Guia de Sobrevivência do Escritor #11

Então semana passada vocês viram como eu faço os resumões dos livros. Alguém aí usou essa semana pra tentar colocar os aprendizados em prática? Por favor, não esqueçam de me dizer como vocês se saíram!

Então hoje vamos entrar na segunda fase do planejamento. Mas alerto desde agora que essa fase não é pra todos os gostos; honestamente, acho que só os muito control freaks vão aderir a esse tipo de estratégia, mas não há dúvidas de é um método efetivo. Estou falando das escaletas.


Segundo o Santo Google, escaleta, substantivo feminino – 1arm mar ant. cortadura em formato de escada nas falcas das carretas de bordo. / 2cine teat tv resumo ordenado, em escala rigorosa, das cenas e/ou sequências de um filme, novela de televisão etc., que serve de guia para o roteiro ou texto final.

O que realmente interessa pra gente é essa segunda definição, que, como vocês podem ver, costuma ser bem específica de roteiros, mas pode facilmente ser adaptada pra uma série, livro ou noveleta. Pro nosso uso, uma escaleta nada mais é do que um resumo capítulo a capítulo do seu livro.

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Eu sei. Way too much, né? Mas juro que é útil.

Então primeiro passo: pegue seu resumão. Tente separá-lo dentro de capítulos. Faça isso grifando com cores diferentes, colocando notas de rodapé, enfim, dê seu jeito pra separar aquele conteúdo que você escreveu fique razoavelmente separado em capítulos. Isso vai te dar uma ideia aproximada sobre o esqueleto do livro. Em seguida, passe a limpo.

Depois que o primeiro rascunho da sua escaleta estiver pronto, releia e reveja: quantos capítulos se passam antes do primeiro grande acontecimento? E quantos capítulos entre este e o próximo? Em qual capítulo vai acontecer o clímax da sua história? E quanto tempo dali para o final?

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Tendo essas perguntas em mente, tente reestruturar e redistribuir os acontecimentos, mesmo que isso exija que você reformule algumas ideias do seu resumo. Nessas horas, é importante lembrar de alguns toques práticos que podem e devem nos ajudar na construção de uma narrativa:

a) O começo não pode ir muito longe sem uma primeira reviravolta; isso não significa que você deve começar seu livro com explosões, mas é apenas um toque pra lembrar que um leitor comum aguenta no máximo dois capítulos sem que nada de extraordinário aconteça. Apresentação é importante, mas conflitos também – sem eles, você não mantém o interesse dos leitores.

b) Depois do primeiro evento, é preciso tomar cuidado com o ritmo da história; ou seja, se no capítulo 2 seu protagonista recebe uma ameaça anônima, não espere até o capítulo 6 pra que alguma coisa aconteça a respeito disso. Não é suspense, é enrolação. Respeite o tempo do seu leitor mantendo a narrativa interessante com pelo menos um pequeno ponto de interesse por capítulo.

c) O clímax não pode estar cedo nem tarde demais; afinal, se for no meio do livro, tudo o que vier depois vai parecer fraco em comparação. E se for nas últimas páginas, sua história vai parecer ter terminado rápido demais. Qualquer uma das alternativas é ruim, então saiba balancear.

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Tenha em mente também que a escaleta não é definitiva, e pode (e possivelmente será) ser alterada a qualquer momento. A decisão final é sua, o controle é seu, e você precisa saber quais são as melhores soluções pro que está desenvolvendo.

Com a escaleta pronta, você já pode meter a mão na massa e começar a escrever. O bacana é que é mais um daqueles materiais preventivos, que nos ajudam na luta contra o bloqueio criativo, a falta de ideias, e todos os demais males que afligem os escritores. Quando a dificuldade bater, nossos resumos estão ali pra auxiliar. Garantia de satisfação!

Stay strong e a gente se vê na semana que vem! Até!

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