Matéria publicada pela Editora Intrínseca

Instigada pelas possibilidades de uso criativo do Twitter, Jennifer Egan escreveu o conto Caixa preta, veiculado originalmente no perfil da revista norte-americana New Yorker, de 24 de maio a 2 de junho. Posteriormente, a obra foi publicada na edição especial de ficção científica da revista, lançada em 4 de junho deste ano.

Com tradução de Juliana Romeiro e capa de Rafael Coutinho, o conto de Egan será reproduzido diariamente pelo perfil da Intrínseca (twitter.com/intrinseca) entre os dias 20 e 30 de agosto, das 22h às 23h, e comercializado em e-book a partir de 31 de agosto. 

Jennifer Egan é vencedora dos principais prêmios literários norte-americanos de 2011, entre eles o Pulitzer de Ficção, por A visita cruel do tempo, publicado pela Intrínseca em janeiro deste ano.

O que inspirou Jennifer Egan a estruturar Caixa preta em tuítes? *

Vários dos meus antigos interesses no campo da ficção convergiram para que eu escrevesse Caixa preta. Um deles envolve a prosa em formato de listas, histórias que parecem contadas inadvertidamente, como notas de um narrador para si mesmo. Tanto que o título provisório para o conto era “Lições aprendidas” e minha intenção era escrever uma história que tomasse forma a partir das lições depreendidas pelo narrador a cada passo da ação, em vez de ser apresentado pelas descrições do fato em si. Outro intento muito antigo era pegar um personagem de uma história realista e transportá-lo para um gênero diferente. David Wiesner foi o primeiro a incutir essa ideia em minha cabeça com a sua espetacular metaficção ilustrada “The Three Pigs”, na qual os três porcos se movem pelos desenhos e, a cada estilo de cenário em que eles entram, suas representações vão se transformando radicalmente. Imaginei se poderia fazer algo análogo com um personagem do meu romance A visita cruel do tempo: criar uma versão em quadrinhos daquele indivíduo, por exemplo — ou nesse caso, uma versão que fosse um thriller de espionagem. Também pensei em como seria escrever uma obra de ficção cuja estrutura permitisse a serialização no Twitter. Não se trata de uma ideia nova, claro, mas é algo muito rico — tanto por causa da peculiaridade de alcançar as pessoas em seus celulares como pela estranha poesia que pode acontecer em cento e quarenta caracteres. Comecei a imaginar uma série concisa de despachos mentais de uma espiã do futuro trabalhando disfarçada no Mediterrâneo. Escrevi essas anotações à mão em um caderno japonês com oito retângulos em cada página. O conto tinha originalmente o dobro do tamanho atual; levei cerca de um ano, intermitentemente, para trabalhar e ajustar o material que agora é o Caixa preta.

*depoimento dado ao Blog da revista The New Yorker.

Texto original

Deixe sua opinião aqui :)