Uma noite para se entregar, Tessa Dare 4
Resenhas

Uma noite para se entregar, Tessa Dare

 

Em Uma noite para se entregar conhecemos Susanna Finch a brava filha do herói de guerra Sir. Lewis Finch. Este homem foi o responsável por criar a maioria dos armamentos utilizados pelo exército britânico e, mesmo aposentado, continua com seus experimentos e ideias para armas mais modernas e eficientes. É por esse motivo que quando acontece uma explosão na pacata Spindle Cove sua primeira preocupação é descobrir se o pai está inteiro e depois o que realmente aconteceu.

Susanna é durona como deveria ser um filho homem, o único problema é que ela nasceu mulher. Mas nem por isso ela se deixa abalar. Mudaram-se para o litoral depois que ela sofreu na mão de médicos que procuravam uma doença que nos dias de hoje seria considerada tédio ou até depressão, já que ela havia perdido a mãe pouco antes de ser enviada para a sua única temporada em Londres.

Quando chega a cidade e tem sua saúde recuperada, ela se torna um ícone para os moradores, pois sendo seu pai o único lorde do local, acabaram se tornando os responsáveis por aquelas pessoas. Homens e mulheres buscam seus conselhos e é ela que recebe os novos moradores ou aqueles que pretendem passar uma temporada na cidade afim de se recuperarem de algum infortúnio.

A maioria das mulheres que visitam Spindle Cove possui um passado sombrio: amores proibidos, beleza inexistente, doenças incuráveis, inteligência demais ou perspicácia demais. Susanna compreende cada uma delas, pois também não se encaixa na sociedade como deveria. Sua experiência com médicos a tornaram uma eximia farmacêutica e é quem cura, física e emocionalmente, a maioria de seus visitantes.

Vemos Susanna como uma alma caridosa em meio ao caos que era a sociedade daquela época. Apesar de manterem as aparências para aqueles que ditam as regras e que impõe que as mulheres não devem deixar sua inteligência sobrepor seu dever como esposas, filhas e procriadoras, percebemos o quanto a cidade é diferente, avançada no tempo com a forma que todos agem e pensam.

O sossego de Susanna e a passividade dos moradores sofre um terrível abalo quando o tenente-coronel do Exército Britânico, Victor Bramwell, explode, literalmente, a estrada para a cidade, a fim de espantar pobres ovelhas que estavam em seu caminho.

“Em toda parte, somos governadas pelas regras dos homens, vivemos à mercê dos caprichos masculinos. Mas aqui, em nosso cantinho do mundo, somos livres para mostrar o que temos de melhor e mais verdadeiro. Spindle Cove é nossa, Bram. Vou lutar até meu último suspiro para evitar que você a destrua. As necessidades das mulheres também são importantes.”

Bram, apelido de Bramwell, é também herói de guerra, no entanto, está em busca de recuperar seu posto no Exército, pois, depois de ter levado um tiro em seu joelho, foi afastado para se recuperar. Sua última chance de voltar a se sentir completo, apesar de seu joelho falho e de mancar feito um inválido, é Finch.

O que ele esperava ser a redenção de seu posto, torna-se um grande problema. Além de rejeitar a ideia de intervir em nome de Bram para que ele seja realocado ao seu posto, Lewis o prende aquela pitoresca cidade, dando-lhe um título de Conde e um dever: montar uma milícia de vinte e quatro homens, em uma cidade que quase não tem homens, e fazer uma apresentação aos seus superiores e o Duque do condado no prazo de trinta dias.

Sem muitas alternativas, Bram e seus dois homens – seu primo Lorde Payne e o Cabo Thorne – fazem acampamento nas ruinas de um castelo que, como Conde, ele herdou e decidem fazer dos maricas daquela cidade, novamente homens.

O que ele não contava era que haveriam mulheres, mais precisamente uma mulher, a quem enfrentar para conseguir seu intento e finalmente ter a chance de recuperar seu regimento.

Algo que percebi nesta série é que tanto homens como mulheres não são seres regidos pela sociedade daquela época, mas indivíduos notáveis, com personalidades fortes e inspiradoras.

Bram possui uma alma em ruinas, assim como seu novo castelo, mas ele nem sabe disso. A fortaleza que demonstra ser se abala a cada dia que passa enfurnado na cidade das solteironas e próximo da senhorita Finch. Já Susanna, apesar de também ser uma rocha, possui tanta sombra e tanto medo dentro de si, que se a virassem do avesso jamais seria o pé de apoio da maioria dos moradores de Spindle Cove.

Tessa mais uma vez surpreende com suas cenas eróticas, com a profundidade de sentimentos e de conhecimento inseridos na trama. Aqui não conhecemos apenas um herói e um militar tentando recuperar seu posto, mas homens e mulheres que conhecem bem as regras, armamentos e a história da época. Tenho a impressão que Tessa ou pesquisou muito para escrever ou mora em uma daquelas cidades pitorescas do interior dos EUA que costumam ter festas anuais onde seus moradores recriam guerras e vitórias.

Como li o livro 2 primeiro consegui me conectar ainda mais aos personagens e espero ter uma grande surpresa ao conhecer Kate, a protagonista do terceiro volume.

Só mais uma vez me decepcionei com a editora usando aspas nos diálogos ao invés dos travessões. Este foi o terceiro livro traduzido da Gutenberg que eu li e todos eles utilizam aspas no lugar do travessão. Apesar disso, puderam ver pela resenha, que eu amei o livro.

Leiam e me contem o que acharam dessa série!

Beijos,

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Uma noite para se entregar, Tessa Dare 5


Guilherme Cepeda
Guilherme Cepeda é podcaster, blogueiro e escritor. Pós-Graduado em Marketing e apaixonado por tecnologia e literatura desde sempre, em 2010 resolveu criar um blog para compartilhar sua opinião com os amigos. Jamais imaginaria que o projeto chegaria tão longe, tornando-se hoje o Burn Book, um dos maiores portais de literatura jovem do Brasil. Escreveu em co-autoria os livros da série Minha Vida, e em seu trabalho mais recente, já pela Editora Burn Books, publicou o conto “Estarei em Casa para o Natal” na antologia que leva o mesmo nome, também foi publicado em outras antologias pelas Editoras Wish, Villa-Lobos e Rouxinol. Guilherme é co-criador do Podcast “BurnCast”, o qual é responsável pela edição, pós-produção e roteiro há mais de um ano.

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6 Comments

  1. Oie

    Ainda não li nada da autora, mas tenho muita vontade.

    Eu adorei a resenha, o livro tem todos ingredientes que eu gosto em uma leitura e a capa tá linda.

    TAmbém não curto muito isso de aspas no lugar dos travessões 🙁

    Como quero muito ler algo dessa autora, dica anotada!

    bjs

    Fernanda
    http://pacoteliterario.blogspot.com.br/

  2. Um livro curioso, mas te confesso que a história não iria me prender, priuncipalmente em usar aspas nos diálogos, isos me faz ficar bem perdida.
    Beijinhos, Helana ♥
    In The Sky, Blog / Facebook In The Sky

  3. Olá,
    Adorei a sua resenha, a história do livro parece ser bem interessante, mas não sei se iria me agradar, e também não gosto de aspas no lugar do travessão. =)
    Beijos

  4. Oi, mesmo gostando da sua resenha, eu não leria, já que não curto romance de epoca, pois me lembra muitos romances de banca que li e já estou saturada disso, por isso, dessa vez deixo passar a dica.
    bjus

  5. Oi, já li algumas outras resenhas e mesmo a galera gostando da história assim como você, eu não consegui me conectar ainda a história a ponto de querer correr para comprar e ler. Mas fico feliz que tenha gostado tanto e que está ansiosa pelo terceiro. Que seja mara também e quem sabe eu não me anime mais pra frente.

    bjs

  6. Oie
    realmente não é meu gênero favorito mas está bem legal a resenha e o enredo para amantes do gênero, parece ser uma ótima leitura para passar o tempo hahaha dessa vez deixo a dica passar

    Beijos
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/

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