Resenha: Trono de Vidro, Sarah J. Maas 3
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Resenha: Trono de Vidro, Sarah J. Maas

Celeana Sardothien é a melhor assassina de Adarlan, se você quer que a morte seja certeira e implacável é ela que você contratará e todos a temem exatamente por isso, afinal para se tornar a pupila do Rei dos Assassinos você precisar ser muito boa…ou muito cruel, talvez seja necessário ser ambas. Contudo ninguém de fato a conhece, se Celeana passar por você na rua, durante um belo dia, você não a reconhecerá, além de sua reputação de a melhor, só sabem mais uma coisa sobre ela, é uma mulher.

“Arobynn me dizia que o segundo lugar é apenas um título bonitinho para o primeiro perdedor.”

Mas nem mesmo a melhor e mais esperta assassina pode resistir a sede de vingança, pode não ser cega pela dor, e não ser pega pela traição de pessoas que ela julgava poder confiar, e assim ela acaba presa pelo Rei tirano da cidade em que vive e é mandada para as minas de Sal de Endovier para ser mais uma escrava entre os milhares que morrem ali todos os dias, ela pode ter sido pega, mas sabe que aquilo não é uma prisão e sim uma sentença de morte.

Contrariando tudo e todos ela resiste nas minas, uma sombra do que era um ano antes, mas viva e com mais ódio do que nunca, ela ainda é uma lenda, mas as esperanças de sair dali estão acabando e suas forças também, por isso quando o filho do homem que ela mais despreza nesse mundo, o Rei de Adarlan, vem lhe visitar e lhe faz  uma proposta ela não recusa. A vontade de viver, de ver o céu mais uma vez e de tomar um belo banho quente é mais forte.

Ela será a campeã do príncipe Dorian no torneio entre os piores do reino e ganhará o posto de assassina do rei, então  ganhará dinheiro, se tornará livre e começará o seu acerto pessoal de contas, até lá ela só espera não cortar a cabeça desse belo príncipe, não morrer treinando nas mãos desse duro e bonito comandante e acima de tudo, ser forte para encarar o homem que destruiu sua vida sem pestanejar.

Essa trama, sensacional diga-se de passagem nasceu da ideia “E se a Cinderela fosse ao baile para matar o príncipe?”, sim, pode não parecer, mas essa é uma releitura bem diferente de Cinderela, onde a princesa é uma assassina, onde o príncipe é filho de um tirano cruel, onde os sapatinhos são menos importantes que uma espada e a magia se revela de uma forma pouco convencional, onde a “fada” madrinha não quer ajudar a mocinha, mas sim lhe abrir os olhos para seu futuro e fazê-la a todo custo salvar aqueles que precisam.

Adarlan é um reino escravocrata que dizimou e escravizou mais de uma nação em sua busca por poder justamente quando a magia sumia do continente, deixando todos indefesos contra os ataques surpresas, e assim se passaram anos e anos antes de Celeana se ver diante do homem responsável por tudo isso, agora como uma candidata para o posto de assassino do Rei.

Mas nem mesmo seu ódio, seu passado, suas cicatrizes conseguem impedir os sentimentos que surgem, a esperança, o conforto, o sentimento de estar agradecida por estar viva. E entre treinos, fofocas da corte, vestidos bonitos e identidades falsas, ela acaba por descobrir sentimentos diversos pelo príncipe, pelo capitão da guarda, por sua criada, pela princesa dos rebeldes que a fazem se sentir humana novamente, mas tudo é colocado em cheque quando ataques de criaturas estranhas e destinos sussurrados começam a invadir o castelo e matar pessoas. Celeana tem que parar com isso.

“Talvez o mundo jamais fosse perfeito, talvez algumas coisas jamais fossem corretas, mas quem sabe ela tivesse alguma chance de encontrar o próprio tipo de paz e felicidade.”

De maneira dinâmica somos apresentados a um novo mundo cheio de magia, segredos, romances, intrigas, brigas e muita ação. Do início ao fim você se vê pego pela trama, que de cara nos apresenta uma garota com um genio para lá de forte e uma confiança em suas habilidades que não cabe em um ego normal, que te encanta e não para mais de fazer isso em nenhuma das próximas quase 400 páginas.

Não há muito mais o que falar sem que se sejam spoilers a partir de agora e eu sei que vocês não querem isso, mas acreditem quando eu digo que nada aqui é o que parece, nada é previsível, todos os personagens tem uma complexidade que suas relações se tornam teias tão intrincadas que isso te conduz, você quer chegar ao final da linha.

E Celeana te captura e te faz colocá-la em seu coração, essa menina é incrível e ela passou por tanta coisa, no início a arrogância é tanta, tanta que você até ri, mas depois aos poucos você olha além e quer abraçá-la, Sarah J. Maas criou uma protagonista forte, feminina, inteligência e com um passado e fardos tão grandes que te fazem questionar muitas coisas. E o melhor, os outros personagens que também narram a estória fazem, para a nossa alegria, o mesmo.

Seguindo a linha épica e fantástica de Tolkien, com toques e lembranças do universo criado por Licia Troisi e uma pitada mágica do conto dos irmãos Grimm depois de ter passado pelas mãos de Neil Gaiman, Trono de Vidro é a abertura de um universo que promete não um, nem cem, nem mil, mas milhares de leitores encantados e pedindo por mais.

Então pergunto: você irá se deixar encantar por esses personagens? Irá se embrenhar nessa trama? E se envolver com este mundo?

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Guilherme Cepeda
Guilherme Cepeda é podcaster, blogueiro e escritor. Pós-Graduado em Marketing e apaixonado por tecnologia e literatura desde sempre, em 2010 resolveu criar um blog para compartilhar sua opinião com os amigos. Jamais imaginaria que o projeto chegaria tão longe, tornando-se hoje o Burn Book, um dos maiores portais de literatura jovem do Brasil. Escreveu em co-autoria os livros da série Minha Vida, e em seu trabalho mais recente, já pela Editora Burn Books, publicou o conto “Estarei em Casa para o Natal” na antologia que leva o mesmo nome, também foi publicado em outras antologias pelas Editoras Wish, Villa-Lobos e Rouxinol. Guilherme é co-criador do Podcast “BurnCast”, o qual é responsável pela edição, pós-produção e roteiro há mais de um ano.

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