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Especial: O teorema Katherine e seus desafios

Olá, leitores do Burn Book. A Editora Intrínseca publicou no "Blog das Séries" uma matéria muito interessante sobre os desafios para traduzir "O Teorema Katherine". Confira aqui no BB:

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Por Renata Pettengill

Colin Singleton, protagonista de O teorema Katherine, é um ex-menino prodígio capaz de criar anagramas, de bate-pronto, para qualquer coisa. Na tentativa de recuperar a glória do passado e, quem sabe, o amor de sua décima nona ex-namorada chamada Katherine, ele aposta no desenvolvimento de um teorema matemático que consiga prever o desfecho de todos os relacionamentos amorosos.

Essa combinação de decadência intelectual, habilidade linguística, conhecimentos matemáticos, dor de cotovelo e busca pela fama permitiu que John Green criasse um texto genial e cheio de desafios, tanto para ele como para seus tradutores. O desafio de John foi ser capaz de inserir um teorema na história do livro, já que o próprio autor é uma negação em matemática. “Escolhi a faculdade que cursei, em parte, porque não exigia nenhum pré-requisito matemático”, explica John Green. Felizmente para ele, um de seus melhores amigos, Daniel Biss — professor-assistente da Universidade de Chicago e pesquisador do Instituto Clay de Matemática —, aceitou a tarefa de criar uma fórmula que funcionasse no contexto da história.

Até aí, nenhuma dificuldade tradutória maior. Afinal, a matemática é uma linguagem universal, certo? Não necessariamente. Ligeiras adequações foram necessárias. Mas, felizmente para mim, há uma mestre em matemática na minha família, a Anna Maria Sotero, e ela aceitou o desafio de fazer a revisão da parte técnica na minha tradução do livro. Era preciso garantir que essa parte seria transposta corretamente para o português. E eu, como o John, sou uma negação na matéria. Talvez tenha sido por isso que perdi a conta de quantos anagramas tive de desenvolver para O teorema Katherine! E foi esse o maior desafio criado pelo John Green para seus tradutores. Anagrama não se traduz. E todos os anagramas do original fazem sentido no contexto da história.

Não podia ser uma anagramatização aleatória ou descompromissada. Um exemplo extremo: por motivos que serão esclarecidos durante a leitura do livro, o arquiduque austro-húngaro cujo assassinato é apontado como uma das causas da Primeira Guerra Mundial é bastante citado na história. Em inglês, Franz Ferdinand.

Em português, duas possibilidades: Francisco Fernando e Francisco Ferdinando. Só que a escolha de uma dessas opções não dependia só do resultado da pesquisa “qual delas é a forma consagrada” ou “qual é a mais usada nos livros de História?”. O avô alemão de uma das personagens chamava-se Fred N. Dinzanfar — anagrama de Franz Ferdinand.

O nome dele tinha de ser um anagrama de Francisco Fernando ou Ferdinando na nossa edição. A fim de manter o prenome e o último sobrenome o mais próximos do original possível, usei Fred e Dinsanfar. E as letras que sobraram foram determinantes na escolha. Com Francisco Ferdinando, elas compuseram o sobrenome Ocicon, que soava mais alemão que o formado pelas letras restantes de Francisco Fernando: Coco!

Para complicar um pouco mais, alguns anagramas foram feitos a partir dos nomes e sobrenomes das ex-namoradas de Colin. Todas Katherines. (E o “K” é uma letra tão comum no português, não é mesmo?!) Mas, o que de início poderia parecer uma grande dor de cabeça, acabou se transformando em diversão. Foram meses de tradução recheados de várias horas de adaptações e esforço criativo. Um desafio que me deu um prazer imenso, e sei que a todos os que trabalharam na edição do livro também — no que foi mais um bonito trabalho de equipe da Intrínseca.

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Guilherme Cepeda
Guilherme Cepeda é podcaster, blogueiro e escritor. Pós-Graduado em Marketing e apaixonado por tecnologia e literatura desde sempre, em 2010 resolveu criar um blog para compartilhar sua opinião com os amigos. Jamais imaginaria que o projeto chegaria tão longe, tornando-se hoje o Burn Book, um dos maiores portais de literatura jovem do Brasil. Escreveu em co-autoria os livros da série Minha Vida, e em seu trabalho mais recente, já pela Editora Burn Books, publicou o conto “Estarei em Casa para o Natal” na antologia que leva o mesmo nome, também foi publicado em outras antologias pelas Editoras Wish, Villa-Lobos e Rouxinol. Guilherme é co-criador do Podcast “BurnCast”, o qual é responsável pela edição, pós-produção e roteiro há mais de um ano.

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3 Comments

  1. Que legal! Agora vou ter que ler este só pra conferir estas fórmulas! Azar dos tradutores, que tenham feito bem o seu trabalho 😉

  2. Realmente o título é bem chamativo. Gostei da capa do livro e me interessei muito pela história. Amei sua resenha.
    Maristela G Rezende

  3. Todas as resenhas que li, aumentaram a minha curiosidade sobre o livro, e depois deste especial sobre o livro….vou ter que fazer hora extra pra chegar nele na minha listinha. apesar de não gostar de matemática quero saber como ele conseguiu colocar os teoremas no meio da história….

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