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Especial: Onde estao os livros nos avioes e nos onibus?

Roney Cytrynowicz, no PublishNews

Especial: Onde estao os livros nos avioes e nos onibus?  18

Viagens, de férias ou a trabalho, são sempre situações interessantes para a leitura, incluindo as descobertas realizadas na própria viagem. Os longos trajetos, a suspensão do tempo e do espaço e, no caso de férias, o prazer de ler em meio a dias sem obrigações, permitem uma imersão ainda mais profunda na leitura. Por que, então, companhias de ônibus e de aviões não mantêm pequenas bibliotecas, como fazem com jornais e revistas? Por que editoras não fazem parcerias com estas empresas para divulgar seus lançamentos?

Se isso vale para livros impressos, imagine para livros digitais, que ainda não são oferecidos nos aviões, apesar da montanha de filmes, jogos e música à disposição dos viajantes. E mesmo assim muitas pessoas passam horas e horas dentro de aviões e outros meios de transporte muitas vezes sem fazer nada além de dormir.

Às crianças e aos adultos com crianças se poderia oferecer livros infantis. É surpreendente que companhias aéreas e editoras não pensem nisso. Crianças de qualquer idade ficariam horas entretidas e o mesmo vale para leitores juvenis. Aos adultos em geral se poderia oferecer livros de todos os tipos, a começar por contos e crônicas, e colocar à disposição também livros de gêneros menos requisitados, como, por exemplo, a poesia. O resultado certamente seria surpreendente.

Guias de viagem, romances de viagens, livros para conhecer a cultura do destino do trajeto e sobre restaurantes e gastronomia local, e assim por diante, também poderiam ser oferecidos. É inexplicável que não se proponha leitura nestas situações em que os livros, impressos ou virtuais, são excelentes companheiros e certamente se tornariam companhia de pessoas que nunca imaginaram esta possibilidade. Em geral, eu levo várias opções, entre um romance (para uma viagem longa e horas seguidas de leitura sem interrupção), contos ou crônica, um livro de poesia e um ensaio ou livro de história.

Passo dias escolhendo e separando o que levar, escolhas que vão sendo trocadas diariamente nos dias que antecedem a viagem – que pode ser apenas uma curta viagem a trabalho de um dia – e, para falar a verdade, raramente estas escolhas dão certo e na maior parte das vezes dá vontade de ler exatamente um dos livros que ficou para trás na última hora. Mas estes dias de preparativos são muito estimulantes. Um capítulo à parte neste assunto são as livrarias de aeroportos e rodoviárias.

E, neste sentido, é inexplicável que a principal livraria do Aeroporto de Guarulhos tenha sido reduzida ao tamanho de uma grande banca de jornal com poucas opções de livros que não os best-sellers da semana. No Aeroporto Santos Dumont no Rio de Janeiro, a livraria principal ficou fechada por anos e a pequena livraria que subsiste no andar do embarque é simpática, sem dúvida, mas vende exclusivamente aquele pequeno mix formado por alguns best-sellers + autoajuda + negócios, quase sem opções de boa literatura. E estas livrarias têm uma insignificante seção de guias e livros de viagem e menos ainda a preocupação de oferecer livros relacionados à cidade onde estão e onde milhares de turistas chegam todos os dias.

É claro que um comentário tão genérico, e baseado em São Paulo e Rio de Janeiro, é sempre injusto. Lembro, por exemplo, da livraria no aeroporto de Salvador que tem uma pequena mas simpática seção de livros locais. Oferecer guias locais de turismo, de culinária, literatura e outros livros da região é um trabalho que deveria ser prioridade para livrarias em pontos de trânsito de turistas.

Quando é tão urgente pensar em formas de incentivar a leitura e a circulação dos livros (a começar pelos impressos) e procurar canais alternativos de distribuição e de venda, parece um contrasenso não propor estratégias acopladas a viagens e ao transporte, situações em que as pessoas têm tempo, recursos e disponibilidade (mesmo que ainda não testada) para ler livros.

Enquanto isso, estou aqui já escolhendo os livros que levarei para as férias de fim de ano e, assim, passarei o próximo mês imaginando o que vou querer ler nas horas de espera e transporte e em alguns dias de férias. Dessa vez, como em todas as outras, errarei na maioria das escolhas e, com certeza, acharei livros imprevistos e interessantes (e relacionados ao lugar onde estarei) pelo caminho…

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Guilherme Cepeda
Guilherme Cepeda é podcaster, blogueiro e escritor. Pós-Graduado em Marketing e apaixonado por tecnologia e literatura desde sempre, em 2010 resolveu criar um blog para compartilhar sua opinião com os amigos. Jamais imaginaria que o projeto chegaria tão longe, tornando-se hoje o Burn Book, um dos maiores portais de literatura jovem do Brasil. Escreveu em co-autoria os livros da série Minha Vida, e em seu trabalho mais recente, já pela Editora Burn Books, publicou o conto “Estarei em Casa para o Natal” na antologia que leva o mesmo nome, também foi publicado em outras antologias pelas Editoras Wish, Villa-Lobos e Rouxinol. Guilherme é co-criador do Podcast “BurnCast”, o qual é responsável pela edição, pós-produção e roteiro há mais de um ano.

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7 Comments

  1. Sobre os primeiros parágrafos, é uma ótima ideia, pois quanto mais divulgação, mas leitores, e quanto mais leitores, uma população mais inteligente, com uma imaginação mais fértil, o vocabulário aumenta… alem de ser um ótimo passa tempo!!! Pois todo mundo gosta de ler, só não achou O livro ainda.
    E nas livrarias de aeroportos a gente só vê 50 tons e esses outros gêneros que você citou, um absurdo!!
    Bom.. A-M-E-I o texto, concordo plenamente 😀 (já até compartilhei no facebook ;p)
    Beijos&Abraços

  2. Concordo totalmente. Isso é uma ideia brilhante, já que eu sempre leio enquanto estou em meios de transporte e adoraria que as pessoa fizessem o mesmo. aumentassem sua paixão pela leitura, isso seria um bom incentivo e uma alternativa bem educacional. AMEI AMEI AMEI esse post. 🙂
    Bjs

  3. Sou daquelas leitoras que sempre está lendo, até mesmo em pé em ônibus e metros cheios e adoro quando encontro alguém na mesma situação que eu! Além do tempo passar rápido eu me sinto mais leve!

  4. Uma ótima ídeia pois viajar é cansativo mais um bom livro a disposição faz qualquer demora valer a pena né!?

  5. Ótima ideia!!! teriamos bem mais clientes satisfeitos,e uma grande possibilidade de conhecer autores(livros)novos,isso seria de mais.

  6. Parabéns, é um ótimo post com uma ideia que poderia facilmente ser colocada em prática.

    Tem tantas idéias em outros países,mas aqui?
    Onde estão as campanhas de incentivo à leitura na mídia?
    No site http://www.prolivro.org.br/ipl/publier4.0/texto.a… ,tem uma pesquisa com dados alarmantes.Trata-se da realização da terceira edição da Pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, estudo cujo objetivo central é: Medir intensidade, forma, motivação e condições de leitura da população brasileira

  7. Assim como todo mundo aqui, concordo com essa ideia. É preciso mais incentivo e divulgação da leitura em viagens. Ela é algo que te faz passar o tempo em uma viagem monótona e te faz conhecer ainda mais o lugar aonde se vai. Sem dúvida mais livrarias e procura maior dos viajantes seria uma combinação perfeita!

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