O livro de estreia de Victoria Ayeyard causou um furor e uma grande expectativa na época de seu lançamento, há dois anos atrás. Na época, apontavam um quê de Game of Thrones na história, ao mesmo tempo que os direitos foram comprados para a produção de um filme antes mesmo de o livro chegar as livrarias. No mesmo período, o que era apenas para ser uma trilogia virou uma quadrilogia, o que desagradou muitos leitores. Dois anos foi o que demorou (infelizmente) para o livro chegar em minhas mãos e enfim poder conhecer a tão falada história contada em A rainha vermelha. E fico pensando apenas como fui capaz de fazer isso.

O mundo de Mare Barrow é dividido pelo sangue: vermelho ou prateado. Os vermelhos trabalham dia-a-dia de maneira árdua para sustentar os privilégios dos prateados e a sustentar a guerra que é empreendida contra os reinos vizinhos há muitos anos. Os prateados, beneficiários de todo o conforto, não aparecem muito nas linhas de combate, porque, ao contrário de pessoas comuns, eles têm poderes especiais – como manipular o fogo, controlar o clima e ler a mente dos outros. Mare Barrow pertence a uma família vermelha que vive em Palafitas, um vilarejo muito pobre. Ao contrário de sua irmã, que aprendeu o ofício de costureira, Mare passa os dias roubando para ajudar a família; assim, por não ter uma ocupação, quando completar dezoito anos será mandada para servir o Exército. As chances de sair viva dali são mínimas, então ela passa os dias tentando encontrar um jeito de evitar esse destino. A ajuda acaba vindo de um lugar inesperado: um encontro casual com um jovem misterioso garante a Mare um emprego como criada no palácio de verão do rei. E logo no primeiro dia ela tem de trabalhar na Prova Real, evento em que jovens prateadas representantes das Grandes Casas nobres demonstram seus poderes para serem escolhidas como próxima princesa. No meio do evento, porém, Mare sofre um acidente e o que a salva é um poder que jamais imaginou possuir – afinal, seu sangue é vermelho. E a partir dessa descoberta seu mundo irá virar de cabeça para baixo.

O livro de Victoria estava na lista dos mais desejados já fazia algum bom tempo e quando tive a oportunidade de conhecer sua obra não pensei duas vezes antes de iniciar a leitura. A narrativa logo se mostra fluida, apresentando um mundo totalmente novo, mas ao mesmo tempo tendo presente alguns elementos que já conhecemos de outras distopias. Uma sociedade dividida, uma ordem instaurada: ninguém questiona, ninguém é contra. Além disso, a própria atmosfera criada pela autora lembra livros como As crônicas do gelo e fogo, de George R. R. Martin e a série A seleção de Kiera Cass. Mas o que o torna diferente e digno de ser lido?

Fica aí a questão. O universo criado pela autora é cativante e instigante, fazendo com que o leitor siga adiante a leitura. Os personagens são bem delineados e as situações que a autora os coloca fazem com que fiquemos curiosos pelos próximos capítulos. Apesar da sinopse contida no livro revelar muito sobre a história, o que pode ser algo ruim para possíveis surpresas, ainda assim se deparar com elas causa uma sensação de êxtase interno. Mare é uma jovem determinada que assume muito bem o papel de protagonista, fazendo com que fiquemos cativados pela mesma. Corajosa, não teme nada até o dia em que se vê no palácio e no meio de intrigas. O jogo acaba ganhando outro patamar, pois a garota não sabe em quem confiar. De um lado, os irmãos príncipes que deixam ela confusa a todo instante e ao mesmo tempo a rainha, uma mulher perversa e fria. Além disso, Evangelie, a outra princesa, que é o tipo de pessoa que você não quer como inimiga.

Diante de tudo isso a narrativa se desenrola. Apesar dos elementos presentes na história remeterem a outras histórias, um fator que me chamou a atenção nesse foi justamente a não existência de um triângulo amoroso. Em alguns momentos tive a impressão que isso aconteceria, mas foi exatamente o contrário. Mare não vê em Maven ou Cal possíveis amores, mas possíveis aliados que pode confiar. Além disso, outra coisa que me gostar foi justamente as reflexões que a leitura me proporcionou. Vou tentar explorá-las de maneira compreensível.


Quando temos um governo autoritário e imposto, é necessário que se tome algumas atitudes para que algo novo seja imposto. A partir disso, podemos nos questionar até que ponto determinadas ações podem ser extremamente benéficas. E nesse sentido, beneficia a quem? Quem é deixado de lado? Será que realmente é algo que vale a pena? Enquanto lia o livro ficava pensando no universo da autora, mas também em muitos momentos históricos ou até mesmo no que vivemos. Victoria Ayeyard cria uma história de ficção que pode remeter a nossa realidade ou a de muitas sociedades. O jogo que ela faz de ilusões e criação de mitos é algo que me pegou de surpresa e que funcionou muito bem para a história. As últimas cem páginas passaram voando e era reviravolta atrás de reviravolta. Cheguei ao final perdido e sem saber o que realmente dizer.

Victoria Ayeyard me ganhou com toda a força em seu primeiro livro. Sabe a tal da ressaca literária que tanto falam? A rainha vermelha me causou exatamente isso. Terminei o livro reflexivo e levei algumas horas para me restabelecer, de tão absorvido que fiquei na história. Espero ler os outros volumes em breve, apesar das ressalvas que já ouvi. Se recomendo? Mas é claro (torcendo fortemente para que façam uma adaptação no formato de filme ou série!).

Resenha: A rainha vermelha, de Victoria Ayeyard
93%Pontuação geral
Capa100%
Enredo90%
Narrativa90%
Personagens90%
Votação do leitor 8 Votos
89%

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