Burn Comics: Resenha ZAP Comix

Oi, leitores do Burn Book! Pra quem não sabe, meu nome é Nath e eu sou a nova colunista do site. Toda semana vou estar aqui pra falar um pouco sobre Histórias em Quadrinhos pra vocês 😉

 


 

 

 

 

 

 

Título: ZAP COMIX

Autores: Robert Crumb, S. Clay Wilson, Rick Griffin, Robert Williams, Manuel Spain Rodriguez, Victor Moscoso, Gilbert Shelton e Paul Mavrides.

Editora: Conrad Editora

Ano: 2003

Páginas: 189

Resenha por: Nath Araújo

 

 

 

Se a minha proposta era mostrar um universo que vai além dos famosos heróis da Marvel, nada melhor do que começar com a principal revista de Quadrinhos Underground: a ZAP Comix.

 

Vamos supor que algum dia você se deparasse com um exemplar da ZAP Comix por aí, sem saber do que se trata, olhasse a capa e folheasse algumas páginas. Dependendo do seu nível de "pureza", talvez sua primeira impressão não fosse das melhores. Os quadrinhos com ilustrações delirantes e temas que vão da violência à apologia às drogas não são os preferidos de todo mundo. Imagine nos anos 60…

 

Por outro lado, saber a história da ZAP Comix vai enriquecer essa publicação regada a LSD, rebeldia e ilustrações nonsense. Para isso, é importante ter uma pequena noção da história dos quadrinhos. Eu ajudo vocês:

 

Entre os anos 30 e 50, os quadrinhos viveram sua Era de Ouro. Foi quando surgiram o Super Homem, o Batman e muitos outros heróis. Até que, nos anos 50, o psiquiatra Fredric Wertham resolveu acabar com a graça de todo mundo e publicar um livro polêmico. De acordo com o autor, leitores de quadrinhos tinham maior propensão a se tornarem criminosos ou terem comportamentos socialmente inconvenientes. Mais ou menos o que alguns dizem hoje sobre os video games, sabem?

 

Houve uma crise no setor. Os jornaleiros não queriam vender HQs, as mães não deixavam seus filhos lerem e o número de leitores diminuiu. Pressionadas, as editoras tentaram se salvar pela autocensura, criando o Comics Code Authority. Assim, elas eram obrigadas a publicar somente HQs puritanas, sem horror, violência ou erotismo. Esse selo era uma garantia para os pais de que seus filhos consumiam produtos inofensivos. Algumas editoras faliram, personagens desaparecem e heróis se tornaram amiguinhos sorridentes e capados, sem graça nenhuma.

 

Se de um lado haviam pais puritanos – e talvez hipócritas -, do outro lado haviam jovens inspirados pela música e pelo movimento beatnik, ansiosos por mudanças. Foi o cenário perfeito para o surgimento dos quadrinhos underground. No final dos anos 60, um jovem nada a favor da moral e dos bons costumes largou o emprego, desenhou uma revista inteira sozinho e foi vendê-la numa esquina de São Francisco, ao lado de sua mulher grávida. Nascia a ZAP Comix – com "X" pra ser diferente dos Comics que seguiam o código de censura. E esse jovem era ninguém menos que Robert Crumb.

 

A ZAP Comix não foi a primeira revista do gênero, mas foi responsável pela popularização dos quadrinhos underground. A 1ª edição foi feita somente por R Crumb, mas logo outros figurões de juntaram ao projeto: surfistas, delinquentes juvenis e junkies, hoje os aclamados S. Clay Wilson, Rick Griffin, Robert Williams, Manuel Spain Rodriguez, Victor Moscoso e Gilbert Shelton.

 

Os quadrinhos da ZAP Comix tiraram sarro de toda a cultura americana, dos hippies da época, dos heróis certinhos frutos da autocensura e do American Way of Life. Entre as edições, estavam personagens ícones como Mr Natural (símbolo hippie), Javali Maravilha (paródia dos heróis certinhos da época) e Piratas Pervertidos. Já outros quadrinhos são tão abstratos que eu nem sei dizer pra vocês do que se tratam, mas são interessantes de acompanhar. Cada autor da ZAP tem seu estilo e sua inspiração, sejam ideologias ou LSD 😀 Hahah.

 

ZAP não é consagrada como uma obra de arte, mas inspirou uma geração inteira ansiosa por mudanças e mostrou o caminho para muitos artistas. Por isso é tão importante e legal de se ler. Ela parou de ser publicada em 1998, mas os quadrinhos politicamente incorretos ainda existem, a maioria em revistas independentes ou em blogs de webcomics. Alguns artistas brasileiros influenciados por ela foram Laerte, Angeli e Glauco.

 

A edição que eu tenho foi publicada pela Conrad como um álbum, em 2003, e eu guardo como um tesourinho. No início, tem uma introdução que explica com mais detalhes o cenário em que a ZAP surgiu e tem mais informações sobre cada autor. Bem legal 🙂

 

Leia Mais
Resenha: Unidos Somos Um, Pittacus Lore