Resenha: Orador dos Mortos, Orson Scott Card 3
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Resenha: Orador dos Mortos, Orson Scott Card

A continuação de Ender’s Game completa as ideias filosóficas do primeiro volume.

O Orado dos Mortos é a continuação oficial de O Jogo do Exterminador, mas ao mesmo tempo é um livro completamente diferente. O próprio autor Orson Scott Card disse uma vez que Ender’s Game era para dar uma base ao seu personagem Ender Wiggin para os próximos livros da série. Enquanto o primeiro conta com grandes batalhas, esse segundo prefere focar inteiramente na natureza humana

Isso pode ser um tanto decepcionante para os fãs do primeiro livro que esperavam encontrar as mesmas cenas de luta. Eu, por exemplo, demorei um pouco para me entregar a história. Eu estava esperando aquele mesmo ritmo rápido e intenso que me fez me apaixonar pela história de Ender, ao invés disso, fui entregue a um ambiente inóspito em que a viagem espacial levou os humanos a outros mundo e novas colônias foram erguidas pela galáxia.

Ender e sua irmã Valentine conseguiram se manter vivos durante todo esse processo de descobertas da raça humana viajando na velocidade da luz. Três mil anos se passaram desde que destruiu os abelhudos, mas ele só tem trinta anos, a religião que criou se tornando o primeiro que Fala Pelos Mortos tomou todos os cem mundos e sua missão para encontrar um lar para a Rainha da Colmeia ainda não acabou. Na verdade é essa nova religião que Ender criou que movimenta a história. A dor de uma jovem menina, Novinha, o atrai para uma pequena colônia brasileira, onde ele terá que desvendar os mistérios que envolvem três mortos e a estranha raça alienígena que a humanidade descobriu depois do genocídio da última. Será esse o lugar em que Ender poderia completar sua missão e trazer os abelhudos de volta a vida?  

Os elementos humanos da história são muito bem trabalhados, trazendo boas ideias sobre o respeito e a aceitação de culturas diferentes. Todas essas ideias estão em cada gestos dos personagens e uma decisão pode causar uma cadeia de eventos que acabam se relacionando aos Pequeninos, a raça alienígena que se assemelha a porquinhos. 

Foi interessante ver como Ender cresceu e se tornou um jovem sábio, ainda a procura de seu próprio lugar no mundo. O livro em si poderia ser de um missionário indo para uma terra estrangeira e mudando as vidas das pessoas. Quando ele acabou orando para os mortos no final da história você podia sentir todo um vestígio espiritual que fez as pessoas aceitarem as verdades ocultas e seguirem em frente.

O final deixou espaço para trazer de volta o combate. Não que toda essa atmosfera filosófica não tenha sido boa, mas sinto um pouco a falta do clima da Escola de Combate. Seria bor ver os dois juntos, mas não reclamaria se os próximos seguirem esse caminho mais profundo, tocando bem no fundo do que nos faz quem nós somos.

Acho que a única reclamação mesmo que eu tenho com o livro é a diagramação. A editora acabou deixando uns bons detalhes passar. 

 

 

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Guilherme Cepeda
Guilherme Cepeda é podcaster, blogueiro e escritor. Pós-Graduado em Marketing e apaixonado por tecnologia e literatura desde sempre, em 2010 resolveu criar um blog para compartilhar sua opinião com os amigos. Jamais imaginaria que o projeto chegaria tão longe, tornando-se hoje o Burn Book, um dos maiores portais de literatura jovem do Brasil. Escreveu em co-autoria os livros da série Minha Vida, e em seu trabalho mais recente, já pela Editora Burn Books, publicou o conto “Estarei em Casa para o Natal” na antologia que leva o mesmo nome, também foi publicado em outras antologias pelas Editoras Wish, Villa-Lobos e Rouxinol. Guilherme é co-criador do Podcast “BurnCast”, o qual é responsável pela edição, pós-produção e roteiro há mais de um ano.

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