Pat Peoples não suporta finais infelizes. Recém-saído de uma temporada em um hospital psiquiátrico, o protagonista de O lado bom da vida volta a morar com os pais para reconstruir a vida e tentar se reconciliar com seu grande amor, Nikki. Para isso, o ex-professor de história de 30 e poucos anos segue uma rígida rotina de exercícios e inicia a leitura dos livros preferidos da ex-esposa, grandes clássicos da literatura norte-americana.

Em uma entrevista concedida à revista Veja, o autor Matthew Quick explicou que quando era professor de literatura recebeu o telefonema de uma mãe preocupada com a depressão do filho. Para ela, “a natureza triste dos livros que ele era obrigado a ler não estava lhe fazendo bem”. “Claro, eu acredito que devemos ensinar e ler os clássicos”, reflete Quick, “mas [ela] me fez reexaminar nossa grade de leitura. Praticamente todos os livros que eu ensinava acabavam em tragédia. O telefonema me impactou e fiquei pensando se realmente aquele montante de dramas não estaria fazendo algum mal para as jovens mentes.”

Pat passa a nutrir outro tipo de apreensão depois de ler o livro preferido de Nikki, O grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald. O desfecho do clássico o deixa desconcertado: se para Nick esse é o maior romance norte-americano já escrito, será que ela não acredita em finais felizes? E se ela não acreditar, como Pat irá reconquistá-la? O resultado da obsessão de Pat em tentar ao máximo agradar a ex-esposa são resenhas hilárias dessa e de outras obras, como:

Adeus às armas, de Ernest Hemingway
A letra escarlate, de Nathaniel Hawthorne
A redoma de vidro, de Sylvia Plath
O apanhador no campo de centeio, de J.D. Salinger
As Aventuras de Huckleberry Finn, de Mark Twain


Confira o trecho de uma das “resenhas” abaixo:

O grande Gatsby, por Pat Peoples

A melhor parte é o ensaio introdutório, que afirma que o romance trata principalmente do tempo e do fato de que a pessoa não pode nunca recuperá-lo, que é exatamente como me sinto em relação a meu corpo e a meus exercícios — mas, então, eu também sinto como se houvesse um número infinito de dias até meu inevitável reencontro com Nikki.

Quando li a história propriamente dita — que conta como Gatsby ama Daisy, embora não consiga nunca ficar com ela, por mais que tente —, tive vontade de rasgar o livro ao meio, ligar para Fitzgerald e dizer que o livro dele está todo errado, embora eu saiba que Fitzgerald provavelmente já morreu. Em especial quando Gatsby é baleado mortalmente em sua piscina na primeira vez em que vai nadar naquele verão, Daisy nem mesmo vai ao enterro dele, Nick e Jordan se separam e Daisy acaba com o racista do Tom, cuja necessidade de sexo basicamente mata uma mulher inocente, dá para ver claramente que Fitzgerald nunca se deu o trabalho de olhar para a parte brilhante que há por trás das nuvens ao pôr do sol, porque não há nenhum lado bom no fim daquele livro, vou lhe contar.


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