Quem lê o mesmo livro ou assiste ao mesmo filme mais de uma vez já tem uma desculpa para dar aos familiares e amigos. A mania não tem nada a ver com vício ou comportamento obsessivo, mas é um esforço consciente para encontrar camadas de significado mais profundas no material e refletir sobre o próprio amadurecimento.

 

Esse é o resultado de uma pesquisa liderada por Cristel Russel, professor da American University, nos Estados Unidos. Ele entrevistou 23 pessoas para identificar as razões para o que chamou de “re-consumo” de um material e descobriu que o comportamento não é uma tentativa de reviver o passado, mas uma busca por significado, que pode ter grande valor emocional.

O re-consumo pode, inclusive, servir como uma espécie de terapia, uma vez que permite que a pessoa analise como sua interpretação do livro ou filme mudou com o decorrer do tempo. Segundo os cientistas, isso pode servir de contraste entre o eu atual e o eu do passado. Eles citam como exemplo o caso de um participante do estudo. Pastor evangélico, ele releu a Bíblia inúmeras vezes. De acordo com sua idade, interpretava passagens de modo diferente – um sinal de crescimento.

O resultado da pesquisa, publicada na revista Journal of Consumer Research, pode ser usado pelo mercado de livros. Segundo Russel, os vendedores sempre tentam trazer experiências novas e frescas, mas as velhas experiências também podem ser repetidas de modo a abrir novas perspectivas.

Publicado na revista Galileu

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