Olá, leitores do Burn Book. A Editora Companhia das Letras tem dois livros interativos que vale a pena conferir. 

– O compositor está morto

Quem já ouviu uma orquestra tocar, sabe que os músicos têm toda a pinta de culpados. Onde estavam os Violinos na noite do crime? Alguém viu a Harpa? Não parece que o Trompete ficou um pouco nervoso demais, reclamando de tudo? Neste desconcertante e misterioso crime, cada suspeito parece ter um motivo, mas todos têm álibis – os Violinos estavam tocando graciosas melodias, os Violoncelos estavam no acompanhamento, as Violas estavam reclamando da vida, como sempre, as Flautas estavam imitando passarinhos, os Clarinetes fizeram muitos elogios ao Inspetor, os Trombones se embebedaram e a Tuba ficou em casa com a sua senhora, a Harpa, tomando leite morno numa xicarazinha azul. E, no entanto, o Compositor ainda está morto. Depois de ouvir os instrumentos e a narração do próprio Lemony Snicket, ou a versão em português, com música de Nathaniel Stookey interpretada pela Filarmônica de San Francisco, os leitores descobrirão o que aconteceu no crime mais bem orquestrado da história.

– Monstros

 
É conhecida a preferência dos monstros pela cidade de Tóquio. Sempre que um desses lagartos gigantescos resolve dar as caras, é a megalópole japonesa que elege para apavorar. Quando muito, uma esticada até os Estados Unidos, mas é só.
Dessa vez, no entanto, três monstros surgem do mar para invadir outro balneário: a cidade de Santos, em São Paulo. Como em todo bom filme do Godzilla, eles aparecem misteriosamente, sem aviso e com apenas uma ideia: se alimentar da população local.
Mas cada cidade tem seu herói para uma situação dessas, e com Santos não poderia ser diferente. O algoz dos monstros, por assim dizer, será o velho Pinô, dono de bar, pescador e famoso contador de histórias. Um sujeito simples, sem muitas surpresas na vida. Ou não.

 
Quem conta essa história é o quadrinista e cartunista Gustavo Duarte, das premiadas Birds, Taxi e Có, todas vencedoras do prêmio HQ Mix, o mais importante do quadrinho nacional. Em Monstros! , Duarte dá sequência a seu ambicioso projeto: livros sem falas, num estilo imediatamente reconhecível e, sobretudo, direcionado a qualquer público, como num bom filme da Pixar.
 
Se a comparação soa exagerada, vale lembrar que Duarte é um dos mais bem-sucedidos quadrinistas independentes do Brasil, tendo esgotado tiragens e lotado eventos desde que passou a se dedicar ao gênero, em 2009. 
 
Ainda assim, mesmo quem conhece sua obra certamente irá se surpreender com o escopo, a graça e o suspense de Monstros!.

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