Centenas de anos antes, os seres humanos tiveram que deixar um terra super populada para desbravar o espaço em busca de um novo lar, a espécie evoluiu em diferentes níveis e todos foram divididos em castas definidas por suas cores, os Ouros são aqueles no poder, e os Vermelhos são os únicos capazes de viver, trabalhar e fazer o necessário debaixo da terra marciana para tornar o planeta habitável para todos aqueles que precisam de um novo lar.

Darrow é um vermelho mergulhador-do-inferno, responsável por cavar os buracos do qual o Hélio é extraído para que a superfície de Marte se torne habitável o mais rápido possível, sua família faz isso há gerações, e ele é o mais novo a ter esse cargo, e o melhor que já existiu, assim ele tem certeza de que dessa vez a Lórea será deles, da sua tribo, afinal os números não mentem e ele recolheu mais do que era necessário para vencer. E nada pode abalar seu bom humor, nem mesmo os guardas cinzas sendo folgados.

Mas quando a celebração chega e a Lórea vai para os Gama algo dentro dele se rebela, isso não é justo, a bosta da Lórea é só uma maneira de fazer com que eles continuem correndo o máximo que podem em cima do queijo que eles nunca vão alcançar, é demonstração de poder e Vermelhos não tem poder, só missões. Tentando apaziguar os ânimos do marido, Eo o leva para um lugar que ele pensou que nunca fosse ver em vida, algo que ele achou que estava a dezenas de anos no futuro, ela o levou para a superfície e ele viu o céu nascer.

Eles foram castigados por isso, ele teve as costas destruídas por chicotadas e Eo cantou a canção que ninguém deve cantar e por isso foi morta, eles levaram tudo o que ele mais prezava, levaram a mulher que ele amava, e ele nunca vai se esquecer do olhar no rosto do Ouro que mandou enforcá-la. Nunca.

Então quando desmascaram a grande mentira a respeito de Marte, Darrow não hesita nenhum segundo quando pedem que ele se junte a rebelião, ele fará o impossível, se infiltrará entre os Ouros e os derrubará um por um, livrando seu povo da escravidão pintada de pioneirismo heroico.

“Vocês não me seguem porque eu sou o mais forte. Pax é o mais forte. Vocês não me seguem porque eu sou o mais inteligente. Mustang é a mais inteligente. Vocês me seguem porque não sabem para onde estão indo. Eu sei.”

Para fãs de distopias futurísticas com um alta gama de ficção e tecnologia, bem ao estilo Jogos Vorazes e com uma atmosfera que lembra filmes que se passam no espaço como Star Wars, Pierce Brown veio para marcar o gênero e ficar nas paradas.

Narrado em primeira pessoa do ponto de vista de Darrow o livro tem um ar carregado como só narradores masculinos são capazes de nos dar, Brown não nos poupa de uma boa dose de masculinidade, mas também sabe dosar o suficiente para não acharmos o protagonista um babaca e cá entre nós, ele sabe o poder das mulheres e as respeita, machismo zero, o que é muito bem vindo também.

No início tudo é bem confuso, ele te joga num mundo novo – literalmente já que estamos em Marte -, com seres humanos desenvolvidos em diferentes níveis e organizações políticas totalmente novas, contudo o livro começa a se explicar e tudo faz sentido, é denso, são muitas informações, mas como o protagonista também é bem leigo no quesito sociedade, uma vez que ele não sabia da existência dessa última, as explicações não são maçantes e são claras.

“Eu poderia ter vivido em paz. Mas meus inimigos me trouxeram a guerra.”

Não explicarei muita coisa, pois não quero estragar a surpresa, porém o clima é maravilhoso, principalmente depois que ele integra a rebelião e não pense que estamos em um livro tranquilo, aqui temos muitas lutas, mortes e guerras, sangue não é poupado queridos, e tudo isso faz parte de um esquema maior.

Outra coisa que merece destaque são os personagens secundários, há muitos e com diferentes funções, mas os Ouros se mostram bem interessantes, alguns, como Roque, Sevro e Mustang, bem mais que outros, porém é bom notar que esse não foi um livro de uma única estrela, por mais que Darrow se destaque.

Contudo o que fecha o livro muito bem é que Darrow se transforma em algo que ninguém esperava, e ao longo do livro o vemos se questionar em muitas coisas, aprender sobre seu povo e seus inimigos e observar cuidadosamente o que é necessário para vencer, mas também se questionar o que é vencer exatamente. Se preparem para uma leitura intensa, insana, cheia de reviravoltas, referências, novidades e um clima antigo num cenário novo e eletrizante. Só não favoritei pois quero ter certeza que a trilogia vale a pena, como um todo, o que eu acho que vai valer.

“Ninguém saca o jogo, porque ninguém conhece as regras. Ninguém segue o mesmo conjunto de regras. É como a vida. Alguns acham a honra um valor universal. Alguns acham que as leis criam laços entre os indivíduos. Outros sabem que não é bem assim. Mas no fim, os que ascendem ao poder por meio do veneno não são os mesmos que morrem por veneno?”

O livro ganhará sua adaptação cinematográfica pela Universal Pictures. A direção será de Marc Forster, que dirigiu “007 – Quantum  of Solace” (2008) e “Guerra Mundial Z” (2013) e o próprio autor trabalhando nos rascunhos do roteiro.

Resenha: Fúria Vermelha, Pierce Brown
98%Pontuação geral
Capa100%
Enredo90%
Narrativa100%
Personagens100%
Votação do leitor 3 Votos
79%

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