ferir e até matar.

Durante anos, Juliette feriu e, segundo seus pais, arruinou o que estava à sua volta com um simples toque, o que a levou a ser presa numa cela.

Todo dia era escuro e igual para Juliette até a chegada de um companheiro de cela, Adam. Dentro do cubículo escuro, Juliette não tinha notícias do mundo lá fora. Adam ia atualizando-a de tudo.

Juliette não entendeu bem o que estava acontecendo quando foi retirada daquela cela e supostamente libertada, ao lado de Adam, e se vê em uma encruzilhada, com a possibilidade de retomar sua vida, mas por caminhos tortuosos e totalmente desconhecidos.


Estilhaça-me, uma mistura que deu certo. Junte um pouco de aventura, com muito romance e uma pegada de X-men e  você terá a receita perfeita para o romance de estreia da autora Tahereh Mafi.
Eu não sou LOUCA!
O primeiro ponto a ser levado em consideração é que a estrutura do livro é única. Estilhaça-me é escrito em forma de “diário”, e a autora usou um jogo de palavras que dá ao leitor a impressão de estar dentro da cabeça da protagonista, interagindo com o ambiente por meio de sua escrita poética e cheia de metáforas. Outro recurso pouco explorado nos livros, a questão do “tachado” para retratar o estado de sanidade da protagonista, que pode irritar um pouco os leitores no começo, mas com o desenvolver do livro, da pra perceber que as partes “rabiscadas” são importantes e acabam complementando a história.
Conheça Juliettetrancafiada sozinha há 264 dias em uma cela, sem contato algum com o mundo exterior, a beira a sanidade humana, caminhando para a loucura, tanto que repete no decorrer do livro, diversas vezes a frase “Eu não sou louca”  e ela é diagnosticada como louca por conta de seu “dom” (maldição). Seu toque pode matar.
Sou um ser composto por letras, um personagem criado por sentencas, uma invenção da imaginação formada de ficção.
Uma das necessidades básicas do ser humano é a comunicação, o toque e relacionamento com os outros, eu não consigo me imaginar na mesma situação dela, deve ser algo muito torturante ficar sem conversar/tocar em alguém por todo esse tempo, mas sua vida muda de uma hora pra outra, quando uma pessoa é introduzida em seu “mundinho”, um menino.
Adam é um personagem cativante, diria que ele veio pra salvar a história. Ele é dedicado, confiante, vulnerável e ao mesmo tempo protetor em relação a Juliette. Ambos os personagens se desenvolvem durante a narrativa, e percebemos que eles são iguais em diversos sentidos, não precisam de nada mais do que um do outro, eles se completam.
Ele é um banho quente, uma respiração curta, 5 dias de verão pressionados em 5 dedos escrevendo histórias em meu corpo.
No meio de tudo isso, Juliette é forçada a trabalhar para Warner, comandante da instituição onde Juliette estava aprisionada. Ele é um vilão em todos os sentidos, hora você vai acreditar em suas palavras, acreditando que o que ele faz é para o bem de Juliette, e que de alguma forma, assim como Adam, ele também se importa com ela, outra você vai odiá-lo e se perguntar o por quê de ele usar Juliette para sua causa, se tudo tem um propósito. Tahereh desenvolveu Warner como um personagem “coringa”, ele é muito parecido com Juliette, ambos tiveram infâncias difíceis, seja pela indiferença dos pais ou pela questão dos “poderes”. Ambos foram reprimidos pela sociedade, das necessidades básicas de se sentir amado por alguém, e mesmo com todos esses itens, eles reagiram à vida de formas diferentes. Warner se transformou em um líder obsessivo, com sede de poder, e Juliette continuou com o senso de compaixão e protetora de uma pessoa racional.
“Não confunda estupidez com braveza, amor. Eu sei que você não come nada há dias.”
Algo estalou em minha paciência. “Eu preferia morrer a comer sua comida e ouvir você me chamando de amor”, eu respondi.

 

Estilhaça-me é um livro envolvente, com as características marcantes dos sucessos distópicos, tem tudo para ser um Best-Seller, personagens marcantes, uma narrativa que não cansa, mas peca no quesito da história, que leva muito a relação com o X-men. Como fã de X-men, eu não pude deixar de notar as semelhanças, desde a Juliette com a Vampira (personagem de X-men que tem o dom de torturar/”roubar” o poder dos outros com o toque, quanto a algumas coisas que acontecem no decorrer do livro que contariam como spoiler, esse é o único ponto negativo do livro, que alguns podem contar como falta de originalidade e dependendo do ponto de vista pode até ser considerado como um leve cópia, mas pra mim foi uma inspiração que a autora não soube desenvolver para perder essa ideia relacionada a série de mutatantes, mas tirando isso, recomendo Estilhaça-me para os leitores que gostam de uma boa distopia e também para aqueles que procuram um romance com um misto de aventura + super poderes, e como consideração final deixo a seguinte frase: Leia para tirar as sua próprias conclusões, e mal posso esperar por UNRAVEL ME, que tem seu lançamento previsto para o dia 5 de fevereiro de 2013 nos EUA.

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– Capa Original:

 

– Book Trailer
 

 

 

 

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