Resenha: Invisível, de David Levithan e Andrea Cremer 3
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Resenha: Invisível, de David Levithan e Andrea Cremer

Depois de ter lido TODO DIA, passei a sofrer de paixonite pelo LEVITHAN. A linguagem poética, o amor tão forte, tão lindo, tão puro que unia os personagens, os obstáculos que eles enfrentaram… Tudo isso fez com que eu passasse a morrer de amores pelo autor e virasse fã do homem. Por causa disso, claro que quando o lançamento de INVISÍVELfoi anunciado dei aquela pequena surtada. Não procurei saber muito sobre o livro, pois se era do DAVID, queria ler. E foi nesse embalo que fui surpreendida do começo ao fim.

Ao iniciar a leitura e deparar com um Stephen VERDADEIRAMENTE invisível levei um choque! Sim, achei que a invisibilidade era algo metafórico! Pensei que seria um livro sobre um jovem que não recebia atenção, que era ignorado e negligenciado. E já no início fui surpreendida por um menino REALMENTE invisível, que não tinha respostas do porquê de ser assim. Foi louca para entender as explicações para a invisibilidade do protagonista que grudei no livro e não soltei até terminar. Com a mesma linguagem poética e contagiante de TODO DIA, LEVITHAN nos insere no cotidiano de Stephen, um garoto tão diferente e tão brilhante. Fico fascinada com a criatividade do autor para criar personagens tão peculiares e dar a eles características tão belas, fazendo com que suas palavras nos emocionem do início ao fim. Não consigo ler um livro do DAVID e não sentir um aperto no peito, uma coisa gostosa dentro de mim. Ele é espetacularmente perfeito com o uso das palavras. E sim, chorei várias e várias vezes. Não, o livro não é tão triste quanto TODO DIA, mas Stephen tem seus maus momentos e foi impossível ficar indiferente nessas situações.

INVISÍVEL foi escrito a quatro mãos, e não sei se foi como em WILL & WILL, em que cada autor foi responsável por um protagonista, mas acredito que não tenha sido o caso aqui, ou até tenha sido, mas só em determinados momentos. Explico…

Senti o mesmo toque da narrativa de TODO DIA em TODAS as páginas deINVISÍVEL. Até certo momento, achei que o livro era realmente no mesmo molde do anterior. Foi quando fui completamente surpreendida ao perceber que estava frente a uma história SOBRENATURAL! Pasmei! Não fazia ideia! Não tinha noção que isso aconteceria! (pois, mais uma vez, não tinha lido a sinopse, rs). E tenho certeza de que foi aí que os dedinhos e imaginação da CREMER entraram em ação. Até perceber que o livro enveredaria por esse rumo, tinha certeza de que Stephen era como A., alguém sem face e que nos deixaria sem explicação sobre sua vivência nesse mundo, mas ao ganhar o toque sobrenatural a história passou a ficar ENORME!

De repente, a participação dos personagens foi crescendo, e o livro que se anunciava como um romance lindo, tornou-se algo muito maior. A cada revelação sobre a maldição que acompanhava Stephen fui ficando mais interessada para ver o que os autores aprontariam, quais ideias teriam para explicar as condições do garoto, e a cada página fui ficando mais e mais surpresa com o quê esses dois autores prepararam. Foi simplesmente sublime acompanhar a história dos porquês de Stephen. A cada pitadinha explicada meu coração explodia de emoção. A cada pontinho contado, minha satisfação deixava de encontrar limites, tão fantástica foi a experiência com a leitura.

Confesso que ainda não li a série da CREMER, mas fiquei bem curiosa após essa experiência com INVISÍVEL. Se a mulher se sair 50% como com esse livro, tenho certeza que estou perdendo uma série incrível!

Gostei de tantas coisas em INVISÍVEL que fico sem saber o que citar primeiro: a invisibilidade de Stephen e sua tristeza foram capazes de deixar o coração apertadinho; a presença de Elizabeth foi fabulosa, o tipo de adolescente que AMO! Nada mimizenta, bastante pé no chão, disposta a ajudar e sincera com seus sentimentos. Aliás, a forma como o romance foi abordado também foi sublime! Sei que já repeti essa palavra durante a resenha, mas não tem adjetivo que defina melhor. Os garotos são maduros em relação ao amor, em relação à condição deles e tornam o sentimento realmente grandioso e verdadeiramente sincero. É o tipo de livro que o sentimento transborda das páginas e inunda o leitor, sendo capaz de nos tocar profundamente. Aliás, começo a crer que esse é um dom especial que LEVITHAN tem. 

Além dos protagonistas, INVISÍVEL conta com outros personagens espetaculares, como o irmão de Elizabeth, Laurie, que é um garoto adorável que passou por uma situação bem ruim e ainda assim não perdeu o bom humor, alguns amigos que aparecem pelo caminho para ajudar Stephen quanto sua invisibilidade, e o vilão <3. Toda boa trama sobrenatural precisa de um bom vilão, e aqui temos um que está à altura de ser chamado de malvado! Gente, que personagem! Claro que o odiei e que ele fez aflorar todos os sentimentos ruins possíveis, mas esse é justamente seu papel nesse grandioso enredo. 

INVISÍVEL é um livro tocante e ao mesmo tempo uma aventura cheia de ação. Fiquei completamente apaixonada. O final foi surpreendente, desses dignos de LEVITHAN e de uma caixa de lenços. Quando terminei, a única coisa que passava pela minha cabeça era: PRECISO RELER AGORA! Sei que já falei isso, mas vou repetir só para o caso de não ter ficado gravado na cabeça de vocês: SU-BLI-ME! Foi uma leitura sublime! Um dos mais recomendados do ano! Corram ler <3

Resenha por Mariana Ventura

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Guilherme Cepeda
Guilherme Cepeda é podcaster, blogueiro e escritor. Pós-Graduado em Marketing e apaixonado por tecnologia e literatura desde sempre, em 2010 resolveu criar um blog para compartilhar sua opinião com os amigos. Jamais imaginaria que o projeto chegaria tão longe, tornando-se hoje o Burn Book, um dos maiores portais de literatura jovem do Brasil. Escreveu em co-autoria os livros da série Minha Vida, e em seu trabalho mais recente, já pela Editora Burn Books, publicou o conto “Estarei em Casa para o Natal” na antologia que leva o mesmo nome, também foi publicado em outras antologias pelas Editoras Wish, Villa-Lobos e Rouxinol. Guilherme é co-criador do Podcast “BurnCast”, o qual é responsável pela edição, pós-produção e roteiro há mais de um ano.

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